Herói por um dia: Preto Casagrande

preto casagrande

É amigos, chegou mais um dia da seção “Herói por um dia”! As notícias do clube cruzmaltino estão mornas e todo mundo já falou bastante sobre as expectativas do Dagol (olha como estamos carentes rs). Vou deixar o rapaz – que parece aqueles criados pela avó – entrar em campo para dar meus pitacos, ok?

O nosso herói de hoje já havia sido citado no texto inaugural da seção que você pode acompanhar aqui: http://migre.me/oUE7b

A melhor imagem que retrata a passagem de Preto Casagrande por São Januário é a que ilustra essa coluna. Com 19 para 20 anos, o volante, prata da casa da base vascaína, havia estreado nos profissionais apenas 15 dias antes do memorável dia 23.10.1994. Relembrando para os novinhos e novinhas leitores, o ano de 1994 foi de extrema catarse emocional para nossa torcida.

A perda de Dener, o camisa dez do time, nas vésperas das finais do carioca daquele ano talvez seja um dos marcantes da história do futebol brasileiro. O colunista aqui pode estar enganado (na maioria das vezes isso ocorre mesmo) mas não me recordo de um dos grandes times brasileiros ter perdido o principal jogador de forma tão trágica. Até hoje, a pensão a ser recebida pela família de Dener mancha e macula a alma do verdadeiro torcedor vascaíno. A última notícia que tive é que o Vasco devia – mais uma vez – as parcelas do acordo firmado. Talvez seja um bom motivo para um “crowdfunding”, isto sim.

O tricampeonato carioca (tri, tri o Vasco é tri -terere) foi a consagração de uma geração provinda de nossa base, campeã da Copa SP de Juniores de 1992. Um dos grandes momentos que presenciei. O tri campeonato foi tão importante que deu lastro e paciência para torcida aguardar e diminuir as cornetas nos anos de 1995 e 1996, que resultaram nas conquistas de 1997 em seguida.

Preto Casagrande era a esperança de continuidade de uma geração vencedora. Depois da vitória do carioquinha, a equipe acabou se desmantelando. O Vasco cumpria tabela e testava vários jogadores da base no campeonato nacional. Era uma ressaca talvez necessária para a reconstrução da equipe.

Além de Preto, naquele grupo tínhamos Vianna, Pedro Renato (um baixinho com a cara do Mauricinho rs) e Alex Pinho. Os “experientes” Pimentel, Bruno Carvalho, Gian, Yan e Valdir. Saudades eternas….

Mas vamos nos ater ao herói certo? Preto sempre foi um cara meio diferente dos demais. Era um volante que até hoje o futebol brasileiro tem grande dificuldades em produzir. Habilidoso, chegava ao ataque e armava o time na saída de bola. Além disso, tinha temperamento forte e parecia realmente ter um futuro brilhante. Aquele dia 23 para muitos era o inicio de uma carreira que seria longa e de sucesso. Não foi bem assim…

Para quase 3.500 pagantes, o Vasco sem interesse algum no campeonato, treinado por Lazaroni, pegava um Inter no Maracanã vazio. Talvez tenha sido essa uma das razões do canto da sereia de Preto. Um jogo sem importância para uma torcida meio anestesiada. Surgia um craque.

Naquele dia, Preto fez chover. Fez três gols (sim, o gol contra é dele e simbolizado com a imagem da coluna) e armou diversos lances de perigo para o Inter. Saiu de campo nas graças da torcida e da imprensa. Me recordo de José Carlos Garotinho o chamar de novo Falcão. hahaha. Veja com seus próprios olhos com a narração vintage de Fernando “Itália” Vanucci os melhores momentos:

 

A verdade é que no fim, Preto só fez esses gols contra o Inter. Depois, talvez o sucesso repentino tenha subido a cabeça. Foi emprestado para a eterna filial Olaria e depois seguiu carreira. Jogou na Bahia e Fluminense, foi campeão no Santos mas nunca conseguiu ser o craque o vascaíno esperava, após a apresentação de gala naquele dia 23.

Uma ruptura do tendão o fez terminar a carreira com 32 anos. Me recordo que ele era um cara de personalidade (fez três anos de Administração quando jogava na base do Vasco) e temperamento difícil. A última que fiquei sabendo ratifica isso. Ele quis marcar esse ano um jogo comemorativo de 10 anos do título brasileiro que ganhou no Santos. Por ter sido ignorado por Robinho e Diego, os craques daquele time, explanou geral e mandou para pqp.

Um fato curioso foi manutenção do nome Preto, quando chegou do Paraná para dormir embaixo das arquibancadas de São Januário. Sim, tem um dedo do manda chuvas atual do C.R.V.G, como contou o jogador:  “Cheguei ao Vasco e o Eurico me perguntou: ‘Qual é o seu nome?’ Eu falei ‘Carlos Eduardo’, e o Eurico respondeu que esse nome era de cantor de sertanejo”, diz. Como o mandatário também rejeitou ‘Casagrande’, ele perguntou por um apelido. Ouviu ‘Preto’ e disse ao jovem garoto: “deixa isso aí mesmo”.

Parafraseando o Doutor, talvez a história de Preto era para ser essa mesmo. Ele não era um craque como Dener. Nem tinha a disciplina do Juninho ou a saúde de um Guinazu. Mas foi, no dia 23.10.1994, nosso herói por um dia.

Anúncios

Concorda, discorda, gostou? Opine você também.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s