Meter os pés pelas mãos*

Foto: Marcelo Sadio / Flickr do Vasco

Foto: Marcelo Sadio / Flickr do Vasco

Faltam 11 rodadas, sabia? Apenas 11 rodadas para acabar um calvário chamado série B. A série B em que o Vasco já pode chamar de querida, visto a intimidade com os dois rebaixamentos em cinco anos. Era para torcida estar aliviada, celebrando (contidamente, claro) e renovando esperanças de um futuro melhor, sem tantas montanhas russas no seu caminho.

O que ocorre dessa sensação de desânimo e preocupação constante, tão perto do fim (ou não) permanecer?

De fundo musical, nada mais justo que um fado para tentar explicar que às vezes “nossos ais não são por vontade de Deus”.

Amália, amiga, não é justo culpar o divino pelas responsabilidades dos homens.

Cá está o Vasco da Gama, esse patrício tão renomado, comemorando um empate com o Bragantino, em casa. Empate esse nas bacias das almas (expressão mais portuguesa  que essa, não tem) que 12.000 torcedores presenciaram na chuvosa sexta-feira.

Desde o início do ano me preocupava esse repeteco da segundona. Além da questão moral (que nem Rita Cadillac vai dizer que é bom) não existe um “fato novo” nisso, para torcida, para imprensa, para instituição Vasco.

Temos um eterno desânimo. Os jogadores correram ontem, não digo em relação a uma suposta má vontade, e sim a um envolvimento, uma campanha, de todos por “dias melhores virão”. Foi isso que inspirou o mantra – o sentimento não pode parar –  a lotação máxima no Maraca naqueles sábados de tarde, a camisa dourada que vejo muito torcedor vestir (com razão).

Todos estavam imbuídos que sairíamos daquele buraco e que renovaríamos o Vasco, com títulos e democracia. Tivemos um pouco disso, só um pouco.

Essa gangorra técnica (quinto no BR 2012 e rebaixado no ano seguinte) afeta o bem estar do vascaíno da arquibancada. A sensação de falta de indignação, de tesão dos jogadores em vestir nossa camisa, de brilho nos olhos de Rodrigo Caetano, tudo isso se esvaiu.

O que temos é essa inércia, esse “vamos subir” falado bem baixinho, o costume de torcer contra Boa Esporte e Sampaios da vida não ganharem seus jogos.

Sinceramente, não tenho certeza da subida. Temos um elenco superior? Sim, temos. O salário dos jogadores é superior a alguns dos times da primeira divisão. Temos mais torcida que todos os 19 clubes da série B. O que nos falta? Gana, desejo e estrutura para realmente querer melhorar. E se na última rodada, por uma combinação de resultados, esses 12 “empatafodas” nos ferrarem, e um Ceará da vida, com mais vitórias, tire a nossa vaga?

Atualmente, o que nos move é uma simples ascensão. Não nos identificamos com nenhum desses jogadores de aluguel. Kléber é o melhor exemplo disso. Um mercenário (no bom sentido, de ter passado por vários clubes) da bola sem vínculo com a torcida. Nem presidente nós temos mais.

Se não temos futuro, que, ao menos, o presente seja mais leve. Vitórias em casa facilitariam a vida dos cardíacos cruzmaltinos. Torcer, sofrer e cobrar é que nos resta. Que a apatia não nos leve a omissão.

Amália, na música, diz que não acompanha mais o maltratado coração. Temo que com atual “ces’t la vie” vascaíno, que o valente e sofrido torcedor acompanhe o time, mais uma vez, às terças, sextas e sábados.

Tomara que esteja exagerando. Que tudo não passe de um pequeno fado.

*não estou falando do Diogo Silva mas a frase cairia bem para ele, vai.

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3 pensamentos sobre “Meter os pés pelas mãos*

  1. O que dizer desse time que insiste em jogar mal, em ser mal escalado, em insistir na mediocridade de “empatou mas não perdemos” ?
    Perdemos sim! Oportunidades de já estarmos na liderança! De jogar bem e convencer a torcida que merece o apoio dela! De subjugar o adversário!
    O que vi ontem foi um time apático, sem criação e a insistência ridícula com o Rodrigo fazendo migué em campo, Diego Renan e sua avenida e Marlon que marca mal e mesmo passando quase todo o jogo no campo adversário não conseguiu fazer um cruzamento correto!
    De ter Douglas no meio e ele querer apitar o jogo ao invés de jogar futebol. Deixando-se marcar facilmente pelo grande volante do Bragantino!
    Dakson que tem melhor empresário que futebol!
    Edmilson que brigou com a bola em quase tudo que tentou!

    Agora vem as perguntas corriqueiras… Por que Maxí não é titular nesse time?
    Por que Yago não pode jogar ao lado de Thalles no ataque?
    Pelo que vi ontem, Por que John Cley é reserva do Dakson?
    Luan reserva de Rodrigo?! Fala sério! Rodrigo no lance do primeiro gol adversário não estava marcando ninguém! Perdido na área!
    Douglas Silva que ainda não aprendeu a se colocar na área e corta cruzamentos. Toda bola parada a defesa dorme!
    Será que Anderson Salles e Luan não jogariam com mais afinco? Mais seriedade?!
    Honestamente vejo parte do elenco fazer corpo mole no jogo!
    Guiñazu, Pedro Ken, Maxi Rodriguez, Thalles foram as exceções da péssima apresentação de ontem. E se hoje o vascaíno vai comemorar um ponto conquistado nos acréscimos do jogo dessa sexta, é graças ao Maxi Rodriguez!

    • O Grande problema é que nosso elenco é igual. As peças em campo e no banco possuem pouca diferença em relação ao talento. Thalles ou Edmilson? Dakson ou John Cley? Sinceramente, todos alternam boas e péssimas partidas. O melhor seria estabelecer um time base e seguir treinando…

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