Despedidas

despedidasMarketing para mim não é piada. É a minha profissão. Mais que isso, a meu ver, é uma ferramenta essencial para alavancar uma marca e explorar todas as suas potencialidades junto aos seus públicos. Por isso é que sempre recebo com bastante cautela e questionamento as áreas que recebem esta designação em clubes de futebol. Ainda mais no caso do Vasco e das duas últimas e desastrosas gestões que dirigiram o cruzmaltino.

Não há porque negar alguns avanços que aconteceram. E nem é o objetivo desse texto. Mas, escrito diante da partida que marca a despedida de Alex no novo Parque Antarctica, é impossível não lamentar-se diante de tantas e tantas oportunidades perdidas.

Inevitável, para mim, não associar a festa alviverde à despedida de Edmundo, há exatos três anos. Se na questão temporal a diferença entre os eventos é pequena, no que concerne à grandeza de ambos, a distância equivale a milhares de anos-luz.

Em São Paulo, a festa reuniu o time detentor do maior título palmeirense, a Libertadores de 1999. Ocasião em que fomos, inclusive, eliminados por ele, sob regência de Alex em fase incrível. Do outro lado, um time de craques no nível de Djalminha, Gamarra, Denilson, Amoroso, dentre outros. Aconteceu num sábado à noite e virou programão de final de semana para qualquer porco apaixonado.

Aqui, em 2012, Edmundo deu o adeus oficial com o time que disputava a Libertadores e o Estadual, em noite de quarta-feira, diante de 21 mil espectadores, frente a um espectro de time equatoriano, que trajava a mesma camisa do Barcelona de Guayaquil, adversário da final da Libertadores de 98, competição que não contou com a participação do Animal. Um acidental apagão converteu-se em metáfora pela ausência do brilho que o jogo, por óbvio, poderia ter.

Sob o ponto de vista de marketing, é como se comparássemos um evento profissional a um churrasco de amigos. Ter o jogo de um dos maiores ídolos das últimas duas décadas do clube nas mãos e transformar numa peladinha de meio de semana, convenhamos, é de uma fraqueza que requer esforço para tornar-se real.

Pergunto: uma torcida que pôs 50 mil apaixonados no Maracanã, em tarde de sábado, em plena segunda divisão nacional chegaria a quantos torcedores em um jogo festivo que reeditasse, por exemplo, o escrete de 1997 frente a um adversário recheado de bons jogadores? Quantos vascaínos não estariam sedentos para cantar os nomes de Evair, Mauro Galvão, Luisinho, Juninho e, por óbvio, Edmundo? Quantos de nós não gostaríamos de exibir, orgulhosos, aquele grupo aos nossos filhos, acostumados a Madsons, Bernardos e Thales da atualidade? É jogo pra entrar na história do clube, pra gerar lucro, pra trazer mídia, pra vender camisa, pra gerar credibilidade, pra trazer patrocinador, enfim, produto bom de trabalhar e de retorno esportivo assegurado.

Não foi, contudo, o que conseguimos fazer. E isso, para mim, ressalta a diferença entre ter um Departamento de Marketing e um grupo de pessoas de boa vontade, fazendo o que lhes é possível, de pouca importância na estrutura, designada como área de marketing.

Explorar uma marca, revertendo benefícios ao clube, é mais do que gritar pela volta do respeito ou fazer vídeos provocativos. Requer mais do que simplesmente ter um antigo ídolo sentado à presidência e requer ações mais efetivas do que bravatas. É preciso deixar as ações e estratégias sob o comando de quem é profissional do ramo. Deixar a vaidade pessoal de lado para permitir que a luz do clube não seja ofuscada pelo obscurantismo dos dirigentes.

Não é um cenário que nos pareça possível no médio prazo. Lampejos positivos como o crowdfunding para a reforma do ginásio ainda são bem pouco diante das vastas oportunidades que um escudo como o nosso é capaz de oferecer. A de Edmundo já foi. Felipe e Juninho estão aí, sem terem recebido o agradecimento merecido pelo que fizeram ao clube. Seria uma ótima oportunidade de mostrar que pensamos, de fato, grande como se costuma apregoar recentemente.

A esperança, em coma, teima em não entregar-se. Quem sabe?

Clássico

Hoje é dia de clássico. Contra um habitual freguês mas que, nos últimos anos, não tem sido fácil. Dagoberto, que despertou furor em nossos carentes corações, já está fora por lesão e seu substituto, o inacreditável Bernardo, sai por questões comportamentais. Pelo que jogamos neste ano diante de equipes de grande porte, não há que se esperar jogo fácil. Embora esteja na segunda divisão nacional e bastante fragmentado, o time alvinegro tem mostrado algum conjunto e venceu o time da Gávea no clássico que disputou.

Tá longe de parecer fácil. Vejamos quantos coelhos Doriva carrega na cartola.

Banana ou  Charuto

Quem me despertou a atenção foi o companheiro de twitter Julio Cesar (@jctm1):

Capturar

tweet refere-se à nota divulgada hoje no site NetVasco sobre o acordo financeiro entre Vasco e a concessionária Maracanã, que viabilizou o jogo contra o Botafogo ser lá. Diz a notícia que o acerto realizado pelo presidente atual é “similar ao do antecessor” e “em linhas gerais” igual ao do Flamengo. Noves fora o desejo íntimo de Eurico nessa disputa tacanha com o rival rubronegro, o que explica endossar o que fora feito por uma gestão tão criticada pela de agora? Pergunto-me se, de verdade, há alguma diferença real entre um charuto e uma banana.

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2 pensamentos sobre “Despedidas

  1. Queria crer que nos próximos 3 anos tenhamos uma despedida digna do Felipe e do Juninho, mas considerando a antipatia do Euvirus, principalmente com o Juninho, acho pouquíssimo provável. Então é algo p se esquecer, pq daqui a 3 anos, eles já não terão pique para aguentar um jogo!

  2. Como sempre belo texto! A ideia que tenho é que o nosso Gigante parou no tempo, em todos os sentidos, assistindo a evolução do futebol em todas as vertentes e esperando que as mesmas façanhas de outrora traga algum resultado. Fadado ao amadorismo, o nosso tão amado clube, se vê nas mãos de pessoas que colocam as picuinhas politicas acima dos benefícios do clube. O Gigante vive um longo processo de coma induzido, onde a esperança reside no seu passado glorioso e com a torcida fazendo BEM menos do que devia para recuperá-lo. É como se todos os torcedores esperassem pelo milagre da vida. Como se num passe de mágica as conquistas e as equipes de outrora voltassem para salvar o Gigante do evidente marasmo. E por enquanto, os INÚMEROS torcedores se apegam a momentos banais e isolados de “respiro do Gigante”. Mas todos sabemos que um clube não resiste e não se torna firme e consolidado apenas com lampejos de bom futebol. Ontem, ao assistir a bela despedida do Alex, fiz uma retrospectiva e tirei a seguinte conclusão: A quantos anos (tenho 23) não me sento em frente a TV para assistir um “Vasco” que me orgulha e que trata a bola como símbolo do espetáculo e não como algo que deve ser logo liberto de sua responsabilidade. Então meus caros amigos, difícil não bater aquela nostalgia gostosa e frustante, pois sabemos que estamos muito distantes de vivermos aquilo novamente!

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