Transformando o fácil em difícil

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Magno Alves, Jael e Rodrigo Pimpão são os artilheiros. A Ponte Preta, clube que nunca conquistou um título, apesar de ter mais de cem anos de história, é a líder. A defesa menos vazada conta com a possante formação: Bocão, Pablo, Antônio Carlos e Thiago Carleto.

Essa é a série B. Uma competição tão fraca, mas tão fraca, que é narrada pelo Silvio Luiz.

Qual deveria ser o desempenho de um clube gigante, com uma torcida nacional e apaixonada e que, apesar dos anos de destruição, ainda conta com uma das maiores marcas do Brasil ao disputar essa competição? No mínimo deveria liderar com o pé nas costas. Um tropeço ou outro seria normal, mas deveria ser algo isolado.

A questão é que o Vasco de hoje se esmera em transformar o fácil em difícil. O elenco do Vasco não é ruim para o nível da competição, pelo contrário, é um elenco superior, e com alguma sobra, a todos os outros da série B. A camisa nem se fala, junta a de todos os times e multiplica por dez, não dá a do Vasco. Então por que estamos sofrendo tanto em uma competição de nível tão baixo? Qual a resposta para não ganharmos uma Portuguesa da vida de goleada?

A razão me parece simples: o Vasco de hoje se acostumou a ser medíocre. É um clube que não confia no seu tamanho, que não acredita no seu poder. O Vasco olha um clube grande com temor e olha um clube pequeno como igual. Quem quer ser pequeno, será pequeno. Nós somos frutos de nossas vontades. Para realizar, antes de tudo é preciso desejar. Se você deseja o pouco, é só isso que terá. E é isso que o Vasco deseja.

Não há nenhuma outra razão que não seja essa.  O Vasco convive a tantos anos com a mediocridade, que esqueceu de sua própria história. O Vasco está se igualando à mediocridade com que convive.

“Ah, mas o Vasco tem jogadores fracos”. Quer trocar pelos dos outros? Olha o elenco da líder do campeonato, a Ponte Preta. Vejamos o time que entrou em campo na vitória de ontem sobre o Boa Esporte:

Roberto, Rodney, Gilvan, Thiago Alves e João Paulo, Fernando Bob, Juninho, Adrianinho e Thomás, Jonathan Cafu e Rodolfo.

Primeiro que não conheço quase nenhum dos jogadores. A maioria absoluta são de ilustres desconhecidos do futebol. Os que conheço eu não gostaria que estivessem no Vasco. Ou você leitor gostaria que Roberto estivesse no gol no lugar do Martin Silva? Gostaria que Fernando Bob fosse o volante e não o Guinazu? Gostaria de ter na meia o vovô garoto Adrianinho ao invés do apenas vovô Douglas?

O elenco do Vasco, longe de ser galáctico, possui jogadores vitoriosos, como os já citados Martin Silva, Guinazu e Douglas, além de Rodrigo e Kleber. Qualquer um desses seria o camisa dez, capitão, líder, cobrador de pênaltis, ídolo e o escambau se estivesse jogando na Ponte Preta. Isso porque estou falando da Ponte Preta, a líder do campeonato. Se olhar para os outros times então…

A questão não são os outros, é o Vasco. Antes de pensar em vencer o adversário, é preciso vencer a si mesmo. O Vasco perde para si. O Vasco não se reconhece como clube grande. O Vasco é um anoréxico. É como aquela garota linda que se olha no espelho e enxerga uma baleia obesa. E enquanto todos a invejam ela se diminui. E por se diminuir, acaba se destruindo de tal forma, que perde a sua beleza. O Vasco está assim, ele não se respeita, não se enxerga e se destrói por suas próprias atitudes.

O Vasco precisa de um tratamento de choque. Precisa de algo capaz de relembrar a todos o tamanho desse clube. Precisa fazer com que as pessoas voltem a acreditar. Não quero ir para São Januário com medo. Já estou cansado de ver times pequenos fazendo graça no nosso terreiro. Eu quero ir para São Januário confortável, com a certeza de que o Vasco vencerá. Há quanto tempo não temos isso?

