Os dois lados da Copinha

O Vasco estreou bem na Copa São Paulo de Juniores, vencendo o Araxá-MG por 2 a 0, com gols de Renato Kayser e Daniel, a dupla de ataque do time.

Para um primeiro jogo, foi uma atuação de boa a razoável. Tirando um começo de partida um pouco confuso do sistema defensivo, a molecada da Colina até que controlou bem o jogo, correndo poucos riscos e criando um bom número de chances, algumas impedidas pela atuação semimilagrosa do goleiro adversário. Comecei a destacar quais dos garotos mais haviam chamado minha atenção, mas quando a lista passou de seis nomes, achei melhor dar parabéns pra equipe toda.

É bom vermos nossa molecadinha se saindo bem nos campos, mas ainda é preciso ver como eles se sairão contra equipes mais qualificadas e também mais maduras: a Copinha permite que garotos nascidos até 95 participem, mas, como já hábito do Vasco há algumas edições, levamos uma equipe mais nova, com alguns jogadores recém-saídos do juvenil.  O Evander, por exemplo, só completará 17 anos em junho.

Se por um lado é bom para os garotos ir pegando experiência em competições como essa, pelo outro é preciso prestar atenção em uma questão importante. A Copinha já é famosa por ser um “celeiro de craques” e a presença de empresários e olheiros é uma certeza. Se o campeonato poderia servir para indicar quais valores já estariam prontos para ajudar o time profissional (o que é imprescindível no momento pelo qual o Vasco atravessa), com garotos tão jovens atuando, dificilmente algum que se destaque terá oportunidade no time principal, já que ir bem numa disputa para jogadores de base não é garantia de um bom rendimento no meio dos marmanjos. Um garoto de 16 anos pode arrebentar no meio de outros garotos um pouco mais velhos, mas certamente seria engolido por profissionais já completamente formados. Sendo assim, boas atuações do nosso time podem acabar sendo mais interessantes para os investidores que para o Doriva.

Essa questão só existe por ser mais um reflexo da crise financeira do Vasco. Sem dinheiro nos cofres, é complicado não ver com bons olhos possíveis propostas pelos garotos. Dependendo do potencial do jogador, um empresário pode ser bastante “generoso” ou oferecer um daqueles contratos que permitem que o atleta permaneça no Vasco até completar 18 anos, o que renderia uma grana ao clube e não queimaria o filme da diretoria de imediato com a torcida. E aí veríamos mais um talento sair do clube sem que o Vasco pudesse aproveitá-lo em sua plenitude.

Muitos gostam de frisar que, nas competições de base, o importante não são títulos, mas sim revelar valores entre os jovens. Mas não podemos deixar que os nossos valores sejam revelados para outros clubes que não o Vasco.

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2 pensamentos sobre “Os dois lados da Copinha

  1. Parabéns JC pelo post claro e direto!
    Espero que os garotos não sejam queimados. Com certeza alguns deveriam ser aproveitados depois da Copa São Paulo, para treinar junto aos profissionais e quem sabe até atuar numa partida do poderoso campeonato carioca, assim a garotada aprenderá que a vida nos profissionais é mais dura.
    Contudo é inegável que muitos garotos do sub-20 do Vasco possuem mais técnica do que vários contratados com 10 anos de experiência. Por isso que existe essa expectativa sobre os garotos da colina, afinal quem não vai querer ver Renato Kayser e companhia atuando pelos profissionais? Só teremos que ter mais calma para não queimar esses garotos, pois vários deles tem um futuro bom no futebol.

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