Olha pra cá, doutor!

eurico sexo

Enfim, ele voltou. Aclamado pela maioria dos votos, desejado por boa parte da torcida e eleito pelo conselho que ele mesmo presidia. Temos um novo presidente tão antigo quanto a capacidade humana de crer que o que deu certo uma vez dará sempre. 

E com ele volta a fixação pelo flamengo. Desde sempre, o aferro de Eurico ao nosso principal rival estadual é de saltar aos olhos. É fato que,  com boa participação dele, o status do “clássico dos milhões” foi elevado significativamente. E isso, por óbvio, mexeu com o Vasco. Para o bem e para o mal.

Reputa-se a sua autoria a ideia de que o Cruzmaltino sempre deve disputar dois campeonatos. O oficial e um paralelo que consiste em estar sempre à frente do rubronegro. Um fato curioso data do ano de 97. Findo o jogo mágico do 4×1 sobre o time da Gávea recordo-me de um suado Eurico, expressão de zombaria, a dizer aos microfones: “Não precisamos ganhar de mais ninguém.” Dito e feito. Três empates para o título.

Agora, antes mesmo de ser conduzido ao cargo máximo, já mandou recados, fez pilhéria e mexeu com seu alvo principal. Contudo, num louco cenário hipotético em que  Eurico me pedisse um conselho, eu lhe diria, sem hesitação: Esquece o fla um pouco, doutor. Afinal, ao olhar o passado nem os números lhe são favoráveis.

Esquecendo as passagens de menor monta dele pelo Vasco antes de 1980 e tomando este o ano como entrada de Miranda no metiê político vascaíno, nosso clube enfrentou o rubronegro por 123 vezes, até sua saída, em meados de 2008.

Se o cenário é acirrado, com 45 vitórias e 46 derrotas em 123 confrontos*, as decisões são de chorar. Com Eurico nos bastidores, vimos o Vasco vencer duas finais contra eles (82 e 88) e virar “vice de novo” em oito oportunidades (81, 86, 96, 99, 2000, 2001, 2004 e 2006).  Registre-se o ano de 92 em que, após deixarmos a taça nacional escapar justamente para eles, vencemos invicto o carioquinha com o fla na vice-colocação. Mas com a conquista dos dois turnos, nem sequer tivemos uma final, propriamente dita, para galhofar os flamenguistas.

De quebra, o Doutor teve quatro anos (91, 95, 98 e 2003) sem um placar favorável sequer. E só em 2002 soube o que era passar um ano sem derrotas pro rival.

De verdade, não é uma boa para o Charuto rivalizar com tanto cenário contra. Seria mais fácil eleger como oponente o Fluminense, que em 123 confrontos na era Miranda viu o Vasco vitorioso 49 vezes e só nos superou 27. Ou quem sabe o Botafogo, que em 108 disputas, nos deu a alegria 40 vezes e só nos aborreceu 28.

Mas, a gente sabe. Nada mudou, gajos. A mira é preta e vermelha e lá vamos nós nos arriscar a bravatas prévias que só endossam a gozação alheia de depois.

Sou um fã da gaiatice. Curto piada com os rubronegros e acho que, no geral, são sim nossos principais concorrentes. Mas discordo do exagero. Até porque quem me ensinou a ser vascaíno também me falava que a gente só grita pra se afirmar naquilo que não somos. E o Vasco sempre soube ser grande a despeito de Fla, Flu ou de qualquer rival. Temos uma história única, inconfundível e, sobretudo, gigante. Bradar por espaço é passar recibo de inferioridade. E não precisamos mais nos apequenar depois de tantos a nos diminuírem. Ele inclusive.

Quando o novo presidente antigo avisa ao rubronegro, em tom de chiste, que sua hora irá chegar, eu não me animo. Porque a hora que me preocupa é a nossa. A hora que já passou desse vasco voltar a ser Vasco, dessa camisa vestir craques, dessa imensa torcida ser feliz. Muito feliz.

Esqueça o fla, doutor. Há um time grande, enorme, carente de si mesmo. À espera de um líder menos bravateiro, capaz de nos reconduzir ao caminho que sempre foi nosso. O senhor pediu a chance. Está aí. Não desperdice-a olhando para os outros.

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Freud irônico é o alter ego virtual do publicitário vascaíno Raphael Santos. 
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3 pensamentos sobre “Olha pra cá, doutor!

  1. Ótimo texto, mas esperar muito mais que isso aí que o eurico prega é esperar encontrar diamantes em uma geleira!
    Se hoje o Vasco se encontra numa situação ruim, muito se deve ao novo-velho presidente e sua participação entre 2001 a 2008 e tudo que ele poderia ter feito e não o fez.
    Hoje temos um Vasco fragilizado, que perde para lanternas de um campeonato pífio e apresenta uma apresentações horrendas é justamente por conta do que esse senhor começou e que dinamite fez questão de dar prosseguimento!
    O Vasco precisa de reinventar! Como fazer isso quando o que os sócios elegem é justamente alguém que preza por um comportamento retrógrado. Que ainda pensa que o futebol é igual ao da década de 80 e que basta gritar para ser ouvido, mesmo que não tenha razão. Razão que falta para um dirigente conduzir um outrora grande clube aos títulos.

  2. Excelente texto, concordo totalmente.
    Cara, eu tenho uma teoria meio louca que o eurico no fundo nunca foi vascaíno, mas sim flamenguista… sei lá..

    • Diogo, você pode estar mais certo do que pensa. Eu trabalhei com um amigo de infância do Eurico, da Tijuca. Ele jurava (já se foi) que ele era flamenguista roxo. Mas casou com a filha de um conselheiro do Vasco e virou casaca. Mas amor de infância, você sabe como é.

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