Burro que torce

orelhas-de-burro1Eu não sou especialista em táticas de futebol. Nunca estudei sobre formação de time, posicionamento de jogadores, esquemas de jogo ou que tais.

Eu não sou jornalista formado com pós-graduação em futebol. Não tenho mestrado na área esportiva. Não estudei educação física, nunca fui à Footecon, jamais assisti palestra de treinadores e nem fui convidado para ser comentarista de futebol em grandes empresas de comunicação. 

Eu sou só um torcedor. Tivemos um treinador que se disse um “burro-com-sorte”. Então, que seja eu o “burro-que-torce”. Por isso, a minha análise é extremamente limitada sob o ponto de vista técnico, é recheada de paixão e fervor e é levemente temperada com o máximo equilíbrio que minha ascendência lusitana de Trás-os-Montes e Alto D’ouro me permite.

Por isso, quando vou avaliar uma partida, eu penso: pelo que vi, o Vasco pareceu em algum momento que iria ganhar? Atuou de forma soberana, à altura de sua camisa e mereceu a vitória?

Noves fora o jogo-treino diante do Volta Redonda que não pude ver, a resposta para as perguntas acima nos jogos que pude conferir, via televisão, é não. Obviamente que houvesse o Vasco ganhado de 1×0 do Flamengo ou de 2×1 do São Paulo não haveria, em nenhum dos casos, qualquer injustiça colossal. Seriam resultados aceitáveis, visto que o nível de futebol praticado foi bem abaixo do mínimo para agradar um amante do esporte. Isso não invalida, porém, as delimitações que nosso escrete possui. E que, a mim, ficaram bem claras.

Foram poucas chances de gol criadas ao lado de uma escassez de jogadas bem trabalhadas. Na minha visão defeituosa, essas jogadas são aquelas com passes raciocinados, inversão de lados, enfiadas de bola que surpreendem os adversários. Senti também, dentro de meus conceitos carentes de diplomação, a ausência de uma referência em campo. Aquele jogador com algum quilate superior à média, cujos companheiros buscam com o olhar nos momentos mais inférteis do jogo, nas horas de desespero. A bola parece passar de pé em pé com certa pressa de ser dispensada, como se cada atleta fizesse questão de negar esse posto. Marcinho, que ganhou uma apresentação com status de reforço de peso, quando jogou, não mostrou-se à vontade para assumir esse fardo. O tempo dirá se ele tem condições. Eu, de antemão, duvido.

Com isso, fiquei com a sensação de que a tão positiva surpresa com o desempenho do time, que contagiou os vascaínos e, inclusive à nossa gerência de futebol, deu-se mais pelo baixo nível dos rivais do que propriamente por méritos cruzmaltinos. Tive a sensação de que ninguém jogou com tanto afinco, raça e vontade como a gente. Acima até do que seria o normal para um torneio de pré-temporada. O que ajudou a equilibrar a partida. Mas com a perspectiva de que chegamos muito mais perto do máximo que podemos apresentar ao longo do ano. Enquanto eles ainda podem evoluir mais. E que, mesmo sem tanta disposição quanto nós, nos venceram sem sustos. O que muito me preocupa.

Mas isso, claro, é visão de quem não entende muito. Como disse ao abrir o texto, não sei nada de futebol

Quem é doutor no assunto deve saber o que está fazendo.

Né?

Assustado
Li muitas críticas positivas ao nosso sistema defensivo. Talvez pelo meu desconhecimento, não consiga ainda embarcar em tanta confiança. Levamos um gol por uma falha individual bisonha. Em outro, houve uma linha de passe entre a intermediária e a pequena área de Martin. E, por fim, um terceiro em jogada de bola parada lateral de um jeito que levamos muito no ano passado.

Por mais que Luis Fabiano estivesse impedido participando da jogada, sempre me parece que nessas faltas a defesa prefere forçar o impedimento adversário a montar um posicionamento mais bem postado. Invariavelmente, a bola entra. E vez por outra o bandeira não marca. Até porque, como há tempos, a arbitragem não tem sido muito leal ao Vasco. Segue em falta o respeito que foi prometido.

Ofensividade
Como era de se esperar, Doriva mostra que segue à risca as ordens presidenciais. Talvez por isso, na ânsia por atender aos pedidos por um time mais ofensivo, o treinador tenha testado o lateral Madson como atacante durante o treino da última quarta-feira. Só isso explicaria tamanha inventividade. Ou então, ele já começa a aceitar que as opções de atacante que possui são sofríveis.

FERJ Irônica
É uma no cravo e outra na ferradura. Assim é o comando do nosso futebol. Não por acaso, aqueles que posam de pró-torcedores brigando com Flamengo e Fluminense pelo preço de ingressos, mudam o horário do jogo do Vasco em plena quinta-feira para tarde da noite. E tem gente que, de verdade, acredita que nessa discussão eles pensam na gente, torcedores. Eu queria desfrutar dessa ingenuidade.

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Um pensamento sobre “Burro que torce

  1. Belo texto!
    Talvez essa confiança excessiva se explique pelo grau de importância que alguns dão ao Eurico (que não compartilho), pela melancolia dos últimos 15 anos (quebrada por momentos atípicos em relação a esses períodos, como o Carioca de 2003 e o incomum ano de 2011), digo isso tendo como referência as duas péssimas gestões e não a história gloriosa do Gigante (que certamente esses momentos de “destaque” passariam desapercebidos). No mais, concordo plenamente com tudo o que foi dito, o time surpreendeu nesse torneio, mas surpreendeu no máximo, era isso que a equipe poderia oferecer e ofereceu, não tem mais, chegou no limite.
    Porém o que mais me assusta é o que está por vir; ao ler uma entrevista do novo “mandatário” (eu acho); rompeu com todas as minhas expectativas de uma gestão diferentes das anteriores; prezar pelo amadorismo com um futebol cada vez mais competitivo é quebrar todos os anseios de um torcedor, é destruir todos os sonhos que tinha de ter o meu Vasco de volta.
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    Convenhamos que aceitar disputar um torneio com jogos num intervalo de dois dias, levar um não do Rafael Moura, … não é bem o sinônimo de respeito.
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    Coitado do Doriva, é o menos culpado e o que pode fazer mais pelo Vasco, capacidade tem, vamos ver se terá tempo e condições de realizar um bom trabalho.
    ————————————————————————–
    Qual é a graça de disputar ou ganhar um campeonato nesses moldes? Para mim, não valerá nem comemoração.

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