Douglas: nem tanto, nem tão pouco.

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Ele não era o fenômeno por quem você sonhou noites a fio. Ninguém pensou em helicópteros em sua chegada, nem você cogitou ir a São Januário para avistá-lo vestir a camisa cruzmaltina. Em várias partidas, ele te embala o sono com sua sonolência. E invariavelmente você o espinafra. Seja da arquibancada. Seja à frente da televisão.

Esse é Douglas. A quem coube a camisa 10, honrada outrora por nomes como Dinamite, Bismarck, Edmundo. Jogador que nos chegou sem pompa, com viés de baixa, mas que afirmo, sem ironias: é o mais importante atleta de nosso elenco atual.

Aos claudicantes vascaínos, sugiro apontar, nas próximas pelejas, o olhar à direção dele. Repare sua postura, participação, atitude e disposição. Mantenha sua perspectiva sobre Douglas por um bom tempo e, em seguida, amplie-a para todo o time. E você há de compreender-me.

Sem ser o craque que tanto desejamos, Douglas é o epicentro do time. É notório que a bola sente-se mais confortável com ele do que com os demais da série B. Por isso, quando a pelota e ele resolvem afinar suas intimidades, o Vasco costuma sobrepor-se sem dificuldades aos adversários.

Contra o exótico Luverdense, os gols saíram de seus pés. No escanteio que culminou com o gol de Rodrigo. E no desconcertante passe de primeira para Maxi Rodíguez. Ademais, um córner venenoso e um passe primoroso para um quase-tento de Kleber. Se não foi brilhante, Douglas funcionou à exata medida do que precisávamos. E o Vasco, seguro, desconheceu o já ignoto time mato-grossense.

Assim tem sido. Ao êxito de Douglas, segue-se o triunfo do time. À mesma proporção que seu revés, quase sempre, sucede contratempo da esquadra. Os números, via FootStats, atestam isso. No Brasileiro, Douglas lidera os fundamentos de passes, assistências (com extrema folga), finalizações, cruzamentos, dribles e, inclusive, gols. Ou seja, a bola carece passar por seus pés. E a forma como ela sairá deles, se majestosa ou oblíqua, decreta o desempenho do escrete.

Pela sua idade, com viagens cansativas e o velho calendário atropelado, são naturais e esperadas atuações irregulares. Em um mundo ideal, o banco contaria com um suplente à altura. Algum talento da base ainda em formação, a atuar nos momentos finais de um jogo, em uma ou outra partida de caráter menos decisivo. Capaz de cadenciar a bola, arriscar um lançamento, ousar um passe imprevisível. Na realidade dura de hoje, não temos. Por isso, convém prudência nas análises e um punhado de justiça na distribuição das críticas.

Dada a conjuntura atual, é pouco provável que Douglas venha a ser um ídolo perene do clube. Todavia, no contexto, é o único a nos oferecer a modesta chance de aspirarmos algo de bom durante os jogos. Parece tão pouco para quem se acostumou à abundância de ontem, mas é tanto para quem enfrenta a escassez de agora.

Germano irônico

Em recente entrevista, nosso preparador de goleiros, Carlos Germano, afirmou que já pedira a titularidade de Jordi em, pelo menos, quatro oportunidades. E que o técnico anterior é quem recusava. Só que…

Não era o próprio Germano quem bancara, até pouco tempo, Diogo Silva no gol, com elogios reiterados sobre o atleta? Não foi ele mesmo quem, no caótico ano de 2013, defendeu Diogo, Michel e Alessandro, reclamando, inclusive, quando tentaram a contratação de outro arqueiro sem consultá-lo?

Ó pá, Germano, conta pra gente: os elogios a Diogo Silva eram verdade ou  ironia?

@freud_ironico

Freud™ Irônico é o alter-ego virtual do publicitário Raphael Santos.

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5 pensamentos sobre “Douglas: nem tanto, nem tão pouco.

  1. Infelizmente o ex-pior técnico da série B desperdiçou um tempo enorme, em não procurar uma outra forma de jogo para não depender de um jogador 20×80 ( 20 acertos 80 erros ). Penso, e espero estar errado, que é inadmissível um time ter essa dependência.

    Saudações Vascaínas.

  2. Realmente, quando o Douglas tá inspirado o Vasco é outro time! O dia que ele tá no dia dele, coloca a bola onde quer! Infelizmente, por todos esses problemas citados acima e tbm pelas características dele, ele as vezes some por uns 2 ou 3 jogos.
    E infelizmente não temos um reserva a altura! Eu acho que o Maxi pode fazer a msm funçao, com um pouco menos de qualidade mas com mais presença em campo.
    Sobre esse lance do Diogo, se tem algo que realmente irrita no futebol é essa “falsidade”! So um cego não via que os goleiros do ano passado não serviam, mas publicamente todo mundo defendia! Só um cego não via que o Jordi era a melhor opção pra reserva imediata do Martin, mas em publico TODO mundo confia no Diogo msm vendo ele falhar jogo após jogo! Todo mundo via que o time não aguentava mais o Adilson e mesmo assim eram sempre defendido! Se defendessem menos e agissem mais, talvez a situação não tivesse chegado ao ponto que chegou.
    SV

  3. Sobre o discurso do Germano e por tudo quem tem saído eu acredito: publicamente ele precisava apoiar, porém sempre foi contrário. Precisava passar confiança ao “escolhido” para a posição. Mas sempre teve sua escolhe preterida por conta da imposição da escalação do Diogo.

    Enfim, viramos esse capítulo.

    • Felipe, eu tendo a concordar com você. Meu ponto é que Rodrigo Caetano fala algo publicamente e, nos bastidores, age de outro jeito. Germano fala algo publicamente, mas nos bastidores age de outro jeito. Penso que cabe a cobrança para termos um Vasco mais alinhado entre o “publicamente” e os “bastidores”. Valeu pela leitura e pelo comentário. Abraços.

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