Nós

Prazer, vascaínos! Na estreia do Vasco Expresso, ontem, o JC sintetizou bem o que espero deste espaço. É um lugar para vascaínos debaterem e pensarem sobre o Vasco. Sintam-se convidados para participarem, comentarem, concordarem, elogiarem e criticarem. É isso o que queremos. Para começar a falar do Vasco, nada melhor do que falar sobre nós: os vascaínos.

Club de Regatas Vasco da Gama: gigante, vitorioso, surpreendente, guerreiro, inabalável. Motivos não faltam para sentirmos orgulho desses 116 anos de história. Gritamos, sofremos, comemoramos, pulamos. Vibramos. É gol, é gol. Somos parte dessa trajetória. Vascaíno é Vasco no DNA. Há casos em que, inclusive, a história do vascaíno se mistura com a do Vasco. Nascemos com a vocação de levar a cruz-de-malta no peito. No meio de tantos milhões de apaixonados, peguemos como exemplo a história de um pequeno-gigante vascaíno: Hugo, o Mascote da Colina.

Huguinho nasceu no dia 12/02/2005, com um câncer na retina. Com seis meses de idade, precisou retirar um olho. Quando completou um ano, precisou retirar o outro. O nascimento do Vasco para o futebol também não foi simples. Afinal, desde quando negros e operários podiam jogar futebol? Os grandes da época logo proibiram a classe baixa de fazer parte do esporte. Batendo no peito, onde uma vencedora cruz habita, o Vasco disse não ao preconceito. Disse não àqueles que o fadaram ao fracasso. E venceu. Assim como o pequeno Hugo.

Além da falta da visão, Huguinho passou a conviver com trocas de próteses oculares. Passou a conviver com o preconceito. Um cenário difícil de reverter. “Cenário difícil de reverter”. Talvez o DNA vascaíno de Huguinho tenha recorrido àquela final de Mercosul que nenhum de nós esquecerá. Paradoxalmente, mesmo quem não viu não se esquece. É impossível não se encantar com aquela virada. Melhor, aquelas viradas. No plural. Pois o DNA do nosso pequeno vascaíno falou mais alto. A possível frustração pela falta da visão virou detalhe na vida do menino.

A maioria de nós está acostumado a ver o Vasco desde muito novos. Para Huguinho é diferente: ele se acostumou a sentir o Vasco. Sentir é muito mais intenso do que simplesmente ver. Não temos a dimensão do que o Gigante da Colina representa para o nosso gigante de nove anos. Filho de pai tricolor, o garoto ficou encantado quando visitou São Januário, em 2011, acompanhado da mãe vascaína. A recepção dos jogadores e torcedores mudou a vida de Huguinho.

E vice-versa. Por dois anos, foi amuleto dos jogadores. Ganhou o apelido de “Mascotinho da Colina”. E a torcida? Assim como a vaquinha para construir nosso estádio, vascaínos de norte a sul deste país doaram dinheiro para ajudar a família de Huguinho nas trocas de próteses oculares. Como resposta, ele espalha alegria e vascainidade ​por onde passa.

No começo do texto, usei as palavras “gigante, vitorioso, surpreendente, guerreiro e  inabalável” para descrever o Vasco. Agora, uso-as para descrever Huguinho. Aos nove anos, Huguinho é a personificação de um resumo do Gigante da Colina

Parabéns, Vasco. Parabéns, Huguinho. Parabéns, vascaínos.

Quando nos unimos, somos imbatíveis. Sempre em prol do Vasco.

​​Abatido, o Gigante precisa do maior patrimônio que tem para se reerguer. Precisa do seu maior patrimônio para voltar a ser temido. Precisa do seu maior patrimônio para simplesmente voltar ser Vasco:

​Nós.

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3 pensamentos sobre “Nós