O planejamento e a vesícula

vesiculaQuando se fala de planejamento com referência ao que é feito pela atual diretoria do Vasco, temos que puxar pela memória de quisermos lembrar de um trabalho bem feito. Sendo bem legal com a gestão Dinamite, podemos dizer que o ano de 2012 teve um bom planejamento, pelo menos até a discutível eliminação da Libertadores pelos marsupiais fedorentos. Depois disso, o que vimos foi uma sucessão de erros (tivéssemos ou não Rodrigo Caetano á frente do futebol do clube).

A própria saída do Caetano, a incapacidade de manter a base do time de 2012, a pretensão de montar uma equipe competitiva com refugos de outros clubes, as escolhas de técnicos discutíveis e as ainda mais discutíveis demoras em demiti-los quando estava mais que comprovado que não conseguiam trazer resultados…Essas decisões equivocadas foi o que os vascaínos viram em sequência depois daquele fatídico gol perdido por Diego Silva nas quartas-de-final da Liberta em 2012. Tivesse ele marcado aquele gol, talvez nossa história recente fosse completamente outra.

Mas pensando no que a diretoria poderia ter feito e não no que poderíamos ter conquistado e não conseguimos, vimos 2013 ser jogado no lixo por conta da falta de um melhor planejamento a longo prazo. O problema é que, tornando-se realidade nosso segundo descenso, os responsáveis pelo futebol vascaíno continuaram mostrando que planejamento não é a deles. Rodrigo Caetano foi repatriado e com ele conseguimos alguns reforços de um nível que poucos torcedores acreditariam ser possível para uma disputa de Série B.

Mas como explicar a manutenção do Adilson Batista? Que não se coloque sobre seus ombros a responsa pelo rebaixamento, mas o que faz alguém acreditar que ele seria um bom nome para o resto do ano? Ainda que ele tenha sido responsável pela melhor campanha em uma década no Carioca (merecia inclusive o título, já que o perdemos na costumeira mão grande dos nossos estaduais), o começo do Brasileiro mostrou que Adilson não conseguiria fazer o elenco que tinha em mãos render tudo o que poderia.

O Vasco estava mal na Série B quando o país parou por causa da Copa. Era o momento certo para substituir o técnico e dar tempo para um novo treinador iniciar seu trabalho. Mas o que aconteceu? Caetano bancou a permanência do Adilson, protelando o inevitável e prejudicando nossa campanha na competição até a humilhante derrota, dentro da Colina, para o Avaí. E vale lembrar que, para o homem forte do futebol no Vasco, ainda havia dúvidas se a demissão do Adilson era o melhor a ser feito.

Não era mesmo. O melhor era que isso tivesse sido feito meses antes. A escolha do Joel como novo treinador só reforça esse fato: pra trazer uma figurinha carimbada, tanto fazia ser antes da Copa ou depois de uma goleada humilhante em casa.

Todo esse papo sobre planejamento é apenas para falar sobre a operação do Natalino. Necessitando uma cirurgia repentina, Joel – que com toda razão já reclamou de não ter conseguido tempo para comandar um coletivo com o grupo – perderá a rara semana livre que teria para trabalhar com o time. Pode-se culpar o azar, dizer que a diretoria não tem ingerência sobre a vesícula do técnico, mas é como dizem, “a sorte acompanha os competentes“. A diretoria teve, no barato, duas chances para buscar um treinador que pudesse conduzir o time por esse ano terrível e refugou nas duas: a primeira, ao mantê-lo no cargo logo no começo do ano; a segunda, quando houve a parada para o Mundial. Tivesse a visão para avaliar que o Adilson – que ano passado comandou uma equipe na Série B que só arrancou para conquistar a vaga na elite após a sua saída – não era o melhor nome para a função, a equipe poderia estar numa situação muito mais tranquila no Brasileiro. Mesmo que a escolha, lá em janeiro, fosse pelo Papai Joel, a essa altura ele já conheceria o elenco de trás pra frente. E certamente não estaríamos mais preocupados com a diferença de pontos para o quinto colocado da Série B.

Agora, Joel terá mais um tempo para justificar possíveis falhas no seu trabalho. A falta de treinamentos certamente atrapalha a preparação do time que considera ideal, e como sua internação o impedirá de ter uns dias a mais para ajustar o time, a justificativa, e pior, as possíveis falhas da equipe ficam valendo por mais um tempo.

A diretoria não teria como planejar a saúde do Joel. Mas se o planejamento do clube fosse feito de forma mais competente, não seria nenhuma vesícula que serviria para ampliar o prazo de validade das desculpas para o Vasco não deslanchar no Brasileiro.

Anúncios

Concorda, discorda, gostou? Opine você também.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s