Alguns lados de uma mesma questão

MosaicoDomingo que vem cairá por terra mais uma das profecias euriquianas. Depois do time que brigaria pelo título, do time que não teria complicações no Brasileiro, da vinda do Léo Moura e de que o Ronaldinho Gaúcho não jogaria em outro clube além do Vasco no país, a afirmação do presidente vascaíno de que “Pode ser CBF, Fifa, federação de Marte, o quiser que seja… O Vasco não joga no Maracanã se a posição de sua torcida não for a histórica. É simples. O Vasco não joga no Maracanã”, também redundará em palavras jogadas ao vento.

Não entrando no mérito de que o dirigente, tão conhecido por suas bravatas, não tem dado uma dentro e que sua atitude com relação à situação do clássico contra o Fluzim esteja sendo deplorável, é preciso deixar claro um ponto: nessa, a culpa não é do Eurico.

O problema do lado da torcida do Vasco na Arena Maracanã tem vários responsáveis e o menos culpado entre todos é o Dotô.  O governo do Estado, o consórcio que administra o estádio, os tricoletes e a gestão anterior deveriam ter resolvido essa questão à época.

O governo do Estado foi o responsável pelo edital da licitação para a concessão do estádio. Pensasse o governo em algo além do aspecto financeiro, poderia ter levado em consideração as implicações históricas que envolvem um estádio como o Maracanã. Sendo o governador do Rio à época um torcedor do clube, é imperdoável não ter sido incluído algum dispositivo que impedisse que um direito conquistado pelo Vasco fosse ignorado.

Caberia igualmente a uma empresa feita unicamente para gerir por mais de três décadas ter a sensibilidade histórica que o Estado não teve. Se seus responsáveis não sabiam – o que é improvável – que o Vasco CONQUISTOU o direito de escolher de qual lado do estádio ficaria sua torcida, ficaram sabendo no momento em que o Laranjal incluiu a posse do lado direito nas negociações. Aceitar o pedido do Fluminense foi, no mínimo, falta de tato com a segunda maior torcida do Estado. Não imaginar que isso criaria problemas no futuro foi simples burrice. Isso sem falar no óbvio: o consórcio não precisaria aceitar esse ponto se não quisesse. Fosse negada essa solicitação, o Fluzim teria que fechar um contrato com o consórcio de qualquer maneira. Afinal de contas, sem a Arena, onde jogariam os tricoletes?

Sobre o Fluzim, desnecessário dizer o quanto são responsáveis. O fato de terem que mudar sua torcida de lado a cada jogo contra o Vasco é algo que nunca lhes desceu pela garganta (até porque era mais um motivo para serem sacaneados). Era evidente que, ao negociar com o consórcio, tentariam tomar na canetada o direito conquistado dentro de campo pelo Vasco. Vale lembrar que eles são responsáveis diretos, mas estavam vendo o seu lado. Eles não devem qualquer obrigação ao Vasco. Quem poderia impedi-los é que não fez o seu papel.

E, além do Estado e do Consórcio, quem poderia ter feito algo? A gestão Dinamite. E o que ela fez? Nada. O próprio presidente tricolete disse que levou muito tempo para fechar a negociação com o Consórcio. Será que nesse tempo todo a diretoria anterior não soube dos termos propostos pelo Fluzim? Se soube, não era o caso de conversar com o Consórcio e tentar resolver a situação? Será que considerou que a questão não merecia ser levada às últimas consequências (leia-se via jurídica)? Aparentemente, para o Dinamite o que se podia fazer era recomendar que a torcida do Vasco não fosse ao estádio apoiar o time em campo (coisa que o atual presidente fez igual).

Talvez a solução para o caso não fosse tão fácil quanto escrever essa coluna. Mas não fazer nada, como aparentemente agiram os envolvidos à época, com certeza também exigiu muito esforço. E por mais que seja fácil bater no Eurico (principalmente por prometer o que não tem a menor condição de cumprir, como no caso) deve-se responsabilizar quem poderia ter feito alguma coisa e simplesmente lavou as mãos.

***

Agora, essa ameaça de ir à justiça por um clássico com torcida única é mais uma clara tentativa do Eurico de tentar sair bem nessa história. É risível ver alguém que está há tanto tempo envolvido com o futebol carioca classificar o clássico de domingo que vem como de altíssimo risco. Há quantas décadas vemos brigas entre torcidas em todos os clássicos no Rio? E quantas vezes o Eurico defendeu jogos com uma torcida única? Será que o jogo contra o Fluzim que tivemos no Engenhão esse ano não teria os mesmos riscos?

