Que Vasco você quer?

Vasco 3x1 Manchester United - 2000

Recentemente, Julio Brant, postulante à presidência do Vasco declarou, em entrevista, que seu objetivo para o clube é resgatar a grandeza da instituição. “Eu quero o Vasco campeão mundial todo ano. Eu quero que o Vasco esculache o Bayern. É possível”, disse o candidato.

Enquanto escutava o programa, pensei com minha Cruz de Malta ao peito: “Ora, pois. É o que quer todo vascaíno.” Mas, lendo comentários em redes sociais e manifestações acerca da declaração, sobreveio-me a pergunta: é mesmo?

Sem a ciência exata da estatística e a precisão matemática da análise quantitativa, fiquei com a impressão de que há uma leva de torcedores que encaram a proposta acima como eloquente loucura. E talvez, esse seja o pior do legado que nos deixam as recentes gestões do Clube.

Ao que tudo indica, uma legião de cruzmaltinos percebe longínqua a glória que sempre nos foi companheira fiel. Para estes, é tão natural um Vasco coadjuvante em disputas nacionais quanto surreal um Gigante da Colina a fazer frente aos escretes internacionais de ponta.

Em suas ideias deturpadas pelo passado recente, não figura a imagem de um Vasco teimoso, que se recusa a apequenar-se ante um Real Madrid de Raúl e Roberto Carlos, em derrota que, vitória fosse, não teria nem uma nesga de absurdo.

Não lhes parece possível vislumbrar um Vasco que dentro do Monumental de Nuñez, repele seu anfitrião com um impiedoso 4×1 frente ao temido River Plate, em plena semifinal continental.

Imaginam somente, tal e qual a um sonho, a miragem de um Vasco que desmoraliza a camisa vermelha do Manchester United sob o olhar delirante de um maracanã lotado.

Um Vasco que por três anos subsequentes levanta o tradicional troféu do verão europeu, Ramon de Carranza, derrubando adversários como Atlético de Madrid, Sevilla, Nacional (URU), Peñarol (URU), dentre outros.

Acostumados que estão a Edmilsons e Bernardos da vida, ignoram que os três maiores artilheiros do campeonato nacional em todos os tempos surgiram ali, na General Almério de Moura.

Está aí, companheiros, nosso maior perigo. Acostumar-se à condição acanhada de hoje é abrir a porta, em despedida, para a magnitude de nossa história.

Não. Eu não acho bom que meu uniforme seja feito por uma empresa que só fornece a times de menor expressão que o meu.

Não. Eu não acho bom ser líder de um campeonato da segunda divisão.

Não. Eu não acho bom reforços que chegam dispensados de seus clubes.

Isso tudo pode ser uma imposição ocasional. Mas é pouco. E mais que ser pouco, deve ser visto, sabido, encarado e compreendido como pouco para quem, de fato, conhece o que é o Vasco da Gama.

Eu quero, sim, ver o Vasco esculhambar os grandes europeus. Eu quero o Vasco na Libertadores ano após ano, entrando em crise se eliminado na semifinal. Eu quero gritar que no Rio ninguém vence o Vascão.

Se é possível? Tem que ser. E se não for, que então acabe-se com essa paródia leviana no que nos transformamos hoje. Prefiro ser apenas um saudosista a viver do passado do que imaginar o futuro sombrio que nos aponta esse presente tão infeliz.

E você, que Vasco você quer?

Sem ironia

A mim, parece muito claro que não havia a necessidade do Vasco atuar jogos com uniforme “provisório” pelo gap de tempo causado entre o fim de contrato com a Penalty e o contrato com a Umbro (ou o que restou desta marca. Mas isso é papo para outro post…). Um planejamento muito raso impediria que as coisas acontecessem dessa forma.

Contudo, diante do cenário atual, descontadas as críticas justas, é de louvar-se que o departamento de marketing ainda tenha voz para atuar com o mínimo de racionalidade e estratégia já ao apagar das luzes da administração vigente. Esperar para lançar a nova camisa somente após as lojas terem recebido as peças, realizar ações teasers para estimular a vontade de aquisição, organizar algum burburinho pela chegada do novo fardamento vascaíno e estreá-lo em jogo de fim de semana em casa são ações básicas para tentar aproveitar a paixão da torcida e a compra por impulso.

É básico. Mas vale o registro. Porque, no Vasco de hoje, infelizmente, quem faz o óbvio merece receber os parabéns.

Twitter: @freud_ironico

Freud™ Irônico é o alter ego virtual do publicitário Raphael Santos.

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3 pensamentos sobre “Que Vasco você quer?

  1. Eu quero sim um Vasco forte, um Vasco que é temido, que bate e frente quem quer que seja… Quero um Vasco do tamanho da paixão da sua torcida… E aos que acham que é loucura ou burrice sonhar demais, digo que só avançamos quando pensamos além; nós temos o poder que sismos ter, e não o que nossos adversários dizem que temos. Quero ter o melhor time, e terei se eu achar ser possível. Um Vasco gigante como sua história!!

  2. Quero, sim, o Vasco bradado por Julio Brant!!!! Porque não??
    Quem acompanhou o Vasco da década de 90, como eu, ficou “mal” acostumado com as glórias e doutrinas impostas aos rivais!!
    É esse Vasco, ou mais, que eu quero… que nós precisamos!!!
    Saudações Cruzmaltinas!

  3. Eu quero um VASCO Gigantesco, estraçalhando tudo o que é rival, ganhando tudo o que dispute, e principalmente, que volte a ser respeitado por todos: Mídia, torcedor rival, rival, etc…

    Saudações Vascaínas.

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