Nossa história na lama

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Amigos,

Escrever sobre as tragédias Vascaínas não é novidade para quem escreve em um blog como esse. Tenho certeza que a maioria dos amigos vascaínos que se arrisca nas palavras já se postou em frente a uma tela em branco, com a certeza de que nela pintaria o caos.

Muitos de nós, na condição de autores-torcedores-palpiteiros, fomos forjados no sangue derramado do Vasco.

Nas derrotas , vexames, saltos da marquise.

Quantas não foram as vezes que subimos na marquise nesses últimos anos?

Quantas vezes não pensamos estar contemplando, enfim, o fim?

Podemos afirmar com segurança que o Vasco vive seu pior momento em 116 anos de história. Nunca estivemos tão cuspidos e desprezados na sarjeta da irrelevância. Senão vejamos.

O Vasco se encontra na segunda divisão do Campeonato Brasileiro, de todo uma vergonha, quanto mais pela segunda vez. Não bastasse, nem entre os menores- aos quais faz irritante questão de se enturmar- consegue se destacar. Quando pior, toma de cinco do Avaí, maior goleada sofrida pelo clube dentro de casa em todos os tempos.  Hoje, não figura entre os times que ascenderiam à primeira divisão.

O Vasco está eliminado da Copa do Brasil pelo ABC, um vexame quase de proporções Cícero-Ramálhicas. Não conseguiu sequer uma vitória no confronto contra um time não mais que aguerrido, com uma folha salarial incomparavelmente menor, que ocupa a décima-quarta posição na Série B.

O Vasco não tem treinador. Alguns dirão que nos últimos meses (anos?) nunca teve. Vou tentar ser justo com Adílson: Ele nunca foi uma unanimidade, nem aqui nem em lugar algum. Assumiu o time numa furada, faltando 7 jogos para o fim do Campeonato, precisando basicamente de um milagre. Não obteve, evidentemente. Foi mantido e o Vasco teve bom desempenho no Estadual. Seria campeão pela primeira vez desde o longínquo ano de 2003 não fosse o ~~~~~~erro do auxiliar ~~~~~~  ao não marcar impedimento cristalino no último minuto de partida. Uma mera coincidência como sabemos.

Na Série B, Adílson nunca conseguiu definir um time que se afirmasse sobre os demais, que convencesse, embora tenha sido demitido após a trágica partida em que o time iniciou brigando pela liderança. Como de resto, é obrigação. A teimosia, misturada a arrogância no trato com o torcedor, como se pairasse acima de todos e não pudesse ser questionado em suas decisões, transformou o Vasco de Adílson em um time que não dava nenhum prazer de assistir, tolerável até que parasse de conquistar pontos e vitórias. Caiu como cairia até o Papa se fosse o técnico, após tomar uma traulitada como nunca havia sofrido o Vasco em casa.

O Vasco vive fora de campo uma situação ainda pior do que dentro. As chapas continuam a se digladiar pelas redes, nas arquibancadas, nas sociais, com seguranças armados e tudo mais. Comportam-se como verdadeiras seitas. Pessoas são agredidas, coagidas, o reino do terror quer voltar de qualquer maneira. O processo todo é muito confuso, muito indefinido, pouco transparente. O ambiente político vascaíno é sujo, talvez como nunca. Até novembro, o jogo só tende a ser ainda mais sujo, mais baixo, mais vil. Há quem se alimente do quanto pior melhor. Tudo conspira para baixo.

O Vasco não conquista corações. Não é tarefa fácil convencer uma criança a se tornar vascaína nos dias de hoje, como é de se notar.  Houve tempo, como no meu, em que uma criança praticamente era obrigada a ser vascaína.  A Era de Ouro da década de 90.  Tempos que parecem que não irão se repetir por pelo menos um bom tempo, a julgar pela rota que o clube parece tomar. Somos, claro, ainda muito fortes em termos de torcida, mas nossa curva é de queda, como não haveria de ser diferente tamanho o apequenamento institucional que sofremos nos últimos anos. Processo que se iniciou com Eurico Miranda e foi continuado com maestria pelo ídolo- deposto Roberto Dinamite, um especialista em fracassos quando fora dos campos, terreno onde por anos emprestou o rosto a um Vasco vencedor, forte e temido.

O Vasco de hoje não fornece um único argumento para a molecada na escola. No bar, somos piada. Na mídia, onde nunca tivemos muito prestígio, somos escanteados, tratados com indiferença, quando não desrespeito. Viramos time de segundo escalão. Gerações crescem já adequadas a essa nova “realidade”, acostumando-se com pouco, com um Vasco covarde, submisso, que esporadicamente faz um brilhareco aqui e ali, se a sorte ajudar.  O clube que olhava os adversários de cima pra baixo, no máximo olho no olho, está de joelhos, maltrapilho, com o pires na mão, inspirando nada além de pena e desdém nos adversários.

Cada jogo disputado na série B é uma pá de lama por cima da história do Vasco.

Cada vexame um prego no caixão.

Onde isso vai parar?

De momento, é preciso escolher um técnico, que estanque a sangria e coloque o time no prumo para que se evite o maior dos vexames, o porão do fundo do poço, que seria não subir. Mas quem?

Enderson Moreira estava praticamente acertado, até receber proposta do Santos e, obviamente, aceitar, como qualquer um com juízo faria. Cogitou-se, inacreditavelmente, o nome de Dorival Júnior, arquiteto do rebaixamento do Vasco em 2013, em que pese a ruindade do elenco que tinha em mãos. Recém demitido do Santos, Oswaldo parece que também não vai aceitar. Este, possivelmente, por conta do fantasma de Eurico Miranda, seu conhecido desafeto, que está prestes a recuperar o castelo. O nome de Joel Santana ganha força, dizem ser uma indicação do presidente. Rivaliza com Renato Gaúcho, preferência de Rodrigo Caetano. A falta de opções é quase absoluta como se vê.

