Nota dissonante

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A charge do Lancenet, publicada originalmente em 13/11/14 foi republicada quando da última eleição à presidência do Vasco.

Uma marca é mais do que um símbolo ou um nome. Mais que um conjunto de palavras ou cores. É uma expressão que resume um modo de ver, uma forma de pensar e se posicionar diante do mundo e das variadas questões que ele traz.

Falar em nome de uma marca é algo que exige mais do que mera autopromoção de capacidade. Requer preparo, profissionalismo, estudo e, acima de tudo, respeito por ela. Em momentos de crise, dúvida, suspeição ou conflito, há ainda a necessidade de frieza, tranquilidade, convicção, embasamento, autodomínio e humildade.

Porque uma marca não é algo construído no curto espaço que separa a lua do sol. Leva-se anos para construir a imagem, o conceito e a mensagem que determinado signo manifesta. Duras décadas de trabalho são devidas para que uma figura ou um nome concentrem, em si, todas as representações a que se propõem. E, ironicamente, tão pouco tempo é preciso para que ela se destrua. Faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que se ergue, já disse o poeta. E por isso que nenhum cuidado será em demasia quando o assunto é proteger uma marca.

Ainda mais uma centenária. Uma que do alto dos seus 117 anos vem sendo cruelmente vilipendiada por aqueles que se apresentaram sob o pretexto de salvaguardá-la. Uma marca que atingiu o mais tacanho nível de sua história justamente quando se aninhava às mãos de seu principal ídolo. Não, não me digam o contrário. Nunca será demais defender o escudo do Club de Regatas Vasco da Gama.

É por isso que é feio, mas muito feio, justo na semana em que a resposta histórica contra o preconceito, o racismo e a luta desigual de classes completa 91 anos, lermos a nota oficial do atual presidente em resposta ao movimento Bom Senso F.C. Mais que feio, é grosseiro e prejudicial à marca. Primeiro porque o movimento, legítimo e justo, nunca posicionou-se contra a instituição. Segundo porque é conceito básico do mais simplório manual que a marca jamais seja utilizada para réplicas pessoais. Terceiro, ainda, porque é de extremo mau gosto usar sua força para pilhérias, ironias e deboches despropositados.

Não é de hoje que Eurico se serve do clube para afrontar os inimigos que amealha por sua postura. Em 2001, vimos com bom humor e admiração a atitude de estampar, na camisa cruzmaltina, o símbolo do concorrente da Globo, detentora da transmissão da final do campeonato nacional do ano anterior. Fruto da represália de Eurico às reportagens da emissora sobre ele quando da queda de parte do alambrado de São Januário, semanas antes. O resultado, todavia, não foi tão risível assim. Um prejuízo severo imposto ao clube, ante o qual Eurico e seus asseclas se fazem vítimas como se nada tivessem a ver com ele.

Uma nota, para ser oficial, busca expor um posicionamento de forma clara e compreensível em determinada questão ou ponto de vista sobre o qual paire quaisquer dúvidas acerca da posição adotada pela marca. Um comunicado formal jamais deixará margens a interpretações ambíguas porque sabe que isso é um risco para a marca pelo qual fala. De modo algum será uma pergunta retórica, irônica, mordaz. Porque rebaixaria uma marca ao nível do bate-boca, da querela, da pendenga. E assim Eurico o fez.

Não só respondendo ao Bom Senso F.C., como também posicionando-se diante das falhas de arbitragem existentes no clássico de ontem. Tão crítico ao silêncio da gestão anterior diante dos constantes prejuízos causados ao Vasco em diversos jogos, o presidente fala o que lhe vem à mente e digita o que lhe desce aos dedos. Sob o embuste do retorno de um respeito que nunca chega, Eurico responde a esmo, sem confrontar exatamente ninguém. Tal e qual lutador combalido, jogado às cordas, que desfere socos no ar, na crença de estar acertando alguém. Incapaz de reconhecer sua própria e inevitável queda.

O triste, no caso, é que Eurico faz questão de levar o Vasco, essa marca tão forte e soberana, com ele. Que a caravela nos mostre que é mais forte que tudo isso. E que o nosso sentimento seja o leme a guiar o nosso pendão para os mares altivos do qual ele jamais deveria ter saído.

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9 pensamentos sobre “Nota dissonante

  1. Quanta besteira. O curioso é que quando o Vasco era rebaixado de todas as formas pela gestão do ex-ídolo, não via colunas desse tipo. E antes que você me chame de assecla do Eurico, adianto que fui a favor da sua saída em 2008 e tampouco votei nele nas últimas eleições. Mas tenho que manifestar quando vejo uma perseguição gratuita diante de alguém que acabou de assumir uma das instituições mais grandiosas do mundo com 3 meses de salários atrasados e sem dinheiro sequer para comprar material de limpeza. Você é um dos muitos vascaínos que odeiam mais o Eurico do que amam o clube, e que foram coniventes durante longos anos com o desastre que foi a gestão do Dinamite, norteados pelo pavor que sentem do comedor de criancinhas. E parece que não aprenderam a dura lição que o tempo nos impôs.

    • Leandro, respeito suas opiniões mas é necessário esclarecer que elas não correspondem, em nada, à realidade. Quem me segue no Twitter há tempos (@freud_ironico) sabe que não faço parte daqueles que torcem para dirigente. Uma breve pesquisa em meu perfil será suficiente para compreender que apoio aquilo que julgo acertado para o Vasco, seja promovido pelo Eurico, pelo Roberto ou seja lá quem for. Neste mesmo site você pede ver, há questão de semanas, uma coluna minha parabenizando a ação em prol da reforma do ginásio.

      Agora, uma coisa assumo, sou oposição ao Eurico. Manifesta oposição, sem nenhum pudor em assumi-la e sem que isso me tire o senso crítico e analítico de reconhecer algo que ele faça de bom ao clube.

      Isso posto, confusão desfeita, prossigo com a opinião de que as referidas notas foram equivocadas. Não somente com a visão do torcedor, mas principalmente sob o olhar do profissional de comunicação que sou. Não tenho dúvidas que levando-se em conta os aspectos do branding, da gestão de marca e/ou do gerenciamento de crises, em todos os exemplos que citei houve erros graves da gestão do clube que, por ora, está sob as mãos de Eurico.

      Sinceramente, eu não compreendo o porque dessa visão simplista de que basta criticar o Eurico para ser taxado de defensor do Dinamite ou vice-versa. Para mim, há uma imensa vastidão de pensamentos e caminhos que não passem por esses dois que, sem dúvidas, fizeram as duas piores gestões da história do Vasco e são, sem receio de afirmar, o pior do que já passou pela presidência do nosso clube.

      Colunas antigas, se assim o desejar pesquisar, endossarão o que expliquei aqui.

      De resto, grato pela leitura. Abraços vascaínos.

  2. O presidente tem poder para emitir notas em nome do clube, ta no Estatuto. O fato de vc discordar da nota nao quer dizer que ela esta errada.
    Patetica a charge do Lance, lamentavel vc reproduzi-la aqui num site de Vascainos.

    • Prezado Julio,

      Embora o poder do presidente o permita emitir notas, ele não é obrigado a fazê-las se não tem, com elas, nada de útil ao clube que ele se propôs a servir.

      Claro que a minha discordância não é definitiva de nada. É só uma opinião, o que aliás está em acordo com esse site, que é a reunião de colunas de opinião.

      E ainda que discordando de mim, defenderei sempre o seu direito de discordar (diferente de como, tantas vezes, agiu nosso presidente frente àqueles que dele discordaram), certo de que você também compreenderá o quão patético acho a relação que alguns tantos vascaínos buscam manter com Eurico e lamentável opiniões como a sua. Mas serão sempre bem-vindas ao debate.

      Abs

      • Freud, sua postura demonstra que vc não concorda, porém respeita minha opinião, bem diferente de um certo fórum de vascaínos.
        Em 2009, era hostilizado pela minhas opiniões contrárias á administração explosiva e ficava por isso mesmo.
        Em 2010 e 2011, passei a emitir opiniōes diametralmente opostas ao que eu pensava. Resultado, os foristas normais pararam de me hostilizar e os moderadores ficavam me xingando por mensagem privada.
        Até que um moderador no meio de um debate, mandou um “FODA-SE” para mim. Como nunca fui santo, respondi o cara e recebi um cartāo azul, correto diga-se de passagem, errado foi o moderador cineasta não ter sido punido também com cartão azul.
        Tempos depois repeti uma frase do Mandarino, ironicamente, dizendo que São Januário é um estádio ultrapassado e decadente, resultado 2 cartões azuis em menos de 90 dias igual a um cartão vermelho.
        Dei causa a expulsāo, errei e fui expulso, mas consegui destilar ironia por quase 2 anos no fórum dos apoiadores do Dinamite. kkkkkkkkkkk.
        Saudações Vascaínas.

      • Camarada, o respeito à opinião contrária e a busca por um debate equilibrado são princípios que norteiam o Vasco Expresso. É só por isso topei essa empreitada. Dentro da educação e da cordialidade creio que todas as opiniões podem conviver, até porque no fim o que queremos é o mesmo, o melhor pro Vasco.

        Abraços vascaínos.

    • Meu caro, PATÉTICAS foram as “notas” emitidas pelo dotô. Esse senhor tem que saber que INFELIZMENTE está gerindo o CRVG e que este imenso e amado clube tem milhões de torcedores que não merecem passar pela vergonha de ver seu clube sendo exposto IRRESPONSAVELMENTE através de notinhas dignas de chacotas. De uma vez por toda ele tem que ter a noção da grandeza do Vasco e parar de “confundir” o seu ego com as vontades coletivas do clube.

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