Caso a CBF decida definitivamente por um jogo apenas com os tricoletes no estádio, o Dotô não precisará manter o papelão de imitar o Dinamite e convocar um boicote da torcida do Vasco. Uma coisa é um torcedor comum não desejar ver uma partida sentado no lado errado do estádio (eu mesmo me comprometi a não assistir a qualquer jogo contra o Fluzim na Arena nos próximos 33 anos). Outra completamente diferente e vergonhosa é ver um presidente de clube pedindo que seus próprios torcedores não vão apoiar o time.

***

Pra encerrar o assunto, cabem algumas umas palavrinhas sobre o tal Sr. Marcos Kac, da Promotoria de Justiça do Juizado do Torcedor.

É um direito do Sr. Promotor expressar suas opiniões pessoais sobre qualquer assunto. O que não o impede também de falar besteiras sem tamanho.  Como é o caso da declaração “todos sabemos que São Januário não tem estrutura ou capacidade para receber um clássico dessa magnitude”.

Que “todos” são esses? Se o próprio Major Silvio Luiz, Comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios afirma que São Januário SEMPRE FOI liberado para clássicos (com 10% de ingressos para visitantes), por que deveríamos levar em consideração o que um Sr. Promotor Engravatado qualquer fala sobre o assunto?

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12 pensamentos sobre “Alguns lados de uma mesma questão

  1. Concordo plenamente. Com vc e quase todos comentários. Quis O DESTINO que as tricoletes nos invejassem… pra mim Maracanã com florzinhas acabou… e outros jogos só se forem especiais d+. Esse consórcio é o responsável por isto, e ainda fica fazendo marketing pra cima de nós… $$$. O meu não verás. E na hora que o vento encontrar nossa caravela devolverão o nosso lado…
    Tomar no c♥ esse consórcio e as frescas das tricoletes. Quanto ao jogadores sempre que fizerem gols e perdurar essa sacanagem sigam o exemplo do reizinho….

  2. Concordo. E vou mais além, quando se decidiu que a copa seria aqui e que com isso o Estado finalmente conseguiria se livrar do elefante branco, o presidente era o Eurico – que como bem sabemos, nunca deixou de estar dentro do Vasco. Ou seja, também foi omisso. Digo também que ao Vasco cabia, desde 50, ter isso em papel passado, título de cessão e tudo mais – acho que nesse caso não tem como lançar mão de uso capião, para ser irônico.

    Vendo de outro ponto: como ainda esse consórcio administra um bem público se é formado por empreiteiras confessamente corruptas, que dilapidaram o próprio Estado?

    Para mim, se existisse um grupo político vascaíno forte, esse é o terreno onde brigar. É colocar essa bandidagem para fora, anular esse consórcio e retomar o que é nosso. Dessa vez, passado em papel e registrado.

    Quanto ao Eurico.
    Infelizmente ele teve tudo para formar uma nova aliança com a torcida.
    Mas de fato é muito desastroso e não tem condições mínimas de estar a frente do Vasco.
    Pode ter certeza que as coisas devem estar piores do que estamos vendo. É certo que a novela salários atrasados perdura e etcs.
    De resto, estou sem nenhum otimismo.
    Ao contrário, já dou por certa a terceira viagem para a segundona.

  3. Depois que a vaca foi para o brejo o que nos resta é invadir o maraca, ocupando qualquer lugar, e torcer. Esse negócio de não ir não me agrada. temos de ir aos jogos do Vasco sempre. Mesmo que tenhamos de jogar no campo de várzea.

  4. JC, perfeita coluna, o grande responsável pela perda do nosso lado foi o Banana. O Governador era vascaíno (nem acredito mais nisso), o Dinamite era aliado dele e não fez nada para que edital preservasse as tradições dos lugares das torcidas. O que existe no edital hoje é dúbio e dá margem para o consórcio fazer o que fez….. E pela segurança jurídica é difícil reverter. O Eurico errou quando fez bravata, errou na forma de agir, mas nessa, o omisso, que errou no conteúdo, se chama Banana, o , até aqui, pior presidente da história do Vasco.
    Acho que, daqui por diante, Vasco x Fluminense é assim: mando deles, Maracanã e 90% da carga pra torcida deles. E acho que nenhum torcedor do Vasco deve comparecer para dar dinheiro a esses caras. Mando do Vasco, joga em SJ ou qualquer outro lugar com 90% da torcida do Vasco. O Vasco , nesses termos, nunca mais deve jogar com fluminense com torcidas divididas, jamais. “Guerra” contra esses caras, guerra no sentido de não se submeter aos caprichos deles. Não querem assim? Será assim….. (Abre parêntese: e isso tudo seria muito mais bacana de se fazer e brigar se o Vasco tivesse bons times, com moral elevado e ficasse na série A, fecha parêntese).
    O próximo passo, algo complicado demais de se visualizar nesse cenário atual de enfraquecimento do Vasco, é a reforma de SJ. São Januário precisa ser reformado e precisa ter edifício garagem para que as pessoas possam ter tranquilidade, enfim, ampliá-lo e reformá-lo e criar condições de conforto para quem possa pagar por mais conforto sem esquecer, é claro, das melhorias de acesso e entorno que passam pelo poder público também. Quanto mais a área de entorno e o acesso forem melhorados, melhores serão os públicos.

