Até que o BID nos separe

Pedro Vera
A grama do vizinho é sempre mais verde. Existe, no Brasil, uma supervalorização dos jogadores estrangeiros. No Vasco, não é diferente.Irrazábal chegou para resolver o problema na lateral-direita. Chaparro e Abelairas eram os novos Conca. Vergara era o novo Gamarra. Dudar era o novo Vergara. Jadson Vieira era o novo Dudar.

No final de 2008, após o rebaixamento, o Vasco passou por uma reformulação grande e fechou com dois gringos de uma vez. Criou-se, como sempre, grande expectativa de vermos a dupla em ação pelo Gigante da Colina.

Estava perto do Natal, época de renovarmos nossas esperança e todo aquele velho discurso de otimismo. Entrei no elevador do meu prédio e encontrei com um vizinho vascaíno, bem coroa. Tivemos o seguinte diálogo, que começou com a ele:

– Dizem que esse gringo que chegou ao Vasco agora é bom de bola.

 

Não esperava que ele acompanhasse futebol tanto assim. Um pouco surpreso, arrisquei:

– O Benítez?- Não. Esse aí veio de contrapeso. O outro que é bom de bola. Dizem que é melhor que o Guiñazu (na época, o Pitbull era considerado por muitos o melhor volante do Brasil).

Agora, eu desafio você, vascaíno, a lembrar desse jogador. Dica: ele é paraguaio e disse que queria chegar à seleção de seu país com a passagem pelo Vasco. Na apresentação, ele também falou que era um jogador de “muita recuperação, pegada e que também saía pro jogo”. Depois dessa entrevista e da constatação do meu vizinho, eu tinha certeza que estava nascendo ali um novo craque vascaíno.

Aos que ainda não recordaram (e não se cobrem por isso), o jogador em questão é Pedro Vera. Toda semana eu tinha a expectativa de ver sua estreia. “Ele está se adaptando”, pensava eu. Lego engano. Ele passou alguns meses no clube e não fez nenhum jogo pelo Vasco.

A cada nova contratação vinda de fora, milhões de vascaínos ficam esperançosos. Na safra atual, Montoya é um exemplo de frustração que temos passado. O colombiano não é ruim de bola, mas está longe do que esperávamos naquelas longas semanas de aguardo para a publicação do seu nome no BID.

Além dele, temos outros quatro latino-americanos: Martín Silva e Guiñazu talvez sejam os mais regulares do Vasco em 2014. Maxi Rodríguez é bom, mas não acredito na permanência dele em 2015. Aranda é uma aposta justa, mas que não vingou. Já tivemos safras piores de gringos. Fato é que, além do inglês, Papai Joel vai sair com uma terceira língua no currículo.

É necessário que o trabalho do (bom) olheiro seja levado mais a sério no Vasco (e no Brasil).

E uma dúvida: quem será que disse pro meu vizinho vascaíno que o Pedro Vera era bom de bola?

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4 pensamentos sobre “Até que o BID nos separe

  1. Ótimo texto, me identifiquei muito pois eu sempre fico nessa expectativa dos gringos arrebentarem e sabendo que é um pensamento incoerente eu ainda insisto. Nunca vi o Montoya fazer nda alem de alguns dribles e toda vez que ele é escalado ou entra no jogo eu penso, -agora sim! agora vai!

    Mania besta.
    (só faltou lembrar nessa lista o M.Pinilha)

  2. Se ele era bom de bola nós não sabemos, não tivemos a oportunidade de vê-lo em campo. O Benitez era um bom jogagor, e teve pouquíssimas chances. Em 2009 o Vasco era uma panela que só, esses estrangeiros foram preteridos a vida toda. E olha que nosso 1° volante era o Amaral!

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