Um ponto incômodo

joel_adilsonAfinal, o copo está meio cheio ou meio vazio? Poderia estar pior, dizem os otimistas. Mas não melhora, retrucam os pessimistas. Tudo na vida tem dois lados.

Desde que o futebol adotou a bonificação de três pontos por vitória, o empate tornou-se uma questão de ponto de vista. Soma-se um ponto, defenderão os esperançosos. Perdem-se dois, replicarão os mais céticos. A substituição no comando do escrete vascaíno, contudo, não modificou em nada esse ponto controverso. Seguimos abrindo mão do protagonismo. Ponto a ponto, vamos nos acostumando a sermos mais um. E para nós ser mais um, é ser menos. Bem menos.

Adilson Batista ostentava apenas quatro derrotas na temporada, até a insustentável goleada promovida pelo Avaí. Se estatisticamente era um feito invejável, a realidade era menos garbosa. Com 19 empates em 45 jogos (a maioria contra equipes consideravelmente menores), Adilson foi o mentor de uma equipe que não se impõe à medida do que exige sua camisa.

Se trocasse seus oito empates na série B por três vitórias e cinco derrotas, Batista chegaria à 19ª rodada na condição de líder isolado, reduzindo o “patrulhamento” e a “contestação” de que tanto se dizia vítima.

No campeonato Carioca, noves fora o crasso (e decisivo) erro da arbitragem, foi novamente com dois empates que Adilson nos relegou a mais um vice.

Na Copa do Brasil, com um empate em casa frente ao inofensivo ABC, pavimentou o caminho para mais uma desonrosa eliminação, concluída sobre o comando de outrem.

Vão-se os anéis, ficam os dedos. E pouco precisamos para atestar que o carisma de Joel não veio revolucionar os pontos que seu antecessor solidificou. São três jogos. E já temos mais empates do que vitórias.

Se no discurso, o papai quer que o Vasco decole na competição, na prática ele mantém o freio de mão puxado. Jogamos de maneira extremamente defensiva, dependemos excessivamente de um jogador irregular para criar e atacamos quase que obrigados pelo peso de nosso uniforme.

Já somos os recordistas de empates entre todas as divisões do futebol nacional. E nossa chefia segue realçando a importância de “somar pontos”, enaltecendo placares ínfimos. Demonstrando, em suas analogias folclóricas, a incompreensão de que não existe bom resultado na série B. Somente a tragédia por lá estar.

Falta-lhe entender que enquanto 19 equipes lutam por um título, nossa luta é para reparar os estragos à dignidade de nossa história. Que, em nossa situação, ganhar não quer dizer nada. Mas não vencer, significa muito. Que pela sede da torcida, o copo ainda há de ficar um bom tempo meio vazio.

Que Joel, enfim, não o esvazie mais.

Kleber irônico

Ao fim da partida frente o tacanho Oeste, Kleber lamentou os pontos perdidos em dois jogos fora de casa que o Vasco realizou. Não reparou ele que a Arena Amazônia esteve mais para caldeirão vascaíno do que para campo adversário.

Gladiador, considerar que não jogou em casa, neste caso, é sinceridade ou ironia?

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Um pensamento sobre “Um ponto incômodo

  1. O que mais incomoda em tudo isso é o Vasco está perdendo seu protagonismo a cada dia.. São tempos difíceis!

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