Perdeu, Vasco.

vascoNão importa o que vai acontecer daqui por diante. Pode ser que o imponderável resolva contrariar-me e o time goleie as sete partidas restantes, jogando como o Barcelona de Messi e Guardiola. Por óbvio, não acontecerá. Mas ainda que acontecesse, não mudaria em nada. Desnecessário aguardar o final para dar o veredito: em 2014, o Vasco só perdeu.

Se o campeonato carioca há anos já não é mais o charmoso troféu de outrora, era digno para o Vasco vencê-lo e acabar com o jejum de uma década sem levantar a taça regional. O fato de ser, dentre os grandes, quem está há mais tempo sem vencê-lo é incômodo o suficiente para que a equipe fosse a mais ávida pelo campeonato. Não foi o que ocorreu. Sequer fizemos cócegas ao Flamengo na disputa pela Taça Guanabara. Na final, precisando vencer, fomos morosos como sempre e a garfada habitual pró-Fla acabou por anuviar a constatação de que a perda do título mais doeu por ter sido fruto de roubo do que pelo merecimento técnico que, em verdade, nunca pudemos ostentar.

Já a Copa do Brasil era a competição que nos permitiria jogos contra os grandes do futebol nacional. Rebaixados na divisão de elite, era nela que poderíamos reviver os confrontos a que estamos acostumados. Ademais, competição de tiro curto, não nos custava sonhar, quem sabe, que o peso de nossa camisa contribuísse para eliminar um rival momentaneamente mais forte. Balela. Nem chegamos à fase dos grandes. Abandonamos o barco quando os pequenos ainda brincavam à proa. E deixamos o ABC escrever novo capítulo vergonhoso de nossa enlameada história recente.

Restava a série B. Tão pouco pra tudo que fomos, mas a chance única de erguer a réstia de dignidade que teimosamente nos acompanha. A despeito da bagunça administrativa que somos, entramos nela ostentando uma grandeza infinitamente maior que Luverdense, Joinville, Avaí, Sampaio Corrêa e que tais. Com orçamento bastante superior aos concorrentes, só nos restava a opção de sermos protagonistas solitários e sobrar no torneio.

Aí, o caldo entornou de vez. Decepcionamos com tal requinte de crueldade que chegamos a sete rodadas do fim sem estar, sequer, com a classificação encaminhada. O título tem reais chances de não vir e até mesmo o acesso à primeira divisão não aparenta certeza absoluta.

Mas, de verdade, quem quer ser bi-campeão da série B? Para mim, já era. Perdemos o único título que nos restava para essa temporada: ser o Vasco de novo. Não merecemos nada do que vimos nos escapar e, sinceramente, eu não acho que merecemos nem subir à elite. Torço somente pela pálida paixão que ainda abrasa em meu peito. Sei que o acesso é importante por questões de contratos, finanças, marketing e burocracias. Mas se podemos subir de divisão, é certo que já descemos em confiança, grandeza e glória.

Então, não me venham falar do apoio da torcida. Do sentimento que não deve parar. Do abandono que não podemos permitir. O vasco, esse ano, enviou todos os nossos brios ao inferno. E pelo navegar da caravela, em 2015 seguiremos dando com os burros n’água. Em um ano que era crucial voltarmos a ser certeza, o vasco nos deixa o legado das dúvidas.

Haja o que houver, acabou. Terminem logo com isso. E que o último a sair apague esse triste ano de nossas memórias.

Twitter: @freud_ironico

Freud™ Irônico é o alter ego virtual do publicitário Raphael Santos.

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6 pensamentos sobre “Perdeu, Vasco.

  1. Belos comentários, refletindo o sentimento dos vascaínos. Um clube abandonado
    que na minha infância era a segunda maior torcida do Brasil, enfrentava os rivais em pé de igualdade, era soberano no remo e em vários esportes olímpicos. Era odiado pelos rivais. Hj… Digno de pena e é chacota de todos. Um time que amarela em jogos decisivos até na série B… Vai ganhar o que?
    Clovis Ribeiro

  2. Concordo amigo, mas tudo culpa do senhor roberto BOMBINHA que outrora quando jogador era Roberto Dinamite. E ainda tenta eleger Brant para seu orgulho de não deixar Eurico voltar, este pessoal não é vascaíno, precisamos do Eurico como nunca e que os contra o Eurico vá para o inferno com suas idéias. Volta Vasco, Volta Eurico; agora com fernando Horta junto.

  3. Eu só discordo no caso do Carioca. Ali foi feito o q o tamanho do time permitia e ganhamos. O q veio a seguir foi com a FERJ e a imprensa q, ano após ano, legitima as arbitragens escandalosas pró time da casa.

    No resto, concordo e vou além. Mais do q diminuir de tamanho e passar vergonha em campo, o Vasco está deixando de importar pro seu torcedor. Só vejo jogo qdo não tenho nada melhor pra fazer. Se tiver qq alternativa mais divertida, to cagando e andando pro Vasco e tenho a impressão de q esse sentimento está se espalhando pela torcida. Nunca passei uma competição inteira sem dar as caras em SJ, como tenho feito e seguirei fazendo nessa Série B.

    Se subir, vai ter feito menos q a obrigação. Não subindo, tanto faz. Eu desabafo um pouco na internet e sigo a vida normalmente.

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