Continuo convencido que o elenco que o Vasco tem, apesar de suas carências e excrescências- como a incompreensível e criminosa manutenção do goleiro Diogo Silva no Reino dos Vivos!-, é no mínimo suficiente para subir para a primeira divisão. Não é preciso inventar a roda para fazer das peças que temos um time de algum destaque na fraquíssima Série B.  Nada é certo, porém, para esse Vasco, que cada vez  mais fundo e com mais gosto cava a própria cova. Nenhuma possibilidade, muitos menos as piores, deve ser afastada.

Que venha logo uma vitória, duas, três, um pouco de tranquilidade.

Na derrota eu só consigo imaginar o fim.

Cada vez mais próximo.

twitter @joao_almirante

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10 pensamentos sobre “Nossa história na lama

  1. Do jeito que está indo, acredite, o Vasco vai se igualar ao América do RJ. Conhece a história do América. Já cedeu tantos jogadores a Seleção Brasileira, mas o que é agora? Só restou a história que poucos contam, na verdade, só os velhos contam. E quando esses velhos morrerem, quem irá contar? O Vasco está caminhando para isso, infelizmente.
    Eu quero o meu Vasco de volta!

  2. Falou tudo, é triste. Prefiro dizer que ja fazem quase 10 anos que não posso chamar nosso time de grande, quem dirá um “gigante”, time grande não tem brilho esporádico como é caso do atual vasco da gama.

  3. Caro, João. Concordo com quase tudo q vc comentou, à exceção da parte em que vc diz “Era de Ouro dos anos 90”.
    Lembro que no início dos anos 90, mais precisamente em 1992, tivemos um time competitivo com comando do Bebeto, que havia nos ajudado a ganhar o título do Brasileiro’89. Fora isso, até a metade dos anos 90 também nosso time era medíocre.
    Talvez possamos salvar dessa época o tricampeonato carioca (92-93-94), mas a nível nacional nosso desempenho era sofrível. Ou vc não lembra o time que bateu recorde de derrotas seguidas (sete, salvo engano) em 1995? O que salvou os anos 90 para nós na minha opinião foi a chegada do Antonio Lopes em 1996 e a do Edmundo no mesmo ano. Em 1997 perdemos o Carioca para o Botafogo mas com um time aguerrido que mais a frente nos daria muitas alegrias, sagrando-se campeão do Brasileiro’97 e da Libertadores’98. Em 1999, faturou o Torneio Rio-São Paulo.
    Desse modo, os anos 90 resumiram-se a esses 3 anos pra nós: 97-98-99.

    Essa é a única observação que eu faço em seu texto, que diga-se de passagem é muito bom e, ao meu ver, corresponde à realidade.

    Vamos continuar torcendo para que a Era de Ouro esteja no porvir.

    Saudações Vascaínas!!!

    • Fernando, obrigado pelo comentário. Quando me refiro a “Era de ouro” é justamente a esse período pós 96, em que ganhávamos tudo, quando não, disputávamos todos os títulos. Foi no tricampeonato em 94 que me reconheci como Vascaíno e o final da década consolidou essa minha escolha. Abs!

  4. Sinto um nó na garganta, quando me deparo com nossa triste realidade. Eu me sinto exatamente como todos aqui relataram. Não aguento mais tentar justificar, para quem me humilha, que cair faz parte do futebol. Quanta mentira, tento me convencer disso todos os dias! A cada jogo, um sofrimento. Até quando vamos viver nessa humilhação? Gostaria de abrir os olhos, e acordar desse pesadelo! Por favor, não maltrate mais esse coração cruzmaltino!!!

  5. Briga política amarra o Vasco
    Por: Marluci Martins em 04/09/14 09:19

    O presente com prazo de validade está atando o Vasco. Porque não há nada pior do que a indefinição instalada em São Januário desde o adiamento das eleições e a consequente extensão do mandato de Roberto Dinamite, cada vez mais dedicado à agenda de sua luta pessoal para perpetuar-se na Assembleia Legislativa.

    O pior candidato dos que estão em campanha pela presidência do Vasco talvez seja melhor do que os cinco gols sofridos em casa no último sábado, melhor do que a vergonhosa eliminação da Copa do Brasil, melhor do que a recusa do mediano Enderson Moreira e melhor do que a chacota que chicoteia o orgulho de uma torcida há meses.

    E o prometido recadastramento dos sócios, arrastado, sonolento e preguiçoso, consegue ser tão ruim ou pior do que o não confiável quadro eleitoral. Desmoralizou-se tanto o clube, que até o conselho deliberativo, outrora supremo, é agora desautorizado pela Justiça comum.

    Ainda que a sucessão seja sombria, o Vasco somente andará quando virar a página de mais uma gestão desastrosa que envergou, mas não larga o osso. Porém, a contagem regressiva de 68 dias até a eleição é longa o suficiente para virem à tona velhas manobras e novos vexames.

    O Vasco não merece.

    Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/extra-campo/briga-politica-amarra-vasco-13826369.html#ixzz3CN6MQCRH

  6. Compartilho desse sentimento. E essa é a realidade atual. E o que mais chateia é você ver o Vasco perdendo para si mesmo. Às vezes para parece que é até de propósito…Terrível esse momento, e tudo tem acontecido da pior forma possível…é esperar essa fase ruim passar…o problema que ela insiste em ficar.

  7. É João, tá bem triste torcer pelo Vasco. Sem dúvida o pior ano desde que torço por ele.. mas vamos continuar acreditando, não podemos abandonar o Vascão!

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