A nossa cara

são janu lotado

Qual a cara do Vasco? Qual a cara do vascaíno? Qual a nossa marca? O que nos define enquanto um clube que vai além de um time de futebol?

Sempre achei que uma instituição que possui milhões de adeptos tem que ser mais do que simplesmente montar uma equipe e colecionar sucessos e fracassos em campo. É preciso ir além, é preciso gerar uma identificação. O Vasco é mais do que um time de futebol, o Vasco é uma marca. É preciso virar exemplo de conduta nos que seguem essa marca. Ninguém mais do que o Vasco, por toda a sua história, deve se preocupar com isso.

Uma vez, em um jogo do Barcelona do sub 17, o goleiro do adversário estava caído no chão e o time do Barcelona se aproveitou disso e fez o gol. Pois bem, o treinador obrigou que os seus jogadores deixassem o adversário marcar um gol assim que fosse dada a saída de bola. Ao final do jogo, perguntado se não achava que o goleiro do time rival havia simulado algo quando se jogou ao chão, o técnico catalão disparou:

“Não havia outra coisa a se fazer. Sabemos que o goleiro não tinha se machucado, mas tínhamos que deixa-los empatar porque somos um time que deve servir de modelo na Catalunha, Espanha, Europa e Mundo. Estas atitudes devem nos ajudar a fortalecer essa base que damos de comer a cada dia”.

Percebem a diferença entre vencer a qualquer custo e ser modelo? Percebem a diferença entre ganhar torcedores e seguidores? Não à toa o Barcelona é admirado em todo o mundo. Vencer um jogo do sub 17 é pequeno demais perto da oportunidade de ser exemplo. Eles entendem isso melhor do que qualquer um.

E qual seria a cara do Vasco? Quais os valores que devem orgulhar os vascaínos para além do campo de futebol?

Eu opino por alguns: Vasco deve ser bravo e não temer o desconhecido, como o almirante Vasco da Gama, deve ser justo e lutar por causas justas, como na luta contra o racismo e deve se preocupar em ser gigante, como na construção de São Januário.

Há muito o Vasco deixou de ser bravo, de liderar. Qual a nova ordem do futebol? Depois dos 7 a 1, o futebol brasileiro tem que mudar, é preciso novos conceitos, novas lideranças, novas metodologias. Quem melhor do que o Vasco para estar a frente, comandando esse processo de mudança?O Vasco deve estar na vanguarda, ditando as ordens, com o peito estufado de quem acredita que tem autoridade moral para ser o líder. O Vasco deve ser o almirante que não teme o mar revolto. Não cabe ao Vasco outro papel qualquer, se não o de protagonista. Nossa história exige isso.

A autoridade moral advém da justiça. O Vasco deve ser exemplo de conduta. Nosso clube hoje pratica mensalão, Nosso clube hoje possui todas as eleições recentes contestadas nos tribunais. É essa a cara do vasco?

Como um clube que não é exemplo dentro de casa, vai ser respeitado fora dela? É preciso acabar com esse modelo e criar uma cultura de correção. Primeiro internamente e depois fora dos muros. Corrigindo os rumos no interno é hora do Vasco voltar a se preocupar com causas sociais. O Vasco se afastou completamente disso. Hoje é um clube comum, que realiza pequenas ações, como qualquer outro.

O Vasco não pode ser pequeno em nenhuma área em que atuar. Buscar valores de igualdade e de justiça é a nossa história. Precisamos buscar isso de volta ao nosso ambiente. Um Vasco que é exemplo de caráter deve ser a nossa marca vital, o que nos diferencia dos outros e estamos perdendo isso de uma forma dramática. O Vasco não pode ser igual. Ser igual não tornou o Vasco desse tamanho. O Vasco tem que ser diferente por obrigação.

O Vasco é gigante. Quando construímos São Januário fomos gigantes. Onde está nosso gigantismo hoje? Vasco tem que ter projetos e ideias grandiosas. Fazer o impossível, esse tem que ser o nosso lema, a nossa filosofia. Já chega de sonhar pequeno. Quando o Vasco sonhou grande, foi grande. O Vasco pode ter tudo o que ele quer, mas o que o Vasco quer? Se o Vasco quer a mediocridade, ele terá isso. Eu quero um Vasco que pense alto, que projete coisas grandiosas. E depois corra atrás para conseguir, que se perca em meio a sua loucura, mas que se permita sonhar. O Vasco de hoje acabou com os nossos sonhos.

E dentro de campo, qual deve ser a cara do vasco?

O Vasco revelou os três maiores artilheiros da história do campeonato brasileiro: Dinamite, Romário e Edmundo. O Vasco possui até hoje o maior artilheiro brasileiro em uma única edição de Copa: Ademir Menezes, com nove gols em 1950. A história do Vasco é gol, é futebol alegre e ofensivo. O Vasco é o Edmundo, é o Denner, é o Romário. O Vasco não é três volantes. O Vasco trancado e medroso deve ser eliminado, riscado do mapa. Temos que acabar com isso.

O Vasco precisa implantar uma filosofia ofensiva, buscar jogar assim. Precisamos dessa marca, porque essa é nossa história. Para isso é preciso escolher um treinador alinhado a essa filosofia. Isso deve ser pré-requisito para trabalhar na Colina. Não sabe jogar pra frente? Então tá fora, nem deve sentar para conversar. Quer jogar pra frente? Então tá na filosofia do clube, pode ser contratado.

