Pode To Be?

joel-santa-oculos-480-André-Portugal-VIPCOMMJoel Natalino Santana, 65 anos, ator e treinador.

Ou seria treinador e ator?

O fato é que depois de ter caído no ostracismo e passado a aceitar ser ridicularizado na TV para ganhar alguns trocados, Joel volta ao cenário treinando  um time grande. E como não poderia deixar de ser, o Vasco.

Qual outro time grande daria chance para o Joel nesse momento?

Joel sempre foi muito mais malandro que estrategista. Sempre foi muito mais colecionador de histórias que colecionador de títulos. Fora um brasileiro e uma Mercosul assumindo o Vasco já na reta final, todas as suas outras conquistas são estaduais ou torneios menores. Joel é especialista em ganhar clássicos, em levar na barriga. Conhece o carioca como ninguém, tanto o povo quanto o campeonato.

A questão é: até que ponto a fórmula do papai Joel ainda funciona? Até que ponto ainda se vence com um dobermann na defesa e um chuchu no ataque? A fórmula do Joel parece velha. Hoje em dia os treinadores não são boleiros, são professores. Falam com linguagem impoluta e absorveram outras funções. Hoje um treinador planeja o elenco, orienta a base, se mete em contratação, se associa com empresário. Um treinador é um manager, como dizem os ingleses.

Hoje em dia há software para tudo. Há estatísticas, dados, gráficos. Há tablets modernos, celulares de última geração.

Joel ainda tá na prancheta.

Os tempos modernos parecem ter deixado Joel para trás. Entre uma caricatura falando um “embromation” e uma participação no Zorra Total, Joel foi se deteriorando.

Os últimos anos foram mais cruéis ainda com ele. Trabalhos fracos em sequência e algumas demissões até ficar fora de vez do circulo de treinadores importantes do nosso futebol.

O Vasco não vive momento muito diferente. De gigante de outrora a gigante adormecido. De clube prioridade para todos os jogadores do mercado a hoje uma das últimas opções na prateleira dos grandes do nosso doméstico esporte bretão.

A primeira opção do Vasco não foi Joel, foi Enderson Moreira. Treinador moderno, com fala complicada e visão de professor. A primeira opção do Enderson não foi o Vasco e o acerto não aconteceu.

Joel e Vasco foi o encontro das segundas opções. O encontro dos relegados.

Nessa relação menos e menos pode dar mais? Será que juntando dois problemas encontramos uma solução?

Acredito que Joel dará ao Vasco o que ele precisa esse ano: subir para a série A.

Além disso é incógnita.

O que será do Vasco ano que vem ninguém sabe.

Pensar em só subir para a série A é muito pouco. Vasco precisa de um treinador que vá além disso. Que prepare uma base para 2015, que suba os garotos, que crie um modelo de jogo funcional, que pesquise o mercado em busca de soluções que caibam dentro do nosso orçamento. Ou seja, que garanta não só o Vasco do presente limitado, mas que acima de tudo nos prepare para o futuro.

Joel pode ser esse cara?

Pode to be?

Vasco X Luverdense

E Joel já começou bem pelo goleiro. Não sei se Jordi serve para ser goleiro do Vasco, mas sei que Diogo Silva não serve.

Aliás, depois de ter sido decisivo para o nosso rebaixamento, a mera permanência de Diogo no clube já era um acinte. Mantê-lo como importante opção no elenco então um absurdo completo. Um tapa na cara do torcedor, que Adilson fazia questão de dar apenas para mostrar quem mandava.

Joel foi malandro. Por que complicar o fácil? Se quer o torcedor junto, o melhor é não brigar com ele. Jordi não foi exigido na partida e não comprometeu, o que é sempre importante para quem estreia. Se Diogo Silva passava pânico, Jordi passa esperança. Convenhamos que é um sentimento melhor.

O garoto Lorran também representa essa esperança. Moleque abusado e rápido, entrou no time principal esbanjando confiança e hoje é titular na lateral. Não que os concorrentes sejam grande coisa, mas nesse caso é o óbvio. Se o titular é ruim, que coloque um da base. Ruim por ruim, é melhor um ruim da casa que um ruim de fora. E Lorran é bom.

O jogo em si foi tranquilo. O adversário é fraco, mas qual da série B não é? A questão é que dessa vez o Vasco deixou de jogar contra si. Deixou de disputar com tamanho com o pequeno e passou a controlá-lo. O Vasco não tem que se nivelar à série B, afinal é muito mais que isso.

Vasco tem que jogar a série B com certo desdém, com certa empáfia. Com a marra da superioridade. Não com a arrogância do salto alto, mas conhecendo o seu valor. Se for para ser igual, que busquemos os maiores e não os menores. Que sejamos iguais ao Barcelona e não ao Luverdense.

