dois pesos, duas medidas

fla-luxaComo profissional de comunicação sei da importância dos números sobre audiência, venda de jornais ou cliques. Como disse conhecido jornalista do canal SPORTV em palestra a estudantes da UVA, no Rio de Janeiro, “a Globo é uma empresa privada, com interesses econômicos e não uma empresa pública” para responder a uma pergunta sobre o porquê do canal esportivo falar mais sobre determinados clubes.

Por isso não tenho a ingenuidade de pleitear a paridade pro Vasco, ou qualquer time, em relação ao Flamengo. Isso nunca vai acontecer. As verbas publicitárias vão para onde oferecerem mais visualizações, mais leitores, mais espectadores. É tão certo que o rubronegro apareça mais nos noticiários tradicionais quanto um assalto na zona sul carioca ter mais peso jornalístico do que muitas mortes na periferia da cidade. É triste. Não é justo. Mas é assim.

Mas é possível ser parcial, por estratégia editorial, sem ser desonesto. É factível atender aos anseios da área comercial sem distorcer os fatos.

Como agora, diante da injusta punição sofrida pelo técnico da Gávea, Vanderlei Luxemburgo. É clara a represália que Flamengo e Fluminense sofrem da FFERJ, por serem contrários à entidade. Sou contra, óbvio, essa instituição descreditada e intragável, que só faz por esvaziar, ainda mais, esse campeonato insosso e falido.

Nada justifica, entretanto, o jornalista Leonardo Bertozzi dizer, no programa Linha de Passe (ESPN) de ontem, que o Flamengo deu o primeiro passo no enfrentamento à Federação. Mentira que uma simples pesquisa no Google desmente. Veria o profissional, que admiro, que há menos de ano, os presidentes dos poderes do Vasco emitiram nota de repúdio à esta mesma FFERJ diante do inacreditável erro que definiu o título carioca de 2014, criticando diretamente seu mandatário Rubens Lopes.

Assim como não há porquê dar ao Urubu a condição de pioneiro na luta pela moralidade, como fez André Rizek essa semana, se em em março do ano passado, o próprio Vasco, ladeado por Flu e Fla, já se opunha à entidade.

Como nos posicionamos, diante do gol não validado, frente ao mesmo Flamengo, na fase da classificação do estadual 2014, com uma nota contra a Comissão de Arbitragem carioca. Ou então, nas constantes retaliações sofridas pelo Cruzmaltino, como em 2009 no “caso Jeferson” em que –pasmen -, o TJD fluminense chegou a pedir a eliminação(!) do clube do Carioquinha. Fato que causou revolta ao jornalista Juca Kfouri, que não teve papas nas letras para alertar a persecutória atitude da instituição ao Gigante da Colina.

Caberia falar ainda da suspeita coincidência do Vasco ter dois clássicos, justo contra o Fla, apitados pelo mesmo árbitro, Péricles Bassols, no Brasileiro em 2011, com dois erros contra o clube em ambas as partidas. E de tantas outras situações em que nos vimos na mesma condição que agora, convenientemente, o Fla ocupa. Hoje são eles. Já fomos nós. Serão outros. Porque, sabemos, nada vai mudar enquanto esses mesmos clubes forem os responsáveis por dar à esta entidade o poder que ela usa contra eles próprios.

Não há santos nesta história e em que pese a maior audiência obtida quando o assunto é o rubronegro, é ardilosa a tática de incensá-lo ao status de “precursor da moralidade”, “defensor da decência”, “suprassumo do pudor” se quando o erro lhe foi vantajoso, o clube foi assoviar e fingir que não era nem com ele. Ou vamos nos esquecer do “Roubado é mais gostoso“?

Vez por outro aparecem comentaristas que fogem à tendência e posicionam-se mais próximos à verdade que tantos buscam esconder. André Rocha vestiu essa camisa agora em texto ontem. Bem como Mauro Cezar, ano passado, foi voz dissonante sobre o roubo que nos tirou o título. Mas são exceções que vem para confirmar as tristes regras. A pergunta que fiz ontem, via twitter, ao Linha de Passe-Mesa Redonda (obviamente não veiculada) segue intacta:

Por que quando o Vasco opôs-se a essa Federação não houve, por parte da imprensa, o mesmo tratamento que hoje é conferido ao Flamengo?

Quando algum jornalista, com humildade suficiente para o debate crítico, dignar-se a me responder com franqueza e sinceridade, eu prometo colocar esparadrapo em minha boca e nos meus dedos sobre esse tema.

