Independência ou morte.

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Por Marcelo Pinho

Somos conservadores. Não queremos mudar. Defendemos deixar tudo como está em nome de nossa história. Mas precisamos admitir. Somos muito ruins no que fazemos. Nosso negócio é competir e nisso somos péssimos. Um fracasso total. Não preciso chamar dados. Todos conhecemos. Há 15 anos colecionamos causos vexatórios. Por conta disso, precisamos encarar a verdade. Somos muito fracos. Fraquíssimos.

Precisamos mudar tudo. Novos donos. Novos sócios. Novas ideias. Novos tudo. Temos de abrir mão de nosso conservadorismo.  Não temos escolha. Ou melhor, temos: rever nossa expectativa.

Podemos nos aferrar a nossas tradições e adotar a postura que os sobreviventes do América, ou melhor, ameriquinha, como dizem os paulistas, adotam: a piada, rir de si próprio (acho que estamos nessa já).

Argentina e Inglaterra nos dão esses exemplos. São apinhados de clubes pequenos com fãs ardorosos que não sofrem por saber que jamais disputarão títulos. E quando dão a sorte disso ocorrer, sabem que estão diante de momentos ímpares em suas vidas (2011 foi um desses nossos momentos raros).

Atlanta, Stoke City, Sundeland, Excursionistas, Banfield, Lanus, Ferrocarril Oeste. Todos são exemplos do que podemos nos transformar, ou já sejamos, caso não adotemos decisões radicais, revolucionárias.

Temos donos, sócios. Um punhado de senhores que tocam o dia a dia do clube há 30 anos. Redundante dizer que se não conseguiram nada em 15 anos, nada conseguirão em novos 15 anos.

Parênteses. Já pararam para analisar o que seria da nossa história se um banco americano por uma razão qualquer tivesse decidido em vez de investir no Vasco em 1998 optasse por aplicar seus recursos no CDB?  Estaríamos com saudades do bicampeonato de 1987 e 1988. (Olha o Banfield ai de novo.) Será que já não somos o Banfield mesmo?

Não queremos ser o Banfield, imagino. Para isso, não tenho esperanças disso não ocorrer sem a tal mudança completa. Radical.

Ir a Brasília exigir a mudança na legislação esportiva. Acabar com as instituições sem fins lucrativos. Ir na CVM e pedir a criação de instrumentos de investimentos nos clubes. Com isso, aceitar recursos provenientes de qualquer lugar do mundo. Teremos um novo dono? Hoje “O Vasco É Nosso” e isso significa que dividimos uma dívida de R$ 500 milhões (deve ser mais, dada a usual mentira adotada na contabilidade futebolesca).

Conversar com o Bom Senso e negociar. Propor a mudança total nos contratos dos atletas. Criar um teto salarial de modo a reduzir seus vencimentos de forma conjunta com os demais clubes. Propor mecanismos de proteção para o caso de atletas com longos e caros contratos entrarem em depressão e passarem anos recebendo sem atuar (Caso Enrico).

Rasgar nosso ridículo estatuto militar. Adotar votação direta para presidente. Se é que teremos presidente. Vendamos o clube com porteira fechada. Por que não? Os clubes ingleses e alemães são assim. Mas lá só há 4, 5 grandes. Bilionários tratam os clubes como marionete? E daí? Vamos debater isso. Evoluir. Criar regras, regulamentar. Na Alemanha, por exemplo, o controle precisa ser nacional (não vejo economistas liberais acusarem a Alemanha de ser estadista).

Conversar com Globo e exigir mudanças nos horários. A novela não pode mudar, acredito. A audiência dela é maior do que a do futebol e seu custo menor. Negociemos. Apenas 4 jogos serão às 22h e não os 10.

Estimular o fim do monopólio televisivo de transmissões porcas de baixo custo e alto preço para o consumidor. O PFC custa mais do que qualquer League Pass de esportes americanos, que oferecem transmissões em três idiomas e até narradores torcedores de cada time envolvido (incrível, não?).

Falar com a CBF e Federações que não desejamos mais ser seus membros. Desfiliação imediata. Pagamos 10% para a FERJ organizar um jogo, organizado pela Concessionária do Maracanã por outros X%. Nenhuma organizadora pode fazer o mesmo por 5%, 4%, 3%, 1%?

Desfiliação da CBF. Penso, penso e não encontro explicação de por que seguir filiado a esse sindicato. Ele nos concede empréstimos, mas a instituição adequada para essa função atende pelo nome de banco. Usa nossos atletas, não mais porque os nossos são ruins claro, e em troca nos agradecem. Não agradecem, pior.

Temos trabalho e a cada segundo que passa estamos mais distantes de sermos competitivos e ficamos mais próximos do Banfield. Em recente entrevista a um programa de televisão, Leonardo, que trabalhou anos no hoje falido futebol italiano, diz que essa mudança vai exigir 10 anos. É muito. Precisamos acelerar isso. O PIB do Brasil cresceu 25% em 10 anos. O PIB do futebol cresceu 300%. Já as mudanças ocorrem a 0%.

Mentira. As TVs ganham cada vez mais dinheiro, os jogadores ganham cada vez mais dinheiro, os empresários ganham cada vez mais dinheiro, as fabricantes de camisas ganham cada vez mais dinheiro. Não quero dizer nada sobre os dirigentes porque estes são amadores. Nada ganham. Nada?

E os clubes falidos. Tem algo muito errado. Precisamos mudar tudo e isso precisa acontecer amanhã, hoje talvez. Vamos mudar?

Demos uma pincelada geral no estado dos clubes. Pretendo, em próximos convites para escrever aqui, me deter sobre os assuntos mais notadamente. A saber: a reforma política do futebol, a reforma econômica do futebol, a reforma política dos sindicatos dos clubes (Federações, confederação, Bom Senso), a reforma trabalhista do futebol, a reforma técnica dos clubes.

Espero que tenham paciência. Até breve.

Marcelo é vascaíno, jornalista, repórter colaborador do Valor Econômico e sócio da Autografia Editora (www.autografia.com.br)

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