O anti-Eurico

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Semana que vem teremos eleições no Vasco. Depois de pouco mais de três anos de uma gestão caótica, o sócio vascaíno poderá ir às urnas decidir  quem presidirá o clube até 2017. A partir de agora o Vasco entra na fase de que cada eleição é vital para sua sobrevivência. O Vasco é um doente no CTI. As próximas gestões poderão nos tirar do CTI ou nos afundar ainda mais nele, até chegar a derradeira que vai desligar o último aparelho e acabar com o clube de uma vez.

Escolher o nosso presidente é mais do que escolher entre uma boa ou má gestão, é escolher entre a sobrevivência ou não do clube em médio e longo prazo. O que será do Vasco em 2017? Qual Vasco teremos lá? Um Vasco forte novamente, pujante, que atraia novos torcedores e investidores? Ou uma sequência do processo de perdas que vem afundando o clube nessa década? O que sobraria do Vasco após mais um triênio de degradação?

Considerando apenas as chapas que possuem alguma chance de vitória, temos três candidatos. Julio Brant, da chapa Sempre Vasco, Roberto Monteiro, da chapa Identidade Vasco e Eurico Miranda, da chapa Volta Vasco, Volta Eurico.

Eurico Miranda de cara está riscado da minha lista de opções. Eurico é um dos principais responsáveis pela crise institucional vivida pelo clube hoje. Enquanto presidente, Eurico sempre foi um ególatra, arrogante e autoritário. Ao se colocar acima do Vasco, foi incapaz de acompanhar a evolução da gestão do futebol. Não tem nenhuma noção do que significa marketing, do que significa expansão da marca, mercado consumidor ou qualquer prática que não se resolva com meia dúzia de gritos.

Não sou dos que rejeita tudo o que Eurico fez. Eurico foi importante sim na década de oitenta e noventa. Discordo de quem dá os méritos dos títulos conquistados nessa época para o ex-presidente Calçada. Calçada sempre foi mais um murista do que qualquer outra coisa. Com dificuldade de se posicionar (quem ele apoia na eleição de agora?), com dificuldade de tomar decisões difíceis, Calçada terceirizou a direção do clube para Eurico. Enquanto Calçada era uma espécie de relações públicas, participando de almoços com a colônia, Eurico tomava as decisões necessárias para que o Vasco crescesse. E ele cresceu.

Era a década de oitenta, vivíamos as gestões dos socos na mesa e nessa arte o Eurico é mestre. Chutar o balde é com ele mesmo. Se gritavam contra o Vasco, o Eurico gritava em dobro. Se exigiam algo de forma raivosa, Eurico exigia em triplo. Se davam um peteleco, Eurico respondia com um soco na cara. E o Vasco ficou forte, chegou a ser o maior clube do Brasil no final da década de noventa.

Só que Eurico virou presidente e junto com a virada do século, vieram novas formas de gestão do futebol. Se o Calçada era um murista inveterado, a presença dele era importante, pois servia de freio ao Eurico. Sem o Calçada, Eurico tomou plenos poderes de fato, se juntou com uma horda de baba ovos e assumiu o clube como propriedade particular. Contratos eram assinados no guardanapo, sócios foram expulsos do clube apenas por discordar do poderoso chefão, e o Vasco foi ficando antipatizado. Enquanto os clubes evoluíam sua gestão e se profissionalizavam, o Vasco se afundava em meio a um feudo particular de uma pessoa que ainda queria ganhar negociação socando a mesa. Mas o futebol tinha mudado, os socos na mesa ficaram ridículos, os chutes na porta se tornaram piadas e o Vasco se isolou.

Eurico, perdido em meio ao ego, não tinha a menor noção de como tirar o Vasco daquela tragédia. Desesperados, os sócios se agarraram a Roberto Dinamite, o maior ídolo da história do Vasco. Para corrigir o erro Eurico, inventamos o erro Dinamite. Para corrigir o erro Dinamite, não podemos agora reinventar o erro Eurico.

