Parem de mentir e trabalhem

Eu não tenho dúvidas de que a situação que a gestão atual do Vasco encontrou o clube seja calamitosa. Vou abstrair o fato de que essa mesma diretoria deixou-a em situação igual (ou pior, vai saber) quando deixou a liderança, em meados de 2008. Esquecendo-se culpas, heróis e vilões, fato é que não haveria milagreiro possível capaz de fazer diferente do que vem sendo feito.

Um técnico barato, obtido após a negativas de outros que eram preferidos. Jogadores de relativo destaque já com certa idade. Atletas novos sem passagens expressivas por clubes grandes, com alguma relevância em escudos de menor tamanho. A busca por parcerias que permitam salários em dia. A receita não é nova e é, no cenário, a única possível de ser seguida. Não é opção, não é escolha. É isso ou fechar as portas. Eles sabem. Eu sei. Nós sabemos.

Essa é a trajetória para tentar resgatar a grandeza do clube que as últimas diretorias (essa inclusive) jogaram na lama. Tentar porque nada garante que será possível, com o modelo atual de futebol, com a crise econômica que se avizinha, com a entressafra de revelações do esporte nacional. E, registre-se, com o retorno das pessoas que foram decisivas para vivermos isso que vivemos agora. De todo modo, é por aí, com trabalho, tempo e paciência, que tentaremos resgatar o respeito à caravela, a conquista de títulos e o protagonismo na esfera esportiva.

A minha implicância, todavia, chega exatamente pela subversão que as velhas figuras tentam conferir a todas as ações tomadas até agora. Ora, pela lógica, é preciso antes fazer tudo isso para depois confirmar e, aí sim, vangloriar-se de que o “o respeito voltou”. Só que Miranda e seus asseclas optam por fazer justamente o oposto. E, com isso, atuam na carência do torcedor para construir uma imagem que ainda carece de lastro para se mostrar verdadeira. Regozijam-se de que agora “tudo mudou”, de que o “passado glorioso” está de volta e de que, desde que as eleições encerraram-se, o mar de rosas deságua abundante no leito cruzmaltino.

Não é verdade. Fomos dispensados por treinadores de categoria discutível antes do acerto com Doriva. As negociações com jogadores mostram-se bastante difíceis. Há dúvidas sobre questões éticas que não foram devidamente esclarecidas, como é o caso da Brasport (didaticamente explicado aqui, no Blog da Fuzarca). E nosso basquete foi impedido de jogar uma competição de acesso à liga mais importante por questões que, tudo indica, são meramente pessoais.

Ou seja, aleguem trabalho, dificuldade, resgatem a herança maldita, mas parem com a mentira perniciosa de que o respeito voltou. Há um caminho longo pela frente. E não importa quantas vezes será dito que essa estrada é pequena. Ela é grande. E quanto menos palavras, e mais ações, mais perto chegaremos do que fomos. Sem ficar assinando recibo do que somos hoje.

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3 pensamentos sobre “Parem de mentir e trabalhem

  1. Você só pode estar de brincadeira ao afirmar que o Eurico deixou em 2008 o clube igual ou pior do que encontrou agora. Ou é desinformação ou euricofobia extrema – o mais provável, a julgar pelo que andei lendo aqui. Estávamos longe de navegar em mares tranquilos, mas mesmo com todos os desmandos Eurico deixou o clube com salários em dia, em oitavo lugar na Série A, com as certidões negativas, vários talentos na base, patrimônio em bom estado, 10 milhões referentes a venda do Coutinho etc. Já o Roberto entregou um clube totalmente sucateado, com receitas antecipadas até 2016, quase 3 meses de salários atrasados, patrimônio abandonado, além dos rebaixamentos em campo e nas cotas de TV. Tentar igualar ambas as gestões parece uma estratégia para amenizar o desastre que foi a administração do pior presidente de todos os tempos e ex-ídolo.

    • Leandro,

      se você julga minha análise como “euricofobia” eu não posso deixar de ver a sua como “euricofilia”, uma espécie de vício na imagem do Presidente. Eu não tenho dúvidas de que o “oitavo lugar na série A” que você afirma (como se ser oitavo fosse algo a ser registrado) era absolutamente conjuntural e que em 2008 só não cairíamos à segunda divisão com Eurico se este usasse seus métodos nefastos, os quais eu abro mão. Antes o Vasco na segunda divisão, na terceira que seja, a um Vasco que mantenha-se ou conquiste algo como o Carioca de 98 ou à vergonhosa volta olímpica com a caravela, frutos de situações desonestas, afrontantes ao caráter ético e digno que sempre pautou a história do Vasco. O fato da catastrófica gestão do Dinamite ter sido do nível que foi não ameniza, em nada, a catastrófica gestão que Eurico teve entre 2000 e 2008. A mim, são administrações absurdamente ruins e que deveriam jamais voltarem a ser cogitadas para gerir o clube.

  2. Dizem que uma mentira contada muitas vezes torna se verdade ,pode ser nessa máxima no qual baseiam que o RESPEITO voltou . Se tal não havia , ainda continua a mesma coisa .

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