Desespere-se com moderação

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Foto de Paulo Fernandes – do site http://www.vasco.com.br

Graças a Deus Doriva ficou. Seja lá com quem fosse, recomeçar tudo tornaria o que já é difícil em missão quase impossível. Nunca saberei o que se passou na cabeça dele. Mas apostaria que pesou o desejo de não ver seu nome marcado com a pecha de quebra-contratos. Depois de abandonar o Botafogo-SP no altar para vir pra Colina (compreensível dada a diferença de grandeza entre os clubes) pegaria mal trocar de par logo depois das núpcias.

A verdade, porém, vai além do treinador. Há claros indícios de que Doriva chegou ao limite com as peças que tem. Ainda há alguns nomes pouco empolgantes para testar. Mas se Diguinho e Julio Cesar forem muito piores que Serginho e Cristiano é melhor se inscreverem na Catho Online. E se Emanuel for do mesmo nível que Marcinho ou Bernardo é caso de ser deserdado da família do Messi. Ainda assim, não dá para ter muitas esperanças. O auge do time parece ser isso aí.

Que nem é tão pouco assim, a meu ver. Um sistema defensivo sólido, algumas jogadas trabalhadas em bola parada e a expectativa de lampejos de Dagoberto tem trazido alguns lances de perigo. A necessidade de laterais mais capacitados para uma ou outra triangulação e de um meia que seja capaz de dialogar no mesmo nível de Dagoberto são problemas claros. Mas, responda sinceramente: dos 20 clubes do Brasileirão, quantos não estão sofrendo com as mesmas carências? Quais laterais são os melhores desse campeonato? E que time ostenta um meia capaz de envergar com propriedade a 8 ou a 10 para armar jogadas de maneira precisa?

Obviamente, isso não faz do Vasco um candidato ao título, como prega hipocritamente nosso presidente. Mas quer dizer que dá para ter uma expectativa melhor do que só lutar contra o rebaixamento. Em termos de pontos, o início é bem ruim. Arrisco dizer que dos quatro pontos que perdemos em casa, dois seguramente farão falta. Mas olhando a forma do time jogar, dá para esperar mais numa eventual hipótese de novos nomes renderem um pouquinho mais. Nada demais não. Só ir além da medriocridade dos que estão em campo. E quem sabe a diretoria não pense em presentear Doriva pela escolha dele em seguir com a gente? Seria merecido para ele. E muito mais para nós, a torcida.

Me engana que eu gosto
A patética entrevista de Eurico Miranda para desqualificar Dagoberto e Doriva torna ainda mais inútil as entrevistas pós-jogos. Se no geral, as perguntas são óbvias e as respostas insossas, fica ainda mais ridículo ver Doriva ou Serginho definirem a partida contra o Cuiabá como um “grande jogo” do time. Se antes havia a impressão de que as respostas não eram sinceras, agora fica a sensação de que são mentirosas.

Desrespeito
Um dos princípios básicos do marketing é cercar-se de enorme cuidado ao unir uma imagem pessoal a uma marca. Personalidades perdem contratos publicitários quando envolvem-se em polêmica para que símbolos não vejam sua imagem arranhada.

O marketing do Vasco, contudo, vai em direção contrária. Opta por unir uma frase cunhada pelo presidente, personagem controverso (para dizer o mínimo), à marca do clube sem nenhum pudor. Diferente da expressão “O sentimento não para”, criação genuína da torcida, “O respeito voltou” é frase política de Eurico e, do ponto de vista de comunicação, ainda carece de lastro para poder afirmar-se de forma real.

De quebra, reforça a mentira de que Eurico e o Vasco são uma coisa só. Não são. Lembremos quantas vezes for necessário.

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