Desabafo em branco e preto

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Que as últimas duas gestões do Vasco tenham feito de tudo, cada uma a seu modo, para apequenar o clube, disso não cabe mais discussão. Há, por óbvio, os incautos que ainda insistem em querer defender esse ou aquele dirigente. Vá saber se por inocência (difícil) ou má caratismo (provável). São, de todo modo, impróprios a uma análise séria. Afinal, quem é torcedor cruzmaltino de verdade, desses que não se deixam levar por um troféu ou coisa que o valha, sabe, sem pestanejar, o mal que Eurico Miranda e Roberto Dinamite fizeram ao clube na última década e meia. 

Agora, que eles assim o tenham feito, por incapacidade ou corrupção, não me assusta tanto. O que me aporrinha é quando o sujeito a contribuir para a diminuição do clube seja aquele que tem, por obrigação, a missão de engrandecê-lo: o torcedor. Um desses teve o desplante de ingressar com uma ação à justiça exigindo compensações pelas recentes quedas do Vasco à segunda divisão. Valha-me meu São Januário! A dor que o dito sentiu, seguramente, senti também. A vergonha, as eventuais lágrimas, a desilusão, tudo que deu-se no peito do cidadão, ecoou cá por dentro também. Mas, amigo, o Vasco não me deve nada. Não pediu para que eu torcesse por ele, nem assinou compromisso de que me daria alegrias ininterruptas. E, verdade seja dita, sou eu quem vivo a bradar em estádios do país: “…na alegria ou na tristeza, eu nunca vou te abandonar…”. Isso lá é postura de torcedor, gajo? Recorrer ao judiciário? Como se esse não tivesse nada mais importante a fazer? Por fim, quis o destino, esse irônico, que seu processo caísse no colo de juiz rubro-negro (praticamente, um pleonasmo). De quebra, virou alvo de gozação nos autos do processo e sua ação teve fim oposto ao pretendido. Lá foi o Vasco ser piada nas redes novamente. Bom trabalho, espertalhão!

Outra coisa que me apoquenta é o vascaíno que tem pudor para falar nome de adversário. Noves fora aqueles momentos de gozação cujo intuito é provocar sadiamente, refiro-me especificamente aqueles que parecem ter medo, raiva ou qualquer sentimento que o impeçam de falar, por exemplo, Flamengo. Usam-se os mais variados adjetivos, mas o cara se recusa, dogmaticamente, a dizer o nome que caracteriza só e tão somente um rival. Esses, mais que incômodo, causam-me preocupação. Porque reduzem a grandeza do clube sem perceber. Ao negar-se a dizer o nome do oponente, não notam que mais o engrandecem. Dão a ele uma dimensão maior do que, de fato, devem ter. É por conta desses que vemos o Vasco se rebaixando a responder, via nota oficial, jornalecos de menor expressão como o diário carioca “Meia hora”, numa posição incompatível com sua glória e história.

O medo de ser vice também tem sido dos fatores mais aperreantes . Embora ele se justifique pelas recentes perdas de títulos – curiosamente, em sua maioria para o Flamengo -, também dá sua ínfima quota para deixar nosso clube um cadinho menor. Vice é uma condição ruim, ninguém nega. É posição que se obtém pela derrota, no mais das vezes doída. Mas é um risco que corre quem disputa. Só é vice quem chegou próximo de ser campeão. E para sê-lo há que encarar essa possibilidade. Não sou peito de aço, nem carrego nas veias sangue de inseto. Revoltou-me, sobremaneira, perder títulos por erros de arbitragens. Ver o Flamengo, novamente, beneficiar-se de falhas para garfar-nos troféu que seria nosso, por direito foi de endoidecer qualquer raciocínio e só xingamentos expressaram o que senti. Mas, sob a frieza do tempo, confesso: prefiro infinitamente ver o Vasco vice, disputando títulos, do que no ostracismo que vivemos há pouco, longe da decisão, vendo clubes como o Botafogo exercendo, mais que nós, o papel de protagonismo.

Enfim, camarada leitor que ousou chegar aqui, perdoe-me o desabafo. É que já há tantos trabalhando pela redução do nosso time, que sinto uma enorme vontade de gritar, pedindo-te: não faça parte dessa! Somos grandes. Somos mais. Somos gigantes. Da colina. Do Rio. Do Brasil. Das Américas. Do planeta. Não olhe para os outros debaixo. Encare-os de frente. Diga seus nomes e façam eles tremerem quando ouvirem o nosso. Não vá reclamar à justiça sobre os resultados do Vasco. Reclame internamente, através de seu voto. Não tema a derrota. Lembre-se de 2011, de 2000, de 98, de 94, de 87/88, de 74, de 50, de 23. Busque pela memória aqueles escretes que te fizeram sentir a certeza antecipada da vitória. O vascaíno, esse indestrutível, não se atemoriza. Como o comandante histórico, ele vê a onda, olha pra ela, apruma o leme e diz: eu vou vencer.

Eu não tenho medo de perder um título, eu tenho medo é de perder o Vasco.

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2 pensamentos sobre “Desabafo em branco e preto

  1. Infelizmente, muito por conta da desinformação da torcida e principalmente das péssimas administrações dos últimos 14 anos a torcida se apequenou assim como o time que entra em campo.
    Entrar em um jogo na segunda divisão pensando em conseguir um ponto é ridículo e humilhante! Jogador que pensa pequeno e não tem coragem de entoar as vitórias e a história desse clube. Técnicos retranqueiros e burros que acham que estão treinando um timinho qualquer e se esquecem que aqui é Vasco da Gama!
    Times que entram com medo de vencer e medo de serem campeões!
    Uma torcida de mais de 30 milhões que teve que aguentar os péssimos times montados, elencos desfeitos e tantas outras coisas! Dois títulos em 14 anos e dois rebaixamentos nos últimos 5. Tira a alegria de qualquer um, mas não vai tirar o amor por essa camisa!

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