Herói por um dia: Henrique

Nessa época de pré-temporada, especulações de jogadores e torcida por dias melhores com a Copinha São Paulo, o noticiário esportivo sempre fica meio repetitivo. Aproveitando o fato, irei inaugurar na coluna a seção “Herói por um dia” e conto com o auxilio dos leitores e colegas para indicarem jogadores que não fizeram quase nada pelo Vasco mas em um dia, ao menos, foram heróis de nossa torcida e entraram para história.

Decidi, de propósito, iniciar com um evento da era Eurico presidente. O herói do dia nos salvou da degola no longínquo ano de 2004, em 12 de dezembro. O nome da fera é Henrique.

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O Vasco, no retrospecto de 2003, não foi tão mal. Campeão Carioca, após a derrota em três finais seguidas (1999-2001), a equipe de São Januário deu um alivio à sua torcida que sofria com chacotas.

A desclassificação nas quartas de finais da Copa do Brasil para o Cruzeiro não foi vergonhosa, como acabou sendo a de 2004. O time mineiro sagrou-se campeão naquele ano da tríplice coroa, batendo todos os outros clubes nacionais.

Já o campeonato brasileiro de 2003, não foi muito diferente dos outros na era Eurico presidente. Terminamos o certame em 17º lugar. Na época só eram rebaixados duas equipes o que “mascarava” o mal desempenho de alguns grandes.

Henrique, o herói em 12 de dezembro, já fazia parte do elenco. Em 2003, o jogador que havia retornado ao Vasco, após uma passagem de dois anos no Litex da Bulgária. Seu período de 1996 a 2001 em São Januário não fora o dos mais brilhantes. Apesar da era de grandes títulos e conquistas, o carioca Leonardo Henrique Peixoto dos Santos pouco entrou em campo. Convenhamos a disputa não era fácil como Mauro Galvão e Odvan.

O ano de 2004 começou e os pesadelos voltaram. Nova derrota para o Flamengo na final do Carioca e deu-se inicio a um tabu que dura até hoje. O Vasco não ganha um estadual há 12 anos. Geninho, nosso técnico desde 2003 foi demitido após a vergonhosa derrota em São Januário para o XV de Novembro por 3 x0. Henrique jogou essa partida.

O Vasco seguia a sua rotina habitual fora dos campos. Salários atrasados e muitas mudanças no corpo técnico. Eurico chamou Papai Joel para ajudar a tirar o time da degola.

Nosso rival naquela tarde era o super-poderoso Atlético-PR, time que não nos trazem boas lembranças, seja por goleadas de 7, seja pelo recente rebaixamento de 2013. O time do paraná era o líder do campeonato e faltando duas rodadas para acabar o brasileiro, o Furacão de Dennis Marques e Washginton pré-coração de leão, com 85 pontos, dois a mais do que o Santos, precisava da vitória. Já o Vasco, com a derrota, estaria na zona de rebaixamento e pegaria justamente o Santos na última rodada.

Me recordo bem do dia 12 de dezembro porque foi uma das poucas vezes que a torcida do Vasco se uniu realmente para tirar o time do bagaço. Com um sol escaldante e estádio lotado, a equipe vascaína era muito modesta, caro leitor. Sofra comigo, por favor – Everton; Henrique, Fabiano (2º tempo Gomes) e Daniel; Thiago Maciel, Ygor, Coutinho, Júnior ( 2º tempo Marco Brito), Petkovic e Daniel; Anderson.

Nesse time limitado, o craque que nos garantiu pontos preciosos no torneio foi Petkovic. Eurico, com sua cegueira emocional em relação ao time da gávea, contratou Pet para ser o camisa 10. E o gringo teve participação essencial para consagração do herói Henrique.

Sendo totalmente pressionado pelo Atlético e sem saída de bola, o Vasco tinha o contra-ataque como arma – imagina como era com Anderson Múmia no ataque – e cozinhou o time do Paraná o jogo todo.

Realmente todo o time, especialmente o setor defensivo, foi bastante exigido naquela tarde. A dupla ofensiva era considerada uma das melhores do Brasil e perdeu oportunidades incríveis na pequena área vascaína.

Aí, um milagre ocorreu. Thiago Maciel arrancou pela direita e foi derrubado por Ivan no bico da grande área. Petkovic cobrou falta na segunda trave e Henrique subiu sozinho para marcar, cabeceando no alto, sem chances para Diego. O herói corria sem saber para onde e eu também na arquibancada de São Januário. A sensação de alivio só veio com o apito final…de estarmos livres do tão temido rebaixamento.

Em entrevistas nos anos seguintes, o herói vascaíno revelou sua sensação na hora: ““Petkovic cobrou a falta na área e subi com autoridade. Foi um tiro de cabeça e o gol mais importante da minha carreira. Vi quase 40 mil vascaínos chorando. E, como torcedor do Vasco, não tem como explicar o que senti naquele momento. Tirar o título deles ainda teve um gostinho especial”.

Realmente, a torcida do Atlético-PR parecia aos nossos olhos estar cantando de galo na semana. Varias matérias em jornais davam como sacramentada a vitória do time paranaense em São Januário, justamente pela diferença técnica e na pontuação do brasileirão dos times.

A torcida paranaense foi parada pela polícia na Av. Brasil e só conseguiu chegar para o segundo tempo. Me recordo das provocações sobre o nosso rebaixamento. Que, infelizmente, veio anos depois. E uma segunda vez na mão deles.

Mas a coluna é para falar de coisas boas. Henrique diz que até hoje é parado na rua, justamente por aquele gol salvador. Depois jogou no Atlético-MG, Fluminense, Penarol e Goiás, aonde mora atualmente.

Outro momento importante, naquele dia 12 de dezembro, foi a entrada, pós-jogo, de Eurico em campo. Vaiado por parte da torcida e aclamado por uma grande maioria, o presidente subiu em uma mesa (sim, amigos) e puxou o grito de Casaca. Aquela comemoração soava estranha. Ganhamos do líder, ok. E fugimos do rebaixamento. Era algo muito agridoce para ser comemorado como um título.

Henrique, na rodada seguinte, como todo o time jogaram nada. Parecia até uma bravata do Dr. Eurico para sacanear o Atlético rubro negro. Andando em campo se menor vontade, perdemos para um Santos que foi campeão brasileiro. Um Santos de Robinho, Elano, Ricardinho e Preto Casagrande (sim, um futuro “herói” dessa coluna).

Naquele dia, Henrique foi herói. Nos livrou de um rebaixamento e demonstrou uma garra, como todo o time vascaíno, ao enfrentar um time infinitamente melhor.

Espero sugestões nos comentários de novos “heróis” para essa seção, que espero fazer mais vezes aqui no Vasco Expresso, além das lembranças dos amigos de 12 de dezembro de 2004!

henrique

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2 pensamentos sobre “Herói por um dia: Henrique

  1. Eu estava nas sociais nesse jogo, e com um amigo mulambo infiltrado (nunca tinha ido à Colina e resolveu ir esse dia).

    Mas vale o comentário: no fim das contas, mesmo que não tivéssemos vencido o Furacão, não teríamos caído.

  2. Júlio, bela coluna. Realmente, tempos assombrosos como os tempos atuais.
    Difícil também lembrar dos jogadores que atuaram naqueles tempos, afinal, são pra ser esquecidos para todo sempre.

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