Hoje não tem coluna

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Hoje não.

Hoje não tem.

Hoje não vou escrever sobre a mediocridade que se tornou o Vasco, com os seus objetivos reduzidos, seu olhar anão sobre si mesmo, sua falta de vontade de ser grande, de ser maior, de crescer.

Hoje não vou falar sobre o jogo de ontem, que não difere em nada do jogo de anteontem, do jogo de semana passada, retrasada, ano passado. Não vou dizer que o chocolate levado contra um time que luta para não cair para a série C não foi ocasional, mas sim é um estado permanente das coisas.

Hoje não citarei os títulos antigos. Não vou falar da luta contra o racismo, da construção de São Januário, dos momentos de glória. Não citarei o Expresso da Vitória, os títulos continentais, os títulos brasileiros. Hoje, não tenho força para dizer que o Vasco é grande, gigante. Não tenho força para lembrar o passado, quando o presente é tão duro. Hoje o orgulho tá encoberto pela vergonha.

Não falarei dessa vez de Dinamite, nem reclamarei do caos que é a sua gestão a frente do Vasco. Não direi que ele é incapaz de dirigir um carrinho de pipocas em frente ao clube, que dirá o clube todo. Não lembrarei a vergonha que tenho de um dia ter apoiado esse cidadão para nos presidir. Não lembrarei dos dois rebaixamentos, do nepotismo, da base jogada no lixo, do desrespeito nos bastidores do futebol. Hoje o Dinamite será poupado. Hoje não direi que ele é o pior presidente da história do Vasco.

Tampouco falarei de Eurico, de sua arrogância e autoritarismo que iniciaram isso daí. Eurico apresentou a pequenez ao Vasco, Eurico deu start no processo que Dinamite aprofundou. Não direi que o Eurico criou o Dinamite, assim como o Dinamite está recriando o Eurico. Nenhuma palavra minha será no sentido de que ambos se alimentam do Vasco, dele tiram as suas forças e crescem com seguidores fanáticos enquanto o clube míngua diariamente.

Hoje não é dia de falar dos jovens, que permanecem guerreiros junto ao clube, mesmo envergonhados pelo presente. Dos jovens que amam o que não conhecem, que sentem saudade do que não viveram. Dos jovens que amam um clube gigante que não passou diante dos seus olhos. Dos jovens que aprenderam a se defender da galhofa, da pilhéria, da gozação mesmo com pouquíssimos argumentos a contrapor. Não falarei do quando os admiro, não falarei.

Hoje não tem palavra sobre o remo, esporte fundador do clube jogado às traças de um Vasco sem nau e sem timoneiro. O Vasco campeão de terra e mar, hoje é uma vergonha na terra e um descalabro no mar. O Vasco que envergonha os seus fundadores e que ajuda a poluir as águas da Lagoa, jogando nela o lixo de uma história que não deveria o pertencer.

Hoje não haverá nada, nem uma linha sobre Joel Santana, personagem dos mais sem graças do Zorra Total, que não por acaso virou o treinador da zorra que é o Vasco. Joel é o retrato perfeito do caos que habita o clube. Da comédia pastelão diária que é ver Marlon, Pedro Ken, Fabrício e tantos outros envergando a camisa que já foi de Edmundo, Ademir e Romário. Se o Vasco é palhaçada, nada melhor do que um palhaço no comando. Tá coerente.

Não me peçam para falar sobre política. Hoje não citarei a vergonha do mensalão, das eleições manipuladas, dos processos na justiça. Hoje não citarei que o quadro social do Vasco é pequeno de forma proposital para ser controlado com mais facilidade pelos que se acham donos do clube.

Também não tenho ânimo para comentar sobre a estrutura física do Vasco, de São Januário largado, com banheiros indignos, de uma quadra de basquete destruída, de um parque aquático jogado ás traças, de uma sede do Calabouço cada vez mais próxima de ser um calabouço.

Não falarei sobre esporte amador. Sobre basquete, vôlei, futsal, atletismo. Não falarei que não nos importamos com isso, que deixamos de lado há muito a vocação de formar cidadãos através do esporte. Não direi que o Vasco hoje é um clube que não investe no amador porque diz que deve ser gerido como empresa, enquanto leva as suas finanças de forma amadora.

Não falarei dos milhões em dívidas, do déficit ano após ano, da perda de torcedores, dos salários eternamente atrasados, da chacota permanente dentro de fora de campo, das humilhações, da perda de identidade, do nanismo crônico…

Hoje é dia de dizer tudo sem falar nada

Hoje não tenho ânimo, vontade, saco…

Hoje não tem Vasco

Hoje não tem

Por um Vasco sempre Gigante!

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Um pensamento sobre “Hoje não tem coluna

  1. É duro ver que, mesmo com tanta resistencia, o Vasco vai se enfraquecendo dentro de nós. Eu simplesmente esqueço que vai ter jogo, talvez uma forma inconsciente de me poupar da dor de ver algo que eu amo se destruindo diante dos meus olhos, sem que eu possa fazer nada pra mudar. O duro é saber que o monstro que criou esse vasco(assim mesmo, com inicial minuscula) vai voltar com status de salvador da pátria(mesmo que comprando votos). O vasco hoje é o elefante preso na areia movediça, tentando se soltar: quando mais de debate pra sair, mais de afunda.
    Saudades do MEU Vasco da Gama!

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