Eurico continua ególatra. Não se arrependeu um milímetro de todas as bobagens feitas na sua gestão como presidente. O Eurico sorridente, que chegou a dar as caras no começo da campanha, já foi enterrado para a volta do Eurico das baforadas, que faz convenções em meio a pancadarias de torcedores. A maior prova da não mudança do Eurico está no nome de sua chapa, a única que estampa o seu nome em posição igualitária ao nome do Vasco. Demonstração cabal do Narcisismo alucinado vivido pelo candidato.

Outra prova é o fato do Eurico não participar de uma única entrevista em qualquer programa sem que tenha a garantia de que os entrevistados não farão qualquer tipo de pergunta inconveniente. Eurico não aceita ser questionado, ele se julga acima, se julga superior. Enquanto Roberto Monteiro e Julio Brant conversam com o torcedor vascaíno, Eurico fala apenas com os seus. Eurico não tem eleitores, tem súditos. E não vê o Vasco como um clube, mas como o seu reino.

Falando de outros candidatos, chegamos a Roberto Monteiro. Pessoalmente nada tenho contra o Monteiro, mas desconfio de muitas coisas de sua prática. Começando que Roberto Monteiro é político profissional. Ele foi da Força Jovem e logo se tornou presidente da torcida. Virou político e logo se tornou vereador, assumindo um cargo importante como relator do plano diretor da prefeitura do Rio de Janeiro. Em pouco tempo, de suplente se tornou um dos candidatos mais votados do seu partido. Como advogado, Roberto se tornou aliado do presidente da OAB e hoje ocupa um cargo importante na organização. Se aproximou da política vascaína, e logo virou vice-presidente do Conselho deliberativo do Vasco e hoje é candidato a presidência.

Ou seja, Roberto Monteiro não participa de nada, ele lidera. Se ele for convidado a escrever um texto aqui no Vasco Expresso, é capaz de em breve se tornar o dono do site. Onde ele coloca o pé é questão de tempo estar disputando o espaço na cúpula do poder e isso traz algumas desconfianças. Não há dúvida de que o candidato sabe manobrar muito bem os apoios políticos necessários para alcançar os cargos importantes que deseja, mas até que ponto ele está sempre disposto a ceder para chegar nessas posições? Se na política prevalece a lei de uma mão lavando a outra, quantas mãos foram lavadas nesse caminho sempre ascendente do candidato onde ele chega? O Vasco é um fim ou um meio para atingir objetivos ainda maiores? Dá para acreditar que os cargos no clube serão escolhidos pela capacidade das pessoas? Ou dentro da lógica de uma mão lavando a outra, teremos outros interesses nessas escolhas? Monteiro será um político ou um gestor?

Quanto a Júlio Brant, o que posso falar é quase nada. Julio é um desconhecido e isso por si só o descredencia. Edmundo é um ídolo para mim, mas o aval dele em sim representa pouco. Edmundo é inconstante, para ele amanhã estar falando mal do Julio não custa. A opinião do Animal não costuma ser baseada em argumentos racionais, mas em simpatias pessoais, em empolgações de momento, em euforias. Ele já foi aliado do Eurico, já foi contra o Eurico, já foi aliado do Dinamite, já foi contra o Dinamite. Inconstância é a sua marca principal.

Se por um lado Julio tem um discurso empolgante sobre profissionalização e modernização da gestão do Vasco, por outro é um cara completamente inexperiente na política clubística. Nunca frequentou bastidores de futebol, não tem nenhuma noção de como se portar em reuniões políticas em que influência e capacidade de liderança são muito mais importantes do que ter os melhores argumentos. Julio parece ser um cara bonzinho demais para ser jogado no meio dos bastidores sujos do futebol.

Apesar disso, Julio parece já aprendendo a fazer política. Escolheu para para presidente da Assembleia Geral, um conhecido benemérito euriquista, Pedro Valente e para vice-presidente antigo membro do MUV, Hercules Figueiredo. Duas escolhas políticas, completamente contraditórias e sem sentido pela forma de construção da chapa. Nada tenho de pessoal contra esses dois nomes, apenas ressalto a incoerência de suas escolhas.