Encantar é melhor do que ganhar. Se você ganha você gera alegria, se você encanta você gera orgulho. A alegria é momentânea, o orgulho é perene. Ganhar encantando então é a marca do sucesso, é o ápice de um trabalho bem realizado. O Vasco deve voltar a encantar.

Para completar, não poderia deixar de falar do trabalho de base. Vasco revelou Romário, Geovani, Mazinho, Edmundo, Roberto. São incontáveis os craques que surgiram de nossa base. Ter uma base forte é nosso sustento. Metade do nosso time deveria ser de jogadores formados na base. Hoje, mesmo sucateada, nossa base revelou Kardec, Coutinho, Alex Teixeira, Souza, Allan e por aí vai.

É preciso resgatar isso. Qual o melhor trabalho de base do Brasil? O Vasco tem que ser melhor do que esse. Essa é a obrigação do Vasco e não se pode descansar enquanto não se conseguir cumprir com essa obrigação.

O Vasco precisa ser bravo, ser justo, ser gigante, jogar para encantar e ter base. Essa é a cara do Vasco.

O vascaíno precisa entender sua identidade. Precisa reconhecer no clube os valores que ele defende no seu dia a dia. E o clube precisa ser exemplo para as pessoas.

O Vasco gera orgulho e o orgulho gera o Vasco. Uma coisa leva a outra e isso que vai nos sustentar enquanto nação.

Ganhar em campo é consequência de uma bola na trave que quica na linha e entra ou não. Ganhar em alguns casos é fortuito. Ser forte para ganhar é obrigatório, mas a vitória em si não, pois não é algo que se pode controlar.

Agora ter valores, isso sim o Vasco pode controlar e isso que devemos buscar.

O meu candidato a presidente será o que entender mais o conceito do que é o Vasco.

Eu não quero só amar esse clube, eu quero ter orgulho dele.

Orgulho não pelo que ele foi apenas, mas pelo que ele pode ainda ser.

Essa é nossa marca.

Por um Vasco sempre Gigante!

Twitter: https://twitter.com/hfloret

E-mail: hfloret@gmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/helderfloretvasco

 

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2 pensamentos sobre “A nossa cara

  1. Em campo, o Vasco é um clube ofensivo por natureza, mas aí eu já acho mto complicado sustentar essa identidade com a crise financeira q atravessamos há anos. Time sem grana, elenco horroroso, q luta sempre pra não cair, tem q jogar é na defesa mesmo. Se for pra frente, como o Boboval tentou fazer ano passado, é fumo. Isso eu não vejo como resolver, apenas reerguendo a situação econômica do clube.

    O Vasco é, acima de tudo, povo. E esse Vasco de hj faz um esforço pra cagar cheiroso do cacete, se afasta de sua base. A gente precisa se agarrar a essa coisa de clube do povão, q tem q valorizar essa parcela da torcida. Tem q ter Vasco pra todo mundo, pra todos os gostos, mas a base é o povão, q é de onde viemos. O Vasco é a birosca com ovo colorido, cotovelo no balcão engordurado e o santo protetor no altar. Não somos o Belmonte.

    Tem dois textos sobre a Copa do Brasil 2011 com trechos q definem a forma q eu enxergo o Vasco e o vascaíno:
    “O vasco-joão-bafo-de-onça saiu de cena, voltou o mestiço simpático que lutou contra o preconceito, que encarou a humilhação de frente; o vasco popular, de lapis atrás da orelha, mordendo a coxinha no boteco ou na padaria. O Vasco sempre foi o mais povão dos times cariocas, o menos elitizado, o mais barriga na bancada, palito na dentadura. E sempre foi assim com orgulho, cuspindo farofa e sorrindo, sem medo de suas origens.” http://globoesporte.globo.com/platb/gustavopoli/2011/06/09/o-expresso-do-alivio/

    “Vinham chegando, aos montes, os vascaínos. Ríamos muito, eu e Simas. Chinelo de dedo, bermuda verde-limão, camisa do Vasco e uma touca amarela – um deles. Meião do Vasco, sandálias Havaianas, um short cor-de-rosa e a camisa do Vasco – outro deles. Um jagunço que bebia na área veio me cumprimentar – “Boa noite, doutor delegado!” – e era meu terno e gravata me dando uma aura de autoridade. Ali só havia a ralé que me emociona, os desalmados, os desgraçados, os escriturários, tarados, loucos e sanguinários (apud Aldir Blanc) que bebiam seu tragos a fim de acalmar o coração cravado na colina.” http://butecodoedu.wordpress.com/2011/06/09/a-turma-e-boa-e-mesmo-da-fuzarca/

    Esse segundo texto, especialmente, apesar de escrito por um torcedor do rival, é o q mais me emociona qdo fala de Vasco. Como esse mesmo sujeito escreveu outra vez: ” O Vasco é o povo. O Flamengo é a massa”.

    Desculpe pelo testamento e SV.

  2. Meu amigo Helder: jamais vou exagerar em um comentário.Eu me nego terminantemente a fazer isso e é justamente para evitar o exagero que vou descrever minha opinião: EXCEPCIONAL!!! Aceite um abraço do MPiragibe,apenas um modesto associado Vascaino e ex-PHD.

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