A ressurreição vascaína

Edmundo
Aprendi que as melhores respostas são consequências das questões certas. O que gira o mundo são as perguntas. As grandes invenções da humanidade vieram de dúvidas. Foi da incerteza que nasceram as melhores ideias. A inquietude move o sujeito. O medo foi aliado da evolução.Quando o término se aproxima pode ser que seja, de fato, a hora de encerrar. E é nesse momento que a surpresa acontece. Acabar não precisa ser um ponto final. Sem findar a semente, não há árvores. Para resplandecer o sol é preciso despedir-se da lua. O fim pode ser, na verdade, apenas um novo começo.

E é ao ver o contexto atual, em que sobram dúvidas, incertezas, inquietações e, principalmente, medo que afirmo, sem ironias: o vasco precisa acabar.

Calma lá, gajo. Não é isso que estás a pensar. Não proponho dar cabo de nossa principal paixão, nem por à terra aquilo que nossas mãos ancestrais ergueram.

O que precisa ter fim é esse vasco de hoje, baseado num conselho formado por um grupo senil de poder vitalício, completamente desvinculado da realidade contemporânea, pensando o clube como quem gerencia o negócio secular da família.

Convém implodir esse vasco comandado por bravateiros, que pretere profissionais qualificados para ceder aos caprichos de amigos descompromissados com a história da instituição.

Despedirmo-nos desse espectro de vasco, sempre aquém daquilo que nos apaixonou, doutrinou e nos fez ser o que somos: Vascaínos.

É fundamental que feneça essa mentalidade minúscula de comparar-se tão somente a seu rival. Esse pensamento tacanho de nomes incógnitos a trajarem nossa camisa, sem força sequer para carregar nossa cruz. Essa visão diminuta que nos faz servir de prateleira a interesses escusos. Urge que esse vasco, tiranicamente criado há década e meia, morra.

E, assim, dê espaço para ressurgir o Vasco que conhecemos. Pioneiro e inovador como quem enfrenta os preconceitos seculares. Maiúsculo e ostensivo como o Expresso da Vitória a ganhar o primeiro título internacional de uma agremiação brasileira. Audaz a ponto de arrebatar Bebeto, no auge, do Flamengo. De trazer a magia de Dener para colorir São Januário. De reunir Evair a Edmundo. Um Vasco que não deseja os melhores. É pretendido por eles.

Esse vasco de hoje é uma mentira. Um engodo. Uma sombra pálida do que somos de fato. E, como os últimos fatos mostram, chegou a seu termo. E, verdade seja dita, já vai tarde.

Depois de ir ao vale das sombras, é tempo de celebrar a nossa ressurreição. A páscoa Cruzmaltina já tem data para acontecer: novembro. E está, mais do que nunca, nas mãos de cada um dos sócios. E aqui, não cabe dúvida. Ou você trará o verdadeiro Vasco do passado de volta. Ou você aceitará ver o vasco passado pra trás.

Estamos loucos para dizer: Vasco, sê bem-vindo de volta, amigo.

Rodrigo Irônico
Durante a entrevista coletiva para informar a saída de Adilson Batista, o gerente executivo de futebol, Rodrigo Caetano, visivelmente incomodado, afirmou-se “contrário a esse tipo de mudança”. Referia-se ele às alterações promovidas por pressão de torcida.

Eis que, poucos dias depois, veicula-se a notícia de que recente ídolo do clube, sem nenhuma experiência como técnico, fora contatado para substituir Adilson, como “um efeito reanimador na torcida vascaína”. Ora, Caetano, cabe a pergunta: essa história de não trabalhar pra agradar a torcida é verdade ou ironia?

@freud_ironico

Freud™ Irônico é o alter-ego virtual do publicitário Raphael Santos.

