À Doriva

8tvok6onpdjmiz5812tep5cm2Em 2013, estivemos a Dorival. Esse ano, à deriva. E começaremos o próximo à moda Doriva. O que ela significa, eu sinceramente não sei. Há um título de campeonato estadual relevante por uma equipe pequena. O que é bom. Há uma passagem curta e ruim por um time de série A. O que é ruim. O resto é esperança, artigo tão raro pelas bandas de São Januário.

Seguimos a cartilha óbvia de um treinador-aposta. Seja pela nossa questão financeira, seja porque nosso mandatário não quer ninguém mandando mais que ele no time. Quando Doriva falou, em sua coletiva de apresentação, “seu Eurico” ganhou o coração de Don Miranda. Seria apropriado se o novo comandante salientasse, perante o Presidente, a necessidade premente de jogadores de nível mínimo para atender a solicitação da liderança de criar um time que priorize o ataque. Mas isso exigiria uma personalidade que não está no perfil do que pretende nossa gestão. O sorriso amarelo foi mais adequado.

Nunca fui torcedor de ficar feliz com treinador. Nelsinho Rosa (89-92), Antonio Lopes (97-98) e Oswaldo de Oliveira/Joel (2000) tocaram times memoráveis sem que eu ache qualquer deles um profissional acima da média. Por isso, recebi Doriva com a descrença que receberia Guardiola, fosse o caso. Preocupa-me, isso sim, quem vestirá nossa camisa 2, 3, 6, 8, 11, 7, 9 e, principalmente, a 10. Esses me movem a ir a estádios em apresentações, a buscar autógrafos nos treinos, a garantir ingressos com antecedência. E isso, ainda não chegou.

Nossa torcida anda carente de boas notícias. 15 anos de gestões fracassadas (parte deles liderada por essa mesma diretoria que retorna) fizeram com que o sinônimo de felicidade fosse um técnico preferir-nos ao botafogo genérico de São Paulo. É compreensível. Mas é pouco.

Reconheça-se os acertos que a diretoria fez em seu pouco tempo de atuação. Conseguiu empréstimos, deve receber as badaladas certidões e pode dar um respiro financeiro ao clube, ao menos aparente (já que as contas verdadeiras do Vasco, amigo, essas ninguém sabe ao certo há décadas). Só que para dizer que o respeito voltou, para mim, é preciso mais. Demanda um time que entre em campo impondo temor a adversário menores. Um elenco que vença suas decisões até mesmo quando a arbitragem não vê os gols mais visíveis. Uma equipe que pense grande e que permita sonhos megalômanos à torcida.

Sim, camarada. Isso leva tempo, eu sei. Não será do dia para a noite, blablablablablá… Só que essa diretoria não chega pura, não traz consigo o benefício da dúvida. Dada sua atuação no período 2000-2008, não lhe bastam ações iniciais corretas, que até o mais despreparado faria. À mulher de César não se exige apenas ser honesta, é preciso parecer honesta. Demonstrar-se honesta.

Minha condescendência foi cruelmente destruída por longos e odiosos oito anos por esse Presidente. Restou uma análise tão nauseante e incômoda quanto óleo de fígado de bacalhau. Neste pouco tempo da nova gestão antiga, fizemos o mínimo que se esperava. Não está claro se a Diretoria deu o primeiro passo ou se fez o óbvio, o único possível. Fato é que, se seguimos a cartilha correta, ainda há muito por fazer.

De certeza hoje, só nos resta a dúvida. Pode até ser melhor do que o passado recente. Mas se for para comparar com o pretérito, amigos, eu vou me permitir olhar para a glória. Até porque é lá que está o respeito. E fazê-lo voltar é compromisso dessa direção.

Campeão na terra das coisas maximizadas, Doriva não há de estranhar a cobrança gigante que sofrerá. Seja bem-vindo e mãos à obra. O caminho de volta ao respeito é longo e, tudo indica, teremos que fazê-lo a pé.

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