Ainda é cedo?

marcinho_barraNa falta de notícias animadoras a tratar do time, vou contar aos parcos leitores que tiverem algum interesse o que eu achei do jogo contra o Barra Mansa.

Igual a todos os outros jogos que vi. Um time que parece atender à determinação do técnico de valorizar a posse de bola. Mas que não demonstra criatividade suficiente para fazer algo efetivo com ela. O resultado é uma equipe com mais posse de bolas (60% x 40% no último jogo), mas nem por isso mais ofensivo (4 finalizações para cada lado). Foi assim contra a Cabofriense, o Madureira, o Tigres, o Macaé. E não parece que vai mudar muito.

A chegada de Thales, que era uma esperança ao desajustado Rafael Silva não surtiu o efeito desejado. Continuamos com um jogador na área que não recebe bolas lá dentro e acaba se afastando do gol pra buscar jogo. Dos cinco jogadores que mais erraram cruzamentos neste ano, lideram os laterais titulares (Cristiano e Madson), com o re-contratado Nei na quinta posição, apesar do pouco tempo em campo na temporada. Completam a lista Marcinho e Bernardo. Com tanta gente errando o pé na hora de enviar a bola ao ataque fica difícil crucificar qualquer camisa 9, não?

Um dado emblemático é verificar que, neste ano, quem mais acertou lançamentos foi Martin Silva, com larga vantagem sobre aqueles dos quais esperaríamos as enfiadas de bola mais ousadas, como Montoya. Ou seja, nosso goleiro é melhor batendo tiro de meta que nossos meias entregando a redonda aos atacantes.

Especificamente contra o fraquíssimo e depauperado Barra Mansa ainda vi um erro infantil de Doriva. Na busca por tornar o time mais ofensivo, ele optou por tirar o segundo volante Serginho e deixar somente Guiñazu, veterano e voltando de contusão, à frente da zaga. Nas condições normais de temperatura e pressão, poderia ser óbvio fazer isso. No jogo em questão, não. Martin já havia feito defesas difíceis e o adversário estava longe de adotar a posição de pobre-coitado-se-defendendo-só-afastando-bola-da-área. Quis o destino que o gol surgisse logo numa falha do argentino, pegando nosso goleiro adiantado. Julio dos Santos acabou fora de posição e coube ao defenestrado Rafael Silva nos salvar mais uma vez de um vexame ainda maior. Não sem que Martin fizesse uma defesa pra espantar a derrota.

Por fim, um gol nosso mal anulado (não diziam que quando Eurico voltasse isso não iria mais acontecer?) impediu uma virada nem tão merecida assim. É para reclamar? Claro. Mas aí, na entrevista, Doriva foi brilhante. Não dá pra chorar um erro de arbitragem no último minuto. Sinal de quem não fez por merecer na partida.

Como não vimos fazendo há tempos. Muitos virão argumentar sobre o tempo pro time, que é início de temporada e tal. Balela. Os times desse campeonato são fracos. No geral, até agora, no confronto com os pequenos, são 15 vitórias dos times grandes, com uma única derrota (do Flu para o Volta Redonda) e quatro empates, dois quais dois são nossos. Ou seja, já somos o grande que mais perdeu pontos para os menores.

Respeito quem acha que ainda é cedo para medo. Mas aprendi com meu avô, que me fez vascaíno, a sempre pegar o guarda-chuva quando as nuvens aparecem no céu. Quem espera a água cair ou se molha ou paga mais caro, dizia ele. E a letargia vascaína ante as tempestades nebulosas dos últimos anos tem trazido contas bem altas.

Olha a água
Quando em abril do ano passado, o ex-presidente Dinamite mostrou-se indignado com o erro da arbitragem que nos tungou a taça do carioquinha, vi muito torcedor reforçando o xingamento de “banana” porque o dirigente somente ficou nas palavras sem ações mais efetivas.

Agora, diante da falha grotesca em pleno São Januário, o atual mandatário também não foi além das declarações mais indignadas sobre o fato.

Quero mais que Roberto seja esquecido como o péssimo presidente que foi e seja apenas mais um nas fotos da época em que era craque no campo. E prefiro esse Eurico senil, mais moderado, sem aquelas cenas patéticas de entrada em campo. Mas que foi uma ducha de água fria na galera que bradava aos quatro ventos que quando o charuto acendesse na Colina isso nunca mais ia acontecer, ah foi.

Ditado freudiano
Fora do G-4 do Ingressão-2015, não sei até quando argumentarão que “ainda é cedo”. Mas reitero minha opinião eterna sobre o campeonato carioca das últimas três décadas: ganhar não significa nada. Perder significa muito.

Freud Irônico é o alter-ego virtual do publicitário Raphael Santos.

Siga-me em @freud_ironico

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2 pensamentos sobre “Ainda é cedo?

  1. Não ficarei surpreso se ano que vem estamos na série b novamente.
    Pessimismo?
    Bem, analisando os últimos anos e comparando— os, acredito que não.

  2. Olá FREUD;
    Você usou 53 linhas para analisar nosso querido Vascão no jogo de ontem, eu porem tambem tenho minha analise, um pouco mais reduzida que a sua, que está em caixa alta aí logo abaixo

    – TIME MEDONHO

    Bem usei menos linhas que você, já começaram minhas preocupações com o Brasileirão, que se não houver uma mudança profunda em tudo, inevitavelmente cairá, teria ainda muitas coisas a dizer, mas me calarei por aqui.

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