O ano que não deveria existir

4mzkszhlyx6hsfgldhbfjczab

Amanhã o Vasco, enfim, dá um ponto final neste maldito ano de 2014. Já classificado para a série A, sem chance de título e sem risco de ser vice (de novo), enfrentaremos um Avaí na briga pela última vaga do acesso. Será um jogo de uma equipe que nada aspira contra outra que joga todas as suas fichas. A pulga atrás da orelha, no entanto, levanta a questão: nós, de fato, não aspiramos nada mesmo?

Se até agosto deste ano o Avaí era somente um inofensivo clube catarinense, foi no último sábado do mês que ele decidiu inscrever-se na história do futebol de maneira trágica para nós, cruzmaltinos. Com cinco gols em uma partida para ser esquecida, viu sua diminuta torcida sambar na nossa cara em pleno São Januário e relegou a partida ao feito de maior goleada imposta ao Vasco na Colina histórica. Em suma, a maior vergonha do ano e, por conseguinte, uma das maiores de nossa trajetória.

As análises da partida vão desde as opiniões desconfiadas sobre resultados arquitetados (“foi tudo armado para derrubar o treinador”) até os que acreditam que o jogo é jogado e ponto final (“o time é ruim e perdeu por isso”). Na prova dos nove, nunca entenderemos exatamente o que se deu naquela tarde de 30 de agosto do malgrado ano de 2014.

Fato é que não falta (ou não deveria faltar) motivo para o Vasco entrar na Ressacada com faca nos dentes, sangue nos olhos e gana no coração. Se não jogamos por um troféu ou por uma vaga, jogamos pela dignidade manchada por este mesmo elenco. Desprovidos da responsabilidade de um resultado obrigatório, seria o momento ideal para impormos nosso escudo à grandeza que lhe cabe e dizer, em alto e bom som, ao Avaí da distância que nos separa, infinitamente maior do que aquela que compreende as praias cariocas das florianopolitanas.

Num passado não muito distante, após o azul e branco de floripa ousar empatar conosco em nossa casa, não foi preciso muito para que Diego Souza, Alecssandro e Cia. colocassem os devidos pingos nos “i”s, conquistando com a devida autoridade a vaga para a final da Copa do Brasil no campo adversário. Foi atuação daquelas que não deixam dúvidas sobre quem é o time grande  do confronto. No nível da que o Vasco precisaria apresentar amanhã.

Mas, esqueçam. O futuro do pretérito dá a dica. Se diante de 56 mil apaixonados vascaínos, no mais emblemático estádio do planeta bola, diante de um rebaixado Icasa não fomos capazes de atuar à altura de nosso passado, não há nenhuma chance de isso acontecer nesse sábado. Pelo histórico, o empate é o resultado mais provável. E uma melancólica derrota de despedida não é, nem de longe, algo difícil de acontecer.

Se eu estiver errado, por favor, caçoem de mim. Ponham minha arroba nos Trending Topics escarnecendo de meu pessimismo. Caso Douglas, Thales e agregados exibam uma atuação de gala em Santa Catarina, por obséquio, tachem-me de insconciente, gritem “burro” para mim e, querendo ir além, atestem o fato como uma prova inequívoca de que o respeito terá voltado junto com a nova antiga diretoria.

Como assim não será, aceito, se possível, o mínimo de dignidade e rapidez. O quanto antes, passem a régua, fechem a conta e arranquem a página que representa esse ano do calendário de nossa história. Para que, futuramente, eu possa dizer aos meus netos: “2014? Não, esse ano não existiu para o Vasco…”

Ponto irônico
Quem clicou no link acima e viu o gol de Diego Souza, em 2011, contra o Avaí há de ter pensado, como eu, na oportunidade desperdiçada frente ao Corinthians, nas quartas da libertadores do ano seguinte. Por que, nobre Diego, não fizeste em São Paulo o mesmo que conseguistes em Florianópolis? Quanta coisa poderia estar diferente houvéssemos avançado ali, rapaz…

Ponto irônico 2
O futuro vice-presidente de Marketing do Vasco, o grande(?!) benemérito sr. Marco Antônio Amorim Monteiro foi destaque da mídia há quase dois anos por ingressar com ação em juízo proibindo o Vasco de jogar com sua terceira camiza azul, fabricada pela Penalty.

Terceiras camisas, com design diferenciado e, no mais das vezes, bastante diverso de cores e elementos tradicionais dos clubes são uma realidade em todo o mundo. Uma tática comercial importante e que, quando feita com o devido planejamento, pode render significativo reforço aos cofres. Contas do próprio Vasco estimam que esse modelo, específico, rendeu cerca de R$ 1.000.000,00 pra gente. Dinheiro que, na conjuntura atual, não dá pra negar, não é mesmo?

Pois bem, o futuro responsável pela prática, como vê-se, é contrário a esta tendência. Um indicativo bem claro do quanto de “mudança” o novo antigo presidente deve trazer à Colina.

Anúncios

Um pensamento sobre “O ano que não deveria existir

  1. Ainda acho esse time sem alma… pra nao dizer sem outra coisa também. Eu torço e penso como você: melhor forma de mostrar a diferença entre time grande e pequeno é indo lá e eliminando eles dentro da casa deles. Mas, temo por outra vergonha, pois tenho a impressao de que este time carece de garra, sangue… Concordo contigo: 2014 pra mim nunca aconteceu… Que ano terrível…

Concorda, discorda, gostou? Opine você também.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s