E o Vasco dessa vez não foi igual. Desde o começo da partida colocou o adversário no seu devido lugar de caça e foi para cima. Agrediu, dominou, venceu com propriedade. O Luverdense não viu a cor da bola. Esse é o verdadeiro desnível entre o Vasco e o resto da série B, desnível que não tinha dado o ar de sua graça até então.

Joel não fez nenhum milagre. Não trouxe a prancheta mágica e reinventou a roda.

Joel fez o simples, passou confiança, tirou o peso dos ombros dos jogadores. Vasco jogou leve, apenas isso. O time não entrou em campo para uma sessão de tortura, mas para jogar futebol e se divertir. O resto foi natural.

Claro que uma mudança sempre traz uma motivação de curto prazo. Com o tempo o que é novo vira comum e o encanto deixa de existir. É aí que entra o trabalho.

Como serão os próximos capítulos?

Só o tempo dirá.

Mas o primeiro foi bom.

Por um Vasco sempre Gigante!

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7 pensamentos sobre “Pode To Be?

  1. Boa noite, como vai?
    Concordo no que se diz respeito ao Joel, mas no que se diz respeito aos técnicos atuais acho que a sua opinião é semelhante a de grande parte do pessoal que acompanha o futebol hoje em dia, e eu discordo dessa opinião.
    Eu, sinceramente, acho que a diferença desses técnicos atuais pra um Joel Santana fica puramente no marketing, na gestão da carreira. Vejo-os como profissionais bitolados. Detentores de muita teoria mas de pouca vivência. São caras cheios de teoria, mas quando chega na hora do “abrem-se as cortinas” não tem cintura pra botar o que sabem em prática. Quando a situação aperta, não sabem trabalhar o ambiente e se recolhem com seus tablet’s.
    Diante da situação atual do clube, que é um barril de pólvora, concordo que a melhor opção realmente foi o Papai.
    Bom, e como sou um cara fácil de se conquistar, embarco na onda da torcida e entoo: UH PAPAI CHEGOU!
    Abraços!

    • PC, não cheguei propriamente a defender os treinadores atuais

      Apenas citei a maneira como eles se comportam no futebol atual

      Abraço

  2. Concordo com as análises. O mercado não oferecia nada diferente do Joel, considerando q o Oswaldo e o Enderson não quiseram. Cada um pode ter suas preferências, mas o Joel não deve nada a Renato, PC(meu preferido), Caio Junior, Jayme, Doriva, Helio dos Anjos, Boboval…

    O Vasco teve opções durante mto tempo, com Enderson, Marquinhos e Kleina desempregados. Não q sejam algo de outro mundo, mas seriam apostas em novas caras, q estão fazendo trabalhos razoáveis por aí. O trabalho do Adilson já era um lixo, mas resolveram esperar, esperar, esperar… Ficamos sem ng.

    Eu tenho impressão de q o Santos só demitiu o Oswaldo pq viu q ficaria sem opção no mercado. Era a mesma situação do Adilson, trabalho fraco, q não passava confiança, mas eles estavam esperando pra ver se engrenava. Qdo viram q o mercado ia ficar ruim pro lado deles, q o Vasco i roubar a última opção, demitiram correndo e nos tiraram o treinador desejado.

  3. Discordo especialmente dos comentários sobre o jogo de ontem! É uma velha discussão muita parecida com a aquela máxima de quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha! É aquela história de que os primeiros colocados do campeonato possuem o mesmo técnico desde o início ou mais da competição e os últimos já trocaram de professores umas 3 vezes no mínimo! Ontem sinceramente vi mais do mesmo nesse série B! Muito parecido com determinados jogos do Adilson! O Vasco se impôs ou o Luverdense marcou escancaradamente em seu campo na busca por contra golpe? Não vi o Vasco se impor, marcar lá na frente, não deixando o adversário jogar! Vi um time bastante retraído, marcando atrás da bola a espera de quem sabe um gol de bola parada! Talvez o Vasco tenha sido ontem perfeito em deixar que esse contra golpes existissem, ou será que a galinha nasceu primeiro que ovo? A única certeza é que continuamos com uma carência abismal na criação de jogadas! Para um time que deve ter tido mais de 60% de posse de bola, assim como em outros jogos com Adilson, o que criamos nesse tempo todo! É somente toque de bola entre zagueiros, volantes e laterais! Não há penetração e criatividade! Estas somente em lances esporádicos…Mas enfim, a estreia do novo treinador foi boa, a começar pela alteração do goleiro…

  4. Caro Helder!!
    Jordi traz esperança mesmo… o único lance em que pudemos “avaliar” seu desempenho foi uma saída de bola num escanteio!!
    Há quanto tempo não víamos um goleiro do Vasco sair numa bola com a segurança do moleque?? A euforia da torcida não foi em vão… concorda?
    Saudações Cruzmaltinas!

    • Concordo sim, Rafael

      Mas isso tem muito a ver também com o sentimento de estar se livrando do Diogo Silva

      Abraço

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