Uma questão relevante

Os problemas do Vasco são tão graves e profundos que a situação da equipe de futebol profissional chega a ser irrelevante, até porque estar na Série B é apenas mais uma conseqüência da tal crise. Se falar do futebol pode parecer uma fuga das questões que realmente importam, falar de um único jogador seria um exercício de total irrelevância.

Nem todos devem se lembrar do Régis, goleiro da equipe do Vasco no Brasileirão de 1992. Era uma grande equipe, possivelmente a melhor do país (entre os que participavam da equipe estavam Bebeto, Luiz Carlos Winck, Bismarck, Geovane, Torres, o atual interino Jorge Luiz e um estreante Edmundo). O ponto fraco da equipe era seu camisa 1: Régis estava no clube há tempos, sempre como reserva do Acácio. Com a saída do titular, negociado para o futebol português, Régis teve a sua chance. Chance essa que foi miseravelmente desperdiçada após comprometer a campanha vascaína no Brasileiro: levando vários frangos em momentos cruciais da competição, numa época em que não se cogitava uma disputa em pontos corridos, os vascaínos tiveram que se contentar com o terceiro lugar, mesmo tendo sido a equipe a fazer mais pontos no geral.

Em 92 o Brasileiro começou em janeiro. Depois da frustrada campanha, Régis não teve outras oportunidades. Foi vendido logo após o campeonato, a tempo do jovem Carlos Germano assumir o gol vascaíno e ser campeão carioca no mesmo ano.

Esse episódio me veio à lembrança por conta das atuações do Diogo Silva, o tal único jogador que poderia ser irrelevante diante do momento que o clube atravessa, mas que falha tanto e tão constantemente que a insistência das suas escalações merece ser comentada. Um dos grandes responsáveis pela campanha horrenda do Vasco no Brasileiro do ano passado, Diogo Silva não teve o mesmo destino do Régis e continua tendo chances em profusão na equipe, independente dos treinadores que estejam no comando do time. Dorival Jr, Adilson Batista e agora Jorge Luiz continuam considerando Diogo a melhor opção para a posição na ausência de Martín Silva. Mesmo que os números mostrem suas limitações: nas 17 partidas em que jogou esse ano, Diogo só não sofreu gol em cinco delas, e isso sem ter atuado uma vez sequer contra times da primeira divisão. Sua média de gols sofridos corrobora a impressão de que tê-lo em campo é certeza de gol para os adversários (17 gols em 17 partidas, ou seja, 1 gol por jogo).

Mas os números não são o que mais prejudicam o Diogo. Ser um goleiro muito vazado pode ser sinal de uma defesa fraca, não é mesmo? Isso é verdade, mas o fato é que o Diogo falha, e falha muito. Ele parece não dominar alguns fundamentos básicos da posição e mesmo nos raros jogos em que não sofre gols ou quando os gols não surgem por conta de um erro individual dele, Diogo comete algum deslize inaceitável. Saídas equivocadas e as recorrentes espalmadas para frente da área são sua marca registrada.

Agora, porque Diogo Silva, mesmo com tantos erros no currículo, segue sendo o reserva imediato para o gol? Há tempos a torcida espera ver o jovem Jordi, um dos destaques das divisões de base, estrear entre os profissionais e Adilson Batista, alegando que o garoto não estava pronto, manteve Diogo como reserva principal por conta da sua experiência. Mas em junho o Vasco contratou Rafael Copetti junto ao Benfica, um goleiro que, apesar de mais novo, já atuou no Internacional e tem experiência no futebol europeu. Será que o Copetti não é experiente o bastante para ser testado numa competição como a Série B? Se não tem, por que o contrataram? Será que a cota de “goleiros não prontos” já não estava preenchida com o Jordi?

O desempenho do goleiro reserva não é, nem deveria mesmo ser, algo de suma importância para qualquer vascaíno atento às questões do clube. Mas quando vemos o rendimento do time com Martin Silva, que é de quase 67%, despenca para 51% toda vez que temos Diogo Silva em campo, e que ainda assim ele é sempre escolhido para jogar, querer entender o porquê dessa escolha passa a ser algo natural para a torcida. Quando um único jogador tem tamanha influência nos resultados de todo o time, ele passa a ser inevitavelmente uma questão relevante.

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11 pensamentos sobre “Uma questão relevante

  1. Lembro bem do Regis. Acompanhei no Maracanã vários jogos daquele Brasileiro de 92. Vi a goleada sobre o Flamerda (4×2) na primeira fase. Vi as falhas nos jogos do Santos e nos dois jogos do Flamengo ao vivo e pela tv a falha nos jogos do São Paulo no Morumbi e do Santos não lembro aonde. Não fomos pra final por causa única e exclusiva desse merda. Foram só na fase final 1 gol contra o São Paulo (0x1) fora, dois gols contra o Santos (3×3) em casa, dois gols contra o Santos (2×2) fora, um gol em cada jogo com Framerda (1×1 / 1×2). TODOS EM FALHAS!!! Seriamos PENTA e os mulambos tri. Quanto ao Diego Souza pagamos 1,5 milhão nessa BOSTA. Melhor emprestar pra alguém pra TENTAR salvar a carreira do rapaz. Todo mundo já viu isso. Todos a mídia já fala isso. Só esse medíocre Dinamite não…

    • Teve um gol de escanteio numa das partidas decisivas contra a Mulambada – acho que o Junior Capacete bateu e o Wink tentou tirar e tal – que foi absurda a falha. Nosso time era muito superior ao Fla e ao Bota…

  2. Ta ai a explicação..

    “Para os membros que estão postando a todo instante o por que o Diogo merda Silva ainda joga no time .Aqui vai a explicação.
    Este merda foi comprado com o dinheiro de um fundo de investimento formado por beneméritos .Esses beneméritos fazem pressão para este verme ser escalado todos os jogos que o Martin Silva não puder atuar .Se ele fica barrado e se transforma em terceira opção esses “ilustres vascaínos” perdem a chance de repassar esta merda pelo menos sem prejuízo aos seus bolsos .Pensar no time é coisa que eles não fazem .Podem esperar que o Joel vai escalar este merda nos jogos que o titular não puder atuar .Espero ter explicado a razão desse filho da puta no nosso gol.”

  3. Realmente, com tantos problemas a gente ter de sempre falar no projeito de goleiro é um problema! Ngm consegue entender o tanto de chances que esse sujeito tem e pq os outros dois nunca tem sequer UMA chance! Não é possivel que ngm no clube veja que ele é ruim e quase sempre prejudica o time com suas atuações péssimas!
    Se o Joel chegar e insistir nele, vou ter certeza que quem escala o Vasco não é o técnico!
    SV

  4. Fala, JC!
    Isso me deixa p.. da vida, cara!!
    Você faz os mesmos questionamentos que eu, quando diz sobre a questão da experiência.Penso: Só tem experiência quem joga! E ele não joga nunca! Alguém precisa, em algum momento, escalar o garoto. Tem que ser em São Januário… pra ele pegar um pouco da pressão da torcida. Tenho certeza que, diante da ansiedade de ver o garoto jogar, ele vai ter créditos da torcida. Que é o contrário do Diogo Silva, que tem o saldo muito negativo.
    Saudações Cruzmaltinas!

  5. De salientar que Regis, em 87 e 88, chegou a ser convocado para a seleção Brasileira, mesmo sem atuar como titular, o que, apesar das falhas no brasileirão/92, comprova que ao menos tinha referências.

    • Régis foi segundo reserva na seleção, na disputa da Copa América de 87. Tinha acabado de chegar ao Vasco depois de se destacar no América-RJ no ano anterior.

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