Por uma posição da oposição

20130408protestocasacaO dualismo dos tempos atuais se estende por todos os cenários. No futebol, o Vasco de hoje é prova desse radicalismo dual que te leva a ser um defensor do Dinamite se você criticar Eurico, ou te faz um euriquista se você reprovar Roberto. Como se não houvesse, para a administração na Colina, nada além desses nomes que são, sem dúvida, o pior do que já sentou-se à cadeira de presidente do clube. 

Roberto foi eleito porque vestiu a camisa de anti-Eurico. Reuniu correntes distintas que desejavam a queda do doutor, cujos mandatos presidenciais foram marcados por bravatas, decisões ditatoriais, brigas com a imprensa e raros títulos. Uma direção minimamente eficiente seria o suficiente para que Eurico se tornasse uma folclórica figura do passado, uma lembrança polêmica na memória dos vascaínos. Mas o ídolo de outrora fez feio com o leme da caravela. Uma postura nada firme, a companhia de pessoas com moral altamente duvidosa e dois rebaixamentos num curto período de cinco anos foram suficientes para reacender a ânsia pela volta daquele que nunca foi, na verdade, quem afirma ter sido.

Às vésperas das últimas eleições, a oposição tentou lançar algo de diferente. Trouxe a figura de Julio Brant, com quem tive a oportunidade de trabalhar no mercado e que, a meu ver, trazia todas as possibilidades de guiar o clube a algo novo e diferente. Mas era óbvio que com um quadro social exageradamente conservador, os fracassos recentes no futebol e as promessas infladas de Eurico, seria muito difícil convencer os eleitores com uma nova cara. Deu-se o esperado.

Três anos, contudo, passam voando. E tudo leva a crer que o respeito não voltará pelas palavras de ordem ou pelas notas tergiversas do nosso presidente atual. Esse é o momento e o prazo que a oposição tem para buscar um novo nome capaz de disputar as próximas eleições com alguma chance. Corre o papo de que Julio já está em outras direções e que manter-se na política cruzmaltina não era o seu objetivo no caso de não ser eleito. Se não for ele, que seja outra pessoa. Alguém que possa para apresentar-se nesse tempo, contar sua história de relação com o Vasco, trazer propostas e ideias, rodar os diversos grupos vascaínos que existem com projetos que permitam ser explorados, questionados, estressados e dissecados pela torcida e, principalmente, pelos votantes.

Com todos os defeitos que reúne, Eurico tem uma identidade histórica com o Vasco que não será ultrapassada por qualquer sujeito que aparecer com cara de mocinho. Mais do que um nome, Dinamite era um ícone para o clube e isso contou, e muito, na oportunidade em que conseguiu superar Miranda. Tivemos muitas chapas no último pleito, o que mostra um significativo movimento opositor à administração vencedora. Se nesse período elas não forem capaz de encontrar um nome que ocupe esse papel de contestador, será muito difícil mudar.

Edmundo prometeu se preparar. Felipe chegou a ser cogitado. A Cruzada tentava se firmar como um contraponto. Mas a sensação que dá é que tudo esvaziou-se com o resultado do ano passado. Nem uma possível trégua para os 100 dias iniciais pode servir de desculpa. Afinal, eu acredito que é bastante possível fiscalizar, criticar e opor-se sem, necessariamente, atrapalhar o clube. Sem cair na vala do “quanto pior melhor”.

O silêncio da oposição, no cenário geral, é algo que me assusta. E pode resultar na manutenção do sentimento de “não trocar o certo pelo duvidoso”, tão comum à comunidade vascaína. Mesmo que o certo, no nosso caso, traga consigo muitas dúvidas sobre a capacidade de levar esse escudo à grandeza que ele merece.

Domingo
O jogo de domingo, infelizmente, repete algo que vem se tornando um triste cenário recorrente para a torcida vascaína. Além da vantagem do placar que está com o Flamengo, a pressão corre por conta dos cruzmaltinos. O jejum de vitórias é contra a gente, as recentes derrotas em finais pesa e a velha tática de “campeonato à parte” de Eurico pouco ajuda. No clássico passado, o descontrole emocional de Dagoberto mostrou que, diferente do que eles pregam, essa tensão atrapalha até quem nunca vivenciou esse duelo.

Cabe a Doriva buscar o controle emocional do elenco, aliviar o peso sobre os ombros do time e tentar, à medida do possível, colocar o pessoal para jogar bola. O jogo passado mostrou que, no mínimo, é possível buscar uma briga igual e que, pelota rolando, não há uma superioridade ostensiva para nenhum dos lados.

Agora, se a gente entrar com aquele nível “Bernardo” de emoção, tudo ficará ainda mais difícil.

Lágrimas
Bernardo que, aliás, foi tema do noticiário vascaíno esta semana pelo choro causado por críticas de torcedores. A capa do Lance dessa sexta traz a foto do choroso atleta com a manchete “Ele precisa de carinho”. Bom, e eu preciso de um beliscão pra acordar desse pesadelo em que um jogador que não tem nenhuma condição de ser ídolo deva ser tratado com tamanha compaixão pelo Vasco.Sem-Título-1

No conjunto da obra, Bernardo pouco fez por nós. Partidas irregulares, um gol “salvador” que não conseguiu ser suficiente para um título, expulsões, noitadas e nada mais. Houvesse respeito de verdade, nem mais vestiria a camisa do time.

Pode ser que o futebol o faça herói dessa semifinal, por ser um esporte que gosta de ironias que diminuem o espaço entre o ostracismo e o brilho. Ainda assim, para mim, é carta que precisa, para o bem do clube, estar fora do baralho da Colina o mais rápido possível.

