A esperança é a única que morre

IMG_9573É importante que haja algum texto a registrar que, diante do vice-líder Atlético-MG, o Vasco não jogou exatamente mal. Começou buscando mais o jogo, tentou impor-se em campo e contou com um inesperado Diguinho bem postado e com boa saída de bola.

Entretanto, diante de um clube que buscava chegar ao limite de sua capacidade, bastou ao Galo forçar um pouco para prevalecer com certa sobra. Acertando toques em sequência, executando o básico – e belo! – do futebol, Patric chegou livre à frente de Jordi e Rodrigo, atrasado como nossa gestão, fez-lhe um pênalti daqueles que nem Mauro Cezar duvida.

A sensação era de um adulto batendo bola com criança. Maliciosamente, o Atlético parecia deixar-nos acreditar que era possível algo, mas bastou-lhe querer e lá estava Dátolo livre, leve e solto para ajeitar a bola, analisar o espaço, calcular os dados e lançar a bola precisamente no ângulo direito de um Jordi que, mais uma vez, nada pode fazer.

Ali, aos 42 minutos do primeiro tempo, já estávamos derrotados. Mesmo com o gol de Nenê, em pênalti que não enxerguei, e mesmo não jogando exatamente mal, como comprovam a cruel matemática.

Nossa precisão de passe foi idêntica à do Galo (78%). A posse de bola ficou em 47% pra nós e 53% para eles. Foram 5 escanteios para cada lado. Fizemos 19 faltas e eles 16. Tivemos 54 passes longos, o Atlético 67. 44% dos nossos passes foram para a frente contra 32% dos passes mineiros avante. Cruzamos 18 bolas e eles 14. Ora, diante de tanto equilíbrio, por que raios mais uma derrota?

O fator talento, óbvio, faz a diferença. Enquanto o Vasco tentou 8 dribles, o Atlético-MG chegou a 14. Nós acertamos 3 (37%). Eles tiveram 11 bem-sucedidos. Ou seja, quase 80% de suas tentativas. Eles bloquearam 5 vezes nosso ataque e nós apenas uma o deles. A precisão dos desarmes do Galo atingiu 83%. A do Vasco parou em 50%. Ou seja, roubávamos uma bola e deixávamos passar a seguinte.

No fundo, os números só servem para realçar a diferença entre um time fruto de planejamento e um elenco improvisado na base do desespero. Enquanto a equipe mineira mostrava entrosamento e toque de bola precisos, víamos o clube carioca extenuar-se com jogadores visivelmente fora de sintonia, casos de Bruno Ferreira e Seymour. Enquanto o Atlético foi buscar em Pratto um goleador que marcou mais do todo o nosso time, nós trouxemos um atacante da série C que veio para ser o homem de área mas que, dada a ineficiência dos laterais, tantas e tantas vezes teve que ir às beiras do campo para cruzar a bola que, em verdade, ele deveria receber.

Por fim, um resultado justo e a impressão amarga de que se o Galo forçasse mais, nosso saldo devedor só aumentaria. No estágio em que estamos, não nos basta “não jogar mal”. Temos que ir bem. Sermos maravilhosos, precisos e perfeitos. Precisamos ser o que já fomos outrora e que não conseguimos uma única vez nesse ano. Ironicamente, a matemática que nos diz ainda ser possível reverter a situação é a mesma que nos empurra, análise após análise, cada vez mais à série B. Um retrato fiel daqueles que prometeram nos salvar e que são os principais carrascos a nos empurrar para a degola. Tal e qual contas básicas de uma tabuada, um resultado que só não vê quem não quer.

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A fonte dos dados aqui apresentados é o  ótimo site Goal.com. Vale seguir em @GoalBR.

Freud Irônico é o alter ego virtual do publicitário Raphael Santos. Siga em @freud_ironico.

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3 pensamentos sobre “A esperança é a única que morre

  1. SUMA EURICO…!!! DESAPAREÇA…!!! A SIBÉRIA É “LOGO ALÍ”…!!! DEIXE-NOS EM PAZ…!!! RENUNCIE…!!! SAIA, ENQUANTO “AINDA EXISTE VASCO”…!!!

  2. Até porque é impossível jogar pior do que aqueles 6×0… mas todo jogo a sensação de quando o Vasco perde de pouco, não é que o nosso time melhorou, e sim que o adversário não fez tudo que poderia (a que ponto nós chegamos?!)… A questão não nem mais a de cair, pra mim isso já foi sacramentado quando assumiram essa corja do “dotô” de novo, o pior é cair sem dignidade, sem lutar, nesse momento absurdo e surreal, não vejo forças nesse time medíocre nem de sair da lanterna!

  3. O penalti no Vasco foi claro, empurrou nas costas, não tem oq duvidar. De resto concordo com tudo oq vc escreveu. Não vi o jogo, mas a imprecisão q tive pelos comentários em vários lugares foi q o Vasco jogou um pouco melhor.. mas precisa de muito mais para vencer!

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