  5. Rapaz …não sei VC mais eu tô com tanta raiva do Flu que tô torcendo p ganhar mais do que contra a Mulambada …. Eurico deve estar arrependido de ter ajudado essa merda a não cair para série b ….do resto concordo plenamente com VC…abração

  6. Essa questão do lado do estádio tem a ver com tradição(nem vou falar de respeito) e a nossa está se extinguindo de uma forma bem dolorosa é dentro de campo. Do site Footstats: “Com nove pontos somados após 13 rodadas, o Vasco é o 19º colocado do Brasileirão. Se comparada às dos piores anos da equipe na Série A, a jornada é sintomaticamente pior. Em 2013 o Gigante da Colina tinha 18 pontos a esta altura do campeonato, o dobro do desempenho atual, enquanto em 2008 tinha 15.”
    Com números não se briga.

  7. Cara, a minha opinião sobre essa história de lado de estádio talvez seja um pouco diferente da maioria dos vascaínos. Concordo que os tricoletes fizeram isso porque, além de querer historicamente tudo o que o Vasco tem, foi uma clara provocação ao clube. Apesar disso, a Diretoria anterior é grande culpada, não por tentar impedir que o lado fosse dado aos bambis das Laranjeiras, mas que se antecipasse e fizesse um contrato com o Consórcio para jogar alguns jogos por ano no Maracanã, sob a condição de que o seu lado fosse mantido. Nosso estádio de São Januário é um orgulho para nós, pela história toda que tem, mas vamos deixar um pouco a paixão de lado e admitir que precisa ser todo reformado e modernizado para voltar a atrair a torcida. Entenda bem, isso não impede de jogar clássicos lá, tem condições sim para isso. Agora, veja o exemplo (pra mim um caso de sucesso) do Palmeiras. O novo estádio reergueu o clube em todos os aspectos: financeiro, torcida e futebol. Já que as administrações do Vasco não tem interesse e competência para reformar São Januário, poderiam ao menos ter fechado um contrato de 10 jogos/ano no Maracanã, colocando as partidas mais importantes para o time lá. Eu, como torcedor, gosto muito de ver meu time jogar no Maracanã.

    Resumindo sobre o lado, acho que temos problemas maiores a resolver. Prefiro ganhar os jogos do que voltar o foco a essa disputa com o time na situação que está. O melhor recado nessa história toda quem deu foi o Juninho naquele jogo contra os flores. Meteu um golaço e depois foi pra torcida dos caras falando que o lado era nosso. Se tiver que escolher entre ganhar todas as partidas deles e o lado, fico com a primeira opção.

  8. Me desculpa JC mas discordo totalmente quando você tomou essa decisão de não ir mais a arena maracanã POR CONTA DESSE FATO, logo você que quando vai falar de oposição ou situação fala que elas colocam outros interesses acima do bem do Vasco, acho que muito pior do que o lado no estádio é o time do Vasco jogar sem uma torcida o apoiando, ainda mais nessa situação em que se precisa desesperadamente de pontos e vitórias no campeonato, não é hora de colocar qualquer outro pensamento em questão a não ser apoiar o time em busca da vitória

    • Rodrigo,respeito sua opinião. Mas uma decisão pessoal de um torcedor não pode nem de longe ter o mesmo peso da decisão da torcida. Eu me recuso a ver um jogo em um lado diferente que do lado que temos o direito de possuir. Mas enquanto eu penso dessa forma, certamente outros tantos pensam diferentemente. E esses, com certeza, seriam o bastante para lotar metade do estádio.

  9. Entristece o que tem sido feito com o Vasco pelos próprios dirigentes.
    Entre acertos e erros e erros e erros, continuo e sempre continuarei vascaíno, mas me poupem os defensores dos últimos dois presidentes.

  10. De fato o Vasco comeu mosca ao não negociar com o consórcio, basta lembrar que um jogo na arena, rendeu mais que toda a arrecadação da série B em SJ. SJ é um bem nosso, mas o Vasco não pode se abster de marcar seu espaço no maraca, que como bem disse a torcida no estadual, “é nosso desde 1950”.

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