Rival

Enquanto o nosso presidente brinca de faz-de-conta com as promessas de obter R$ 40 milhões só por venda e empréstimos de jogadores, a direção do Flamengo dá aula de como gerenciar um clube e vai colecionando sucessos de gestão.

Olhar a concorrência e aprender com ela jamais foi visto no mercado como atestado de inferioridade. Pelo contrário, é característica essencial e decisiva para quem busca manter-se forte na briga pelos objetivos. Enquanto não aprendermos isso, vamos ficar vivendo de cocadas e chocolates vendo o rival, e tantos outros, distanciarem-se à nossa frente.

Palpite
Pra mim é 1×0, no sufoco, com Gilberto carimbando.

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6 pensamentos sobre “Por uma posição da oposição

  1. Bom texto. Me preocupa também não ver uma oposição atuando no Vasco, como se tudo estivesse as mil maravilhas. Na última eleição isso foi um grave erro, deixaram para a última hora para se organizar.. e deu no que deu..

  2. Olá Fred!

    Em primeiro lugar gosto muito de seus textos e o acompanho com frequência neste blog.
    Fiz um comentário, no blog da fuzarca, sobre a adm do flamengo e concordo com o que você bem observou aqui. Um ponto que ressaltei sobre o assunto é que nós não temos os mesmos favorecimentos de nosso rival, como: exposição na mídia, juntamente com o coríntias, o fra recebe os maiores recursos da globo e da cef; erros de arbitragens a favor dos mesmos, o brasileiro de 2011 e o carioca 2014.
    Dê qualquer forma podemos sim com organização, trabalho, planejamento e o fim da politicagem, atingir o controle financeiro no clube.

    • Carlos, eu nem penso na hipótese equiparação ao Flamengo. Seria tolice. Só cabe nas bravatas do Eurico. Eles têm mais torcida, cumplicidade de TV, etc.

      O que tenho certeza é de que, seguindo modelos de gestão como a deles ou de tantos outros clubes, estaríamos em situação muito melhor do que a atual, mais condizente ao nosso tamanho e com uma disparidade bem menor em relação ao nosso maior rival. Disparidade que, registre-se, só faz crescer.

      Abraços vascaínos.

      • Tenho que discordar de você Freud! Por que não podemos nos equiparar ao framengu? Um exemplo: durante a melhor temporada vascaína desses 14 anos, a de 2011, a TV aberta passava jogos subsequentes do Gigante. Isso não é exposição na mídia? Os noticiários esportivos falavam EXAUSTIVAMENTE do Vasco.
        Outra coisa, não adianta ter um número grande de torcedores sem participação. Várias campanhas foram feitas e a torcida do Vasco aderiu, O que falta é um Marketing mais atuante, que elabore projetos que deem resultados e que faça com que o torcedor abrace o time. Porém com um presidente que solta notinhas que viram chacotas, que respondem aos jornalistas com arrogância, que promete (E posso citar milhares delas) e não cumpre. Haja marketing!
        Mas em relação a disparidade atual entre o CRVG e os principais clubes do país concordo totalmente. Precisaríamos de anos para igualarmos e com o atual modelo de gestão esse tempo certamente será prolongado, O Clube não aprendeu com os rebaixamentos, não aproveitou os raros omentos de “superioridade” para se desenvolver e ainda tem que conviver com o ego do seu presidente que pensa que é maior que o clube. Resumindo: Nos resta agarrar ao passado, viver de momentos isolados ou FAZER A NOSSA PARTE: COBRAR, NOS ASSOCIAR E COMO TÁ REGISTRADO NA HISTÓRIA DO GIGANTE, CONSTRUIR O FUTURO DO CLUBE COM AS MÃOS DOS TORCEDORES.

      • O conceito de não se equiparar ao Flamengo em nada tem a ver com considerar-se menor do que eles. É apenas uma visão da diferença. Essa ideia de “maior torcida do Brasil”, seja real ou invenção do Ibope, é deles. Traz as suas consequências. As benesses e os ônus. Não é esse viés que temos de buscar. Eles terão sim mais mídia, mais exposição, a priori. O ponto é que hoje há diversos outros veículos que conseguem expor uma marca que não apenas os espaços tradicionais. Prova disso é que Inter e Palmeiras, com bem menos torcida que o clube da Gávea, tem programas de sócio-torcedor muito, mas muito melhores que os dele.

        Por isso é que, na minha visão, é mais coerente tentar exatamente diferenciar-ser do Flamengo. Somos um clube de colônia. Ora, pra mim é inadmissível ver um português que torça para outro time que não o Vasco. E há. Muitos. Essa tradição pode, e deve, ser mais bem trabalhada. Há diversos outros aspectos que poderiam tornar-nos um clube muito mais rentável e interessante que não essa comparação a um rival que só nasce da cabeça do Eurico e d outros que pensam como ele.

        Um abraço.

  3. Bernardo todo ano é a mesma coisa, faz que vai começar bem, despenca de rendimento, inventa um factóide e força uma barra pra enganar num outro Clube. Pobre daqueles que projetam nele um ídolo.
    Sobre Eurico e Dinamite, nenhuma vírgula a acrescentar.
    Sobre o Vasco estar ficando cada vez mais pra trás, é a nossa triste realidade, e a tendência nos próximos três anos é que essa distância para os outros Clubes aumente. Nos manter na primeira divisão nesse período me parece o máximo de ambição que poderemos ter.

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