O que parece ser

banco-de-reserva-do-vascoDe certa feita, uma empresa cliente da agência da qual sou sócio teve mudança na alta liderança. O novo presidente, um jovem talento, daqueles de sucesso meteórico na carreira, estava à frente de uma diretoria sênior, com bastante tempo de casa. Em menos de um ano, toda a diretoria mudou. Convites de outras empresas, aposentadorisa e demissões, dentre outras razões, fizeram com que o corpo diretor passasse a ser formado por funcionários egressos da própria organização, todos ex-estagiários que chegavam ao board corporativo. Em meio às celebrações por uma marca que investia na “prata-de-casa”, uma velha raposa observou: Presidente malandro esse. Colocou diretores mais jovens e inexperientes que ele. Quem vai ter coragem de peitá-lo agora?

Recordei-me do fato ao ser informado da nova postura do nosso novo presidente antigo. Sua inédita maneira de apostar em revelações do mercado de treinadores (Marquinhos Santos, Eduardo Batista, Ricardo Drubscky e Claudinei Oliveira foram ventilados) pode não ser mais do que uma adaptação ao novos tempos de sua velha estratégia de ter comandados que se submetam a seus caprichos e sua peculiar maneira de dirigir o clube. Que, historicamente, respinga com influência pesada sobre time e comissão técnica.

É claro que essa análise vem carregada de uma má vontade sem tamanho que este autor tem para com a atual diretoria e, fundamentalmente, com a figura de seu líder, Eurico. E se você acha que essa implicância é imerecida, caro leitor, de verdade, este espaço não será capaz de te oferecer textos agradáveis. De todo o modo, noves fora minha antipatia ao nosso mandatário, vista sob o prisma da isenção e da lucidez, a tese não é, de toda, descartável. Vejamos.

Nosso orçamento é bastante restrito, ainda mais com a penhora para pagar a – pasmen!contratação do goleiro Diogo Silva junto ao Nova Igauçu. O mercado de treinadores está com salários muito acima do que permite a situação das agremiações nacionais. O elenco, tudo indica, não será atraente a profissionais acostumados a levantar taças. Realidades que, aliadas ao fato de que Eurico nunca gostou de treinadores com personalidade forte e que exijam controle total sobre o time, embalam perfeitamente um nome novo como a saída perfeita para o momento do Vasco.

Ah, Freud, tá bom. Você faria diferente então, né? Calma, amigo leitor que chegou até aqui. À exceção do gosto do Doutor por cordeirinhos-obedientes, eu concordo com as demais condições de nossa conjuntura atual. É claro que um nome promissor atende bem ao que temos agora. E não fosse a infelicidade pessoal de Marquinhos Santos, eu teria ficado bem satisfeito com seu nome. O ponto é que, para mim, a política adotada na escolha do treinador não demonstra, por si só, uma nova postura de Eurico. Para eu acreditar nisso, amigos, é preciso muito mais. É preciso entender que tipo de renovação com a base será organizada por seu filho (onde foram parar as indignações com o “nepotismo” da gestão anterior, gente?!), como serão os contratos com atletas de empresários (em especial com Carlos Leite, que outrora nos trouxe bons jogadores para nos deixar a ver navios quando eles valorizaram) e qual é o planejamento concreto para o médio e longo prazo. Sem, obviamente, as bravatas de “eu não preciso de projetos” ou “o respeito vai voltar” sem explicar exatamente como. E isso, só o tempo vai dizer. Porque de tudo o que nos chegou até agora (Angioni, Zé do Táxi, Álvaro Miranda) não vi mudança nenhuma. Vi mais do mesmo e com o indefectível selo Miranda de (pior) qualidade.

Aguardo acidamente aos próximos capítulos.

Ironia
Como todo castigo para nós ainda é pouco, é grande o risco de sairmos dessa empreitada capitaneados por Gilson Kleina. Que a meu ver não é nem novo. Nem é bom.

Saia justa
A corte tenta explicar, atabalhoadamente, que a retirada do nome de Chico Anysio da Sala Multimídia nada tem a ver com o fato de seu filho, Bruno Mazzeo, ser contumaz crítico de Eurico e eleitor manifesto da candidatura Brant.

A explicação até ganharia razoabilidade se o processo fosse feito ao inverso. Dava-se o nome do humorista a um novo espaço e devolvia-se o ~pomposo e solene~ nome de “Sala de Beneméritos” ao local em questão. Do jeito que foi conduzida, entretanto, a situação virou batom na cueca. A gente até pode se esforçar pra acreditar que não era bem isso. Mas no fundo, a gente sabe o que rolou.

Justiça seja feita
Lidas todas as declarações acerca da situação de Marquinhos Santos, sou da opinião de não houve falha da diretoria em sua apresentação. Por tudo o que apurei do assunto, com fontes locais de Curitiba inclusive, parece que o treinador é sério e respeitável e que a mudança deu-se por situação grave mesmo.

Pode ser que tenha havido alguma precipitação por parte dele em aceitar ou que a situação tenha o pego repentinamente de surpresa. Não nos cabe entender ou julgar isso. Mas diferentemente do que se cogitou inicialmente, não teve a ver com a situação atual do Vasco. E parece que ele havia sim encarado o desafio à maneira que a grandiosidade do clube exige.

Coisas da vida. Sorte a Marquinhos e saúde a sua família. Segue o jogo. E que digam logo quem chega para o seu lugar.

Converse comigo no twitter: @freud_ironico

Freud™Irônico é o álter-ego virtual do publicitário Raphael Santos.

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