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7 pensamentos sobre “A ressurreição vascaína

  1. Um ótimo post!
    Concordo com o Caetano em não querer o Joel Santana e discordo quando ele pensa que deveria ser mantido o fraco Adilson Batista.
    No oceano de imbecilidades que se tornou o Vasco da Gama, o Caetano é apenas um dos que promoveram times ridículos, ou já esqueceram das contratações que ele fez no passado?!
    Errou em pelo menos 70% das vezes, mas a torcida só lembra dos acertos, só que a realidade é que ele se equivocou várias vezes. Quando demorou a retirar o Paulo Autuori ano passado e quando dispensou rapidamente o Marcelo Oliveira, ou quando quis manter o Adilson no cargo. Também veja quem ele manteve no elenco… os três goleiros de 2013 que contribuíram e muito para o rebaixamento, mas ele junto com Dinamite e Carlos Germano.
    O problema é que tudo começou quando o Antônio Calçada levou para junto dele o Eu-vírus e depois não houve uma força para fazer frente a ele e por isso estamos a quase 15 anos sendo um time de segunda linha, que não é mais aquele Vasco que era o ator principal. O papel do clube por conta dos vários anos sem planejamento hoje é de mero coadjuvante. Dois campeonatos, sendo um estadual e uma copa do Brasil. E dois rebaixamentos, mas não sem antes lembrar dos vários times ridículos que lutavam para não cair com seus elencos terríveis.
    É muito sofrimento para a torcida e poucos motivos para comemorações.
    Que esse Vasco de hoje acabe e como uma Fênix renasça das cinzas do que hoje é a sombra de um grande clube e voe alto para vitórias e conquista que é o que todo vascaíno merece.
    Entretanto, isso só irá acontecer se houve uma renovação de quem dirige o clube!

  2. Olha, eu penso que o Rodrigo Caetano sinceramente acredita na importância de se trabalhar com planejamento e de não tomar decisões baseadas em pressão de torcida (com o que, aliás, eu concordo). Mas também acho que ele muitas vezes é forçado a dançar conforme a música.

    • Isso era exatamente o que dizia ainda pouco num outro blog. Eu acho que ele tem que dançar conforme a dança e não tem total poder de escolha. Estamos vendo isso claramente agora na escolha do técnico, onde segundo dizem, ele não quer o Joel, e mesmo assim, sua opinião não é decisiva p escolha.
      O que eu acho completamente errado, pq se ele é o responsável por essa área do clube e já mostrou o quanto é capaz e bom profissional, ele deveria fazer seu trabalho com liberdade.

      • Concordo, em grande parte. Como profissional da área de negócios, e como torcedor, defendo integralmente a profissionalização da gestão dos clubes. Nesse contexto, acredito também que deva existir planejamento, continuidade e estabilidade na condução dos clubes. Por outro lado, não entendo necessariamente que um gerente, mesmo de alto escalão, deva ter autonomia absoluta. Tudo vai depender do modelo de gestão adotado, e não existe a princípio um único modelo certo ou errado. O fundamental é que o modelo esteja definido e claro para todos.

        Concordo com você quanto ao Rodrigo. Ele tem muito mais acertos que erros, e se mostrou capaz de trabalhar com consistência. E também, no lugar dele, não quereria o Joel. Por outro lado, segundo a imprensa as alternativas dele eram o Dorival e o Renato. Alternativas que, convenhamos, não consigo entender muito bem, por mais que o mercado esteja fraquíssimo.

        Como profissional nenhum é infalível, acho importante que a organização tenha mecanismos para que decisões sejam contestadas e até sobrepujadas por quem tem mais autoridade. O problema é que, nos clubes, essa posição de autoridade é quase sempre ocupada por inconsequentes.

      • Também entendo que não precisa ser necessariamente uma pessoa gerenciando, Luiz. Mas não acho que o presidente devesse se intrometer nessa decisão, ainda mais quando é o Dinamite, que sabemos que não tem muito conhecimento.
        Também não sou muito a favor do Joel, na minha opinião, a melhor opção dentre as levantadas, seria a do Oswaldo de Oliveira, mas sabemos q ele é carta fora do baralho.

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