A torcida hoje tem medo do Vasco. Jogo do Vasco já há muito deixou de ser diversão e virou uma tortura psicológica. Virou uma prova de amor ver o time se arrastando em campo e implorando para não vencer um time nível série C como o da Portuguesa ontem. Não há diversão dessa forma.

A única “vantagem” de ir para a série B é que o time grande sempre vence em sequência e a vitória, bem ou mal, traz leveza ao ambiente. O torcedor do Palmeiras ano passado, se divertiu muito mais do que nesse ano. Não que estivesse melhor na série B, mas porque estava sonhando com algo melhor enquanto o de hoje já tem a realidade escancarada na sua cara.

O do Vasco nem o sonho tem direito a ter. A dúvida da subida se junta com a quase certeza de queda no ano seguinte e tudo vira um pesadelo.

O Vasco é o único grande que usa calculadora nessa competição. É o único grande que torce contra os outros. Ontem eu me peguei torcendo contra o Ceará para o Vasco abrir uma vantagenzinha no G4. E isso já na reta final da competição. Onde isso vai parar?

Agora pegamos  o Boa Esporte em São Januário. Você tem certeza da vitória? Ou está com medo do time mineiro segurar um empate no começo, ver que o bicho não é tão feio e arrancar um golzinho no contra-ataque?

Vejamos os nossos últimos cinco jogos em São Januário: derrota por cinco a zero para o Avaí, vitória por 2 a 0 contra o Luverdense, vitória de virada por 2 a 1 sobre o Naútico, vitória por 2 a 0 sobre o Joinville e empate no final contra o Bragantino por 2 a 2.

Ou seja, dos últimos cinco jogos em casa contra times fraquíssimos, não goleamos ninguém. Pelo contrário, fomos goleados pelo Avaí. Ganhamos um jogo (contra o Náutico) e empatamos outro (contra o Bragantino) na bacia das almas, com gols nos últimos minutos. E vencemos dois jogos com tranquilidade, se é que dá para chamar vitórias por 2 a 0 de tranquilas.

Contra Naútico e Bragantino, o Vasco virou na base da camisa, no fato de nem os próprios adversários estarem acreditando no que estavam fazendo.

Como será contra o Boa? Passaremos drama de novo?

A sorte é que o nível da competição é tão fraco, mas tão fraco, que mesmo jogando de forma terrível sucessivamente, o Vasco se mantém no G4. Mas se esse processo de auto-destruição continuar uma hora a camisa não vai aguentar.

O Vasco hoje não tem a menor condição de disputar a série A, sem contar com um novo rebaixamento líquido e certo.

Para a série A é preciso rever tudo, desde melhorar e muito o elenco de jogadores como reencontrar a nossa história. Rever em que momento o clube deixou de acreditar na sua força e recuperar isso.

Chega de olhar para um Cruzeiro ou um Internacional e pensar que é impossível vencer. O Vasco é muito maior que esses dois clubes. Eles que precisam ter medo da gente.

Mas quem vai ter medo de um time que se enxerga como derrotado? Quem vai ter medo de um clube que se vê como inferior, que não consegue se impor diante de galinhas mortas do nosso futebol?

Subir para a série A é a parte mais fácil da história.

Tirar a série B de dentro do pensamento coletivo do clube, essa sim, é a parte difícil.

Por um Vasco sempre Gigante!

