Os clubes precisam se unir para…

escudos-futebol-brasileiroPara reduzir os salários dos atletas, para reduzir os gastos com federações, para ampliar os ganhos com televisão, para exigir melhores árbitros, para checar exatamente o tamanho das torcidas, enfim para tanta coisa que podemos passar o dia enumerando.

Para desgraça deles mesmos, sua principal razão de existência, a competição, escorre dos gramados, chegando aos dirigentes e com ela se esvai qualquer chance de união. Dirigentes amadores torcedores querem a desgraça do rival, sem enxergar que a desgraça deles é também a de si mesmos.

O mal que aflige o rival se volta contra o próprio clube. Fragilizados e fragmentados, inclusive entre eles mesmos, e aqui o Vasco com seus partidos políticos internos é um belo exemplo, são alvos incrivelmente fáceis de partes unidas para obter mais dinheiro.

Aqui entram atletas, empresários, a Globo, empresas de material esportivo, pais de atletas, federações, CBF, concessionárias de estádios. Todos estão unidos e unidos atropelam os clubes sem piedade. Estamos vendo esse atropelamento diário.

Federações riem dos clubes quando recebem suas comissões de renda, CBF dá gargalhada quanto pega o Dedé para um showzinho em Londres, a Globo cai no chão rindo quando oferece uma esmola para pagar a luz em troca de renovar o contrato sem concorrência por mais 17 anos. A lista não tem fim.

Atletas, que tanto reclamam, e eles estão certos em reclamar, se beneficiam dessa fraqueza de clubes. Não precisamos lembrar o valor estratosférico de seus vencimentos mesmo associados a clubes falidos. Certo que eles recebem com atraso e na Justiça, mas convenhamos que os valores que ganham, se estivéssemos num ambiente saudável, jamais existiriam. Ou alguém acha razoável uma empresa falida aumentar o salário exponencialmente de seus empregados.

Mas a rivalidade amadora dos clubes impede que seus dirigentes sentem à mesa e aproveitem o pleito dos atletas para salários todo dia 5 para definir um teto salarial viável. Em vez disso, os clubes fingem que o Bom Senso não existe e perdem a chance de reduzir gastos.

Claro que é preciso saber exatamente se dirigentes e atletas estão em lados opostos. Quantos dirigentes recebem comissões sobre os salários dos atletas? Estariam eles interessados em alterar essa lógica? Talvez com salário menores e mais organizados, os atletas rejeitassem repassar essas hipotéticas comissões. Longe de mim afirmar que isso ocorre. É apenas uma hipótese. Não acusação.

Aí entramos noutra esfera que é a falta de dono num clube para repelir tais movimentos. Numa empresa privada ou estatal essa prática é coibida com a demissão do dirigente, mas num clube ninguém se importa ou até mesmo é possível que o dono do momento, o presidente, também receba esses agrados. Aí complica geral. Por isso defendo a venda do clube.

Mas isso é assunto para outra coluna. Voltemos à união dos clubes. Federações e CBF não brigam. Formam um sindicato coeso, apátrida, que usa sua força contra os clubes. Atolados em dívidas, clubes aceitam impávidos tudo que esse sindicato defende.

A Ferj criou um estatuto para punir o Vasco, caso seus dirigentes reclamem do fracasso do estadual. O dono do campeonato não pode reclamar de nada. Fosse o Estadual um sucesso, eu até entenderia. Faz sentido um membro não afrontar o grupo. Mas é um fracasso retumbante desde 1995!

Os clubes precisam se unir imediatamente para mudar isso. Disputar um torneio semi-amador durante cinco meses. Enquanto brincam de jogar bola em Madureira para agradar o presidente do sindicato de clubes e, em ultima análise, agradar o dono do sindicato dos sindicatos, a CBF, enquanto isso as dívidas consomem os clubes, que minguam.

A Ferj ainda impinge os clubes com tarifas altíssimas em troca de nenhum serviço. O Globo de domingo mostra a taxa de R$ 20 mil por jogo e 5% da renda para receber em troca nada. Um escárnio.

A CBF, mãe das federações, oferece trios de arbitragem formados por dentistas até hoje. Uma vergonha. Como pode ser alto nível se o cara no dia seguinte ao jogo, em vez de estudar a partida, erros e acertos, conserta dente?

Mais uma vez os clubes fingem que não é com eles e vida que segue. Qual a dificuldade de um grupo de 20 clubes formar um sindicato coeso e exigir um árbitro com salário mensal e especialização constante?

Desfiliação imediata da federação e da CBF. Não precisa ser 20 clubes. Na Inglaterra, os cinco maiores se uniram e deram adeus à CBF deles. No dia seguinte, todos os demais seguiram. Ou vocês imaginam um campeonato sem Vasco, Flamengo, Palmeiras e Corinthians? Se quatro saírem acabou a CBF.

Por que diabos eles não saem? A meu ver porque seus donos, isto é, a nata que comanda há 40 anos essas entidades pessoalmente esta bem de vida. Algo faz esses 60 e poucos caras acharem que a situação está boa. Longe de mim afirmar que é dinheiro, afinal são todos amadores. Mas que algo faz eles acharem que está tudo bem disso eu tenho certeza. Não sei o que é. Deixo a vocês leitores a resposta. O que passa na cabeça de dirigentes para acharem que está tudo bem? Eu não sei. Confesso.

 

 

 

 

 

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