Então é Natal…de novo.

Novos ciclos. Reinicio. Renovar.  Quantas vezes o “começar do zero” nós, vascaínos, já vivenciamos? Ou pelo menos achamos/esperamos que sejam novos ares? Digo isso porque nos piores momentos que estivermos sofrendo, no campo pessoal, profissional, em nossas paixões, nos agarramos nas boas lembranças. Queremos sempre reviver aquele momento de felicidade. Pode ser puro, simples, bobo…o que seja. Aquele que te abre um sorriso no rosto no meio do dia e lhe dá uma amaciada no peito. Um abraço forte, um encontro inesquecível, um elogio inesperado, um beijo de despedida, um gol marcante, um grito de “é campeão”.

O problema é quando as coisas boas de tempos atrás estão tão longes, quase inacessíveis de serem concretizadas no presente ou em um futuro próximo. São memórias de um passado distante. É assim que o vascaíno tem se sentido. Ao fim da lembrança, tudo fica cinza, amargo e sem sentido.

O que fazer?  Pergunta o sofrido leitor ao depressivo cronista na expectativa de uma luz no fim do túnel de São Januário.

É engraçada a escolha nessa semana do Natalino como novo técnico. Não só por Joel Santana ter virado humorista nas horas “não tão vagas” (não treina profissionalmente um time desde maio de 2013) e sim porque justamente há 10 anos, Papai assumia o meu, o seu, o nosso  Vasco da Gama.

Sim, o passado e o presente se misturam. Calma. Nada é fácil. Senta que lá vem história. Em 2004, o Vasco passava sufoco no brasileiro. Correndo risco de rebaixamento e com um elenco limitadíssimo, os dirigentes recorreram a um conhecido salvador da pátria, um bombeiro. Não só do Vasco, mas dos grandes do Rio. Joel é figurinha carimbada e bota repetida nisso.

Joel assumiu após uma derrota de 5. Em casa. Coincidência? Infelizmente não. Em 2004 nos salvamos na bacia das almas – olha o sorriso ao lembrar do gol chorado do Henrique – e meses depois, o boleiro falastrão deu adeus em uma derrota humilhante contra o Baraúnas comandado por Cícero Ramalho. Sim, há 10 anos já existiam os Avaís e ABCs em nossa vida.

Quanto tempo durará essa 5ª passagem de Joel? Os seis meses habituais? Aliás, cresci com o time vitorioso de 1992 e há 22 anos Natalino era cogitado para Seleção. Sim, tem tempo.

O problema de se repetir o passado é justamente em não aprendermos as lições que ficaram lá atrás. Há 10 anos o Vasco apaga incêndios. Em raras exceções (2006-2007 e 2011-2012) não temos estratégia. Mudamos de técnicos (25 professores para ser exato) e jogadores como uma namorada troca de roupa com você esperando na sala atrasado para a sessão do cinema.

Nós sabemos que futebol não é feito só de títulos e goleadas em clássicos. Não é isso. O que queremos é estabilidade. Um pouco de planejamento. É saber a escalação do time titular e ter um elenco competitivo. Tudo isso vem, felizmente ou infelizmente, das escolhas dos dirigentes.

Os últimos dez anos (2004-2014) são cristalinos. Duas diretorias. Dois polos em uma briga política sem fim. Eleições discutidas na justiça, ataques pessoais e o Vasco deixado de lado. Um título. De resto, dívidas, fracassos e vergonhas.

Em 2006, Renato Gaúcho, após Joel (sim, ele!) e Dario Lourenço (meu Deus, ele também! Um Joel genérico para os mais novos), assumiu o time na penúltima posição do brasileiro. Com elenco limitado permaneceu quase dois anos e chegamos a final da Copa do Brasil e em quinto lugar no Brasileiro.

O mesmo pode-se falar, recentemente, de Ricardo Gomes e Cristóvão. Com elenco coeso e competitivo, conseguimos uma taça e voltamos a figurar nos primeiros lugares. Porém, quando aguardávamos a continuidade, tudo caiu por terra. E nos caímos de série. Mais uma vez.

Amigos, o passado, presente e futuro, não seguem uma linha reta. Em São Januário, o nosso destino é cíclico.

O legal de escrever o blog com outros apaixonados pelo clube é justamente nos depararmos com diferentes pontos de vista, de posicionamentos diversos. Nessa semana inaugural, incrivelmente, a unanimidade em todos os textos, é tentar decifrar o que virou o Vasco. Qual a verdadeira identidade do C.R.V.G. e o que nos espera pela frente.

Queria ter as respostas. Queria falar que tudo vai dar certo e que vamos sorrir novamente. Queria não viver de memórias e sim de um presente equilibrado e um futuro promissor. Não sei.

A certeza que tenho é que ao invés de comparar com o passado remoto e sim, brilhante, temos que aprender com nossos erros, nossos recorrentes e cíclicos fracassos. Nas derrotas é que tiramos os melhores ensinamentos. Qualquer mestre de Kung Fu de quinta categoria sabe disso.

Bom, é Natal…de novo em São Januário. Época de esperança, renovar votos, novas promessas.  A torcida sempre vai estar ao lado, Vasco.  Só faltam os presentes…

Obs: Falando em presente, hoje tem jogo contra o América/MG. O primeiro do returno. Maxi aparentemente começa. Diogo Silva também. Por incrível que pareça, acho que os jogadores vão estar mais leves e com menos pressão. O foco agora está na segunda-feira, no banco de reservas e na sua prancheta inseparável.

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Um pensamento sobre “Então é Natal…de novo.

  1. o Vasco Expresso é sem dúvidas o que de melhor aconteceu ao Vasco nos últimos dias. Obrigado por falarem o que sentimos.

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