Por aí se vê que não tem um candidato que me empolgue demais. Minha dúvida de voto está entre um político que precisa ser gestor e um gestor que precisa ser político.

Em meio a denuncias de mensalão e manipulação de todas as formas no cadastro de sócios do Vasco, a eleição parece fadada a cair no colo do ex-presidente Eurico Miranda. Eurico construiu Dinamite e Dinamite reconstruiu Eurico numa simbiose que suga o Vasco desde a virada do século.

Dentro desse cenário, só um candidato poderia vencer o ex-presidente: o candidato anti-Eurico. Só que temos dois postulando esse cargo e ambos dividem os votos entre si. E Eurico mais uma vez caminha para fazer com que a sua minoria represente a maioria, especialidade dele há alguns anos.

Ainda há tempo para uma aliança entre as chapas Sempre Vasco e Identidade Vasco, mas hoje parece improvável uma vez que os candidatos resolveram colocar a vaidade pessoal acima dos interesses do clube.

Para não terem que dividir 120 cadeiras, as chapas brigarão por 30, enquanto Eurico segue soberano rumo a seu trono e a seu feudo, e já prepara o sucessor Fernando Horta.

Meu voto já está decidido. Se não tem um anti-Eurico optarei por um dos dois. No dia da eleição verei quem tem mais votos e, portanto terá mais chances de vencer o dono do charuto: Roberto Monteiro ou Julio Brant. Aquele que tiver essa possibilidade será o meu escolhido.

Mas, vencendo quem vencer, seguirei nos mesmos postos gritando e cobrando que o presidente faça o que dele se espera: trazer o gigantismo do Vasco de volta!

E você?

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3 pensamentos sobre “O anti-Eurico

  1. Tenho pra mim que essa é a nossa ultima chance, ou voltaremos as ser o clube de grandes conquistas e respeitados e temido por todos ou viraremos um clube simpático que já foi grande , digno de pena dos adversários , como se tornou o América do Rio . Não sou votante , mas se fosse , assim como VC ,o charuteiro nem passa pela minha cabeça pois o vejo com principal responsável por essa situação vivida hoje . Já o Monteiro ao meu ver é um protótipo do Eurico , parece ser o “esperto ” e todos sabemos o mal do esperto .
    O Brant como VC bem disse , realmente dá o ar de ser um pouco ingênuo para esse mundo do futebol , por outro lado não é isso o que queremos alguém menos charuteiro e mais administrador , se e SE ele realmente fizer o que diz em suas propostas , uma ótima coisa que le vai fazer é delegar cargos a profissionais em cada setor , e cada um fazendo sua parte direito ele só vai assinar os papéis e mostrar a cara em momentos oportunos . Pessoas como ele já está se tornando tendência no futebol , haja visto o presidente do Palmeiras e do urubu , Sao administradores e esperamos muito que ele faça muito melhor que estes .
    Mas há ponto bem preocupante com ele é a tal esperança que depositam os nele e até menos do que a que depositamos no Roberto , isso me deixa um pouco pé atrás. Mas vamos nessa , na minha opinião é a melhor opção no momento e o importante é que o Club de Regatas Vasco da Gama volte a ser vencedor e campeão como conta a sua linda história.

  2. Então você acredita que monteiro e eurico não estão juntos nessa! Ambos são políticos profissionais e o hoje o clube não precisa de politicagem e sim de gestores que saibam sanar o que aconteceu com o clube nos últimos 14 anos!

  3. Penso o seguinte a respeito do que você disse: acredito que política você aprende com a prática, por outro lado, ter capacidade e conhecimentos de administração não se aprende somente na prática. Ou vc estudou para isso ou então já era.
    Por isso, na minha modesta opinião, o Júlio é melhor para ser o presidente do Vasco.

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