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14 pensamentos sobre “Transformando o fácil em difícil

  1. Excelente texto e uma realidade decepcionante. Esse Vasco de hoje não é aquele que eu aprendi a amar quando criança. Podíamos perder, mas entrávamos com raça e gana de vencedor.
    Hoje vejo um time acovardado em campo com muitos pseudos-jogadores que não conhecem a história do clube e não respeitam essa camisa! Poucas são as exceções! A maioria são jogadores de empresários e não possuem vínculo emocional com o clube, por isso eles só pensam em ganhar mais sem se preocuparem com o clube.
    Clube que é dirigido por amadores e políticos e que vive uma batalha interna promovida pelo interesse pessoal em ganhar dinheiro sem escrúpulos e em estratagemas de poder. Chega de tudo isso!

  2. Excelente texto! Pena que não vai chega nas mais dos dirigentes do clube e jogadores, pois todos sem excepção deveriam ler esse texto.. Parabéns!!

  3. Seu texto está corretíssimo. E o pior é que parece não haver uma maneira de criar a “raça” do Quiñazu nos outros jogadores. De faze-los sentir que vestir a camisa do Vasco é uma honra.É um estado d’alma de guerreiro vencedor.

  4. É inadmissível ver um jogador do nivel do Fabricio ironizar a torcida que o vaiava jogando beijinho. Esse cara não merece vestir a camisa do Vasco, ou melhor, ele não merece ser jogador profissional. É ruim, não marca bem, não apóia os meias, de 10 passes que da erra 11. Ontem o vi entregar 3 ou 4 bolas pro adversário, que se não fosse pela incompetência dos jogadores da portuguesa teríamos tomado gol. Esse cara tem que ser afastado do elenco. É por causa de jogadores assim, que não posso sequer falar que são medíocres pois estão muito abaixo disso, que o Vasco não acredita na sua grandeza.
    Excelente texto, expressou corretamente tudo que se passa hoje no vasco. E vamos começar a vaiar esse Fabricio a cada toque que der na bola. Não podemos aceitar desrespeito com o Vasco e muito menos com nós torcedores que fazemos o Vasco ser o que é, ou foi neh. SV

  5. Agora, pensando em Série A, é meio complicado ter mentalidade de time grande, sem ter como montar time grande. Ano passado o Boboval queria jogar de igual pra igual, como time grande e deu no q deu. Ali tem q jogar do tamanho do time q tiver, mesmo q isso signifique pensar pequeno. Seguindo nesse nível de 2013 e 2014, é retranca e torcer por uma bola mesmo.

    O pensar grande vai ter q ficar pra fora de campo, trabalhando pra recolocar o Vasco no seu devido lugar.

  6. Tratamento de choque é mandar o lixo do Joel pastar. Desliguei a TV aos 20 do segundo tempo, evitando a frustração de um provável empate da Lusa.

    Esse Vasco do botafoguense diminui a cada dia, é nanico. Depois de 2 rebaixamentos, agora joga pelo empate em Série B, com adversário virtualmente rebaixado, o treinador escancara esse discurso na coletiva e ng tem culhão no clube de cobrar e botar o p.. na mesa.

    Campos Sales é logo ali. Fecha logo as portas q diminui a vergonha.

  7. Excelente!!
    Leitura obrigatório para Rodrigo Caetano, Joel Santana, Júlio Brant, Roberto Monteiro,etc… etc…

    Parabéns!!!!

  8. Meu caro Helder: apenas uma indagação:onde está o espaço para que eu possa ASSINAR? Parabéns e um forte abraço do MPiragibe,apenas um modesto associado Vascaino e ex-PHD.

  9. Caro Helder, concordo integralmente com seu texto. Fui ver Vasco e Náutico e sofri muito. Eu, meus filhos e meu pai. Mas algo me chamou a atenção: “Guinãzu”. Embora seja inconcebível o número de cartóes que ele toma, a raça dele é impressionante. Ele não tem a pele vascaína, mas, acho, que uma saída pra reconstrução desse clube passa por ele. O Vasco precisa aproveitar esse espírito dele para as gerações futuras. Esse espírito derrotado de hoje precisa dar lugar àquele espírito guerreiro e raçudo do Vasco que enxerguei no Guinazu. É por aí? Abs. Parabéns!

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