#JeSuisLuxa
Luxemburgo como líder político pró-liberdade? Forçou a mão nessa, não, ESPN?

E se…
Fico a imaginar o que aconteceria se, no Fla-Flu de domingo, os urubus ganhassem com um erro crasso da arbitragem. Qual seria a postura de Peter e sua diretoria, agora tão companheira do clube da Gávea?

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14 pensamentos sobre “dois pesos, duas medidas

  1. Pingback: E.u S.ó P.eço N.eutralidade | Vasco Expresso

  2. Concordo e muito com o que vc escreveu, Freud. Como vascaínos temos que defender com argumentos (que não faltam) e com veemência o nosso clube, independente de ser a favor ou contra o Eurico. Quem está sendo demonizado é a instituição Vasco da Gama, não seu presidente. A questão é muito maior. Impressionante como a mídia consegue manipular os fatos. Torcida do Flamengo invade o vestiário do Macaé e agride goleiro… Culpa de quem? Do clima de rivalidade criado pelos dirigentes, segundo a imprensa… Mas como? Rivalidade com o Macaé? Na primeira rodada? Aí o Banana de Mello acha estranho a informação da invasão? Fred expulso no jogo com o Flamengo, aos 30 minutos… Quem mais foi favorecido? O Vasco (que naquela hora perdia por 3×2 pro Friburguense, mas tinha um tempo e meio pra virar o jogo) ou o Flamengo (praticamente garantindo o primeiro lugar)? A eliminação do Fluminense só interessa ao Flamengo, seu adversário nas semifinais. Os três pênaltis em Friburgo foram corretos (duas bolas na mão e uma falta). Eles tiveram um gol (o quarto) em impedimento. Existe alguma regra que impeça o juiz de marcar três pênaltis num mesmo jogo? No jogo nosso com o Fluminense a gente teve um pênalti claríssimo não marcado, ainda com cartão amarelo pro Gilberto. No nosso jogo com o Botafogo teve uma bola na mão dentro da área deles que o juiz não marcou. Até o Gérson Canhotinha comentou na rádio… O Fla só é líder com um gol irregular que impediu a derrota pro Madureira… Está aí pra todo mundo ver.

  3. Perfeita coluna. Flamengo e Fluminense não querer melhorar o futebol carioca coisa nenhuma, trata-se de uma briga pelo poder e financeira. Cotas de TV no estadual, tem gente querendo revisá-las. Passa também, no caso do Fluminense, pela disputa do uso do lado Vascaíno no Maracanã. Essa federação está aí a anos e anos e eles estavam caladinhos. Só bobinho acredita nessa dupla.
    Acho que a federação carioca e a Cbf deveriam acabar, CBF só cuidar da seleção, não deveriam participar da organização dos campeonatos, eu discutiria e apoiaria isso na hora e o primeiro ponto a ser debatido na nova liga, cotas de tv. O resto é conversa fiada, não querem melhorar futebol carioca coisa alguma, se quisessem teriam usado o Roberto Dinamite nos anos anteriores que estava contra a federação. Estariam Vasco, flu e fla lado a lado no ano passado, não sei o botafogo.

  4. Pingback: Já diz o ditado… | Vasco Expresso

  5. Belo post , é isso mesmo e só acrescento que tudo isso que acontece no momento na mídia Mulamba é o efeito Euviros Miranda que todos são inimigos fiéis do nefasto dirigente. O pior disso tudo é que quem se prejudica é o Vasco e não o Eurico.
    O Carlos Alberto, capitão do tri foi corajoso ao se opor as opiniões co elaboradas pela mídia. Falou grosso e bem falado, acho inclusive que após isso, deve perder a cadeira no troca de passes , afinal meteu a lenha no palhaço do Puxa que é o queridinho da emissora e que ta toda semana no bem traíras. Já chamaram ele amanhã pra dar continuidade a palhaçada.

  6. Direito de opiniao deve ser seguido pelo direito de resposta, proporcional ao agravo, sem prejuizo da indenizacao por dano moral ou a imagem.

    Punicao justa.

  7. Bom, como 99% dos debates esportivos, a resposta é sempre questionar a capacidade interpretativa do outro, chamar de analfabeto funcional, má fé e coisas do gênero. Erro meu em insistir na possibilidade de um debate razoável.

    • Meu texto segue pertinente quando vejo a imprensa citar o erro de arbitragem do clássico de hoje, que resultou na expulsão do Fred, como algo ligado à FFERJ e lembrar que essa mesma imprensa fez questão de dizer que o erro de arbitragem que decidiu o título ano passado foi só um “erro, desses que acontecem”.

      Por que a diferença, se ano passado, tal qual o Flu hoje, ocupávamos o papel de opositor à FFERJ? Porque esse link hoje é tão claro e há um ano foi tão desconsiderado?

  8. Nem Flamengo nem Fluminense são arautos da moralidade. Todos os clubes se beneficiaram em algum momento da ridícula federação, e prejudicados em outro momento.

    Mas cara, comparar as reclamações por erros de arbitragem com reclamações por inscrições de atletas de base, preços de ingressos forçados, punição por falar mal do campeonato/federação, foi demais.

    Reclamar por causa de arbitragem todo mundo reclama. E só quando é prejudicado. E, ainda assim, fora os casos comprovados de corrupção, faz parte do futebol.

    O enfrentamento atual é diferente e é mais importante. Não pelos clubes envolvidos, mas pelos motivos. Ninguém cria uma liga ou desbanca a federação reclamando de impedimento ou expulsão. O momento agora é específico e a disputa é em outra esfera. Ignorar isso é clubismo.

    • Prezado,

      Interpretar o texto como sendo reclamação por “erros de arbitragem” é uma opção. Embora ela não corresponda ao que se proponha a coluna. Poderia até ser mesmo fruto de má-fé para com a questão em si, o que prefiro acreditar não ser o seu caso.

      É muito óbvio que não me refiro aqui a falhas humanas dos juízes que arbitraram as partidas citadas como exemplo. Refiro-me à coincidência de escalações recorrentes de árbitros que, notoriamente, já haviam prejudicado um time o que, houvesse vontade de demonstrar lisura e honestidade, não aconteceria.

      Falo da perda de pontos por uma questão burocrática que impediu um time de seguir às semifinais de um turno, diferente da interpretação dada à escalação irregular de um atleta, anos depois, de outro time, que não foi punido à época.

      E falo, sobretudo, da postura da imprensa, bastante diferente quando um time ou outro time resolvem romper com a federação, cada um a seu tempo, recebendo tratamentos e amplitudes bastante distintas por parte dos jornalistas.

      Não é necessário mais do que uma mínima capacidade interpretativa é pequena dose de boa vontade para depreender que as linhas que inscrevi em momento algum faz o papel de “lamentação por erros pontuais de juiz” ou, como a imprensa se posiciona em relação a outros clubes que não o Flamengo, “chororô”.

      Há que se ter uma exagerada dose de clubismo ao ler e não compreender isso.

      • quando se lê um comentário como o Sr. Erick tenho duas opções: 1. Brasil é um pais de analfabetos funcionais que não sabem ler e interpretar textos.
        2. Brasil é o país de pais da memória seletiva, aonde se vê e lê o que interessa.
        Prefiro ficar com a 1º opção, até porque essa é a viés da maioria dos urubus com quem converso.
        Saudações vascaínas

    • O enfrentamento atual não passa por motivos nobres como melhor qualidade do futebol carioca, não acredito nunca nisso, é isso que estão vendendo. Os motivos são briga pelo poder, questao financeira e uso do Maracanã (Fluminense). Roberto Dinamite estava aí ano passado contra a federação, Peter estava no flu Bandeira no fLa, seria o momento perfeito, todos unidos e o Vasco ficou falando sozinho. Porque não aproveitaram aquele momento todos juntos com o Vasco? E o Vasco não só questionava a arbitragem não, questionada a federação como um todo tb. Acreditar, agora, em motivos do bem comum do futebol carioca é clubismo apaixonado pela dupla fla flu.Mas respeito sua opinião, foi educado e usou argumentos, acho um bom debate. Em tempo 1: não gosto do eurico Miranda e muito menos dessa federação arcaica.

      • Perfeito, Beto. Tô contigo. Ano passado tinha o Dinamite contra a FERJ, mas como o Flamengo foi beneficiado no Carioca e o Fluminense ainda estava grato por não jogar a série B (não iria comprar briga com a FERJ-CBF), ficou todo mundo quietinho. Como bem lembrou um comentário no post do JC todos os clubes assinaram o regulamento. Mais agora é mais fácil demonizar a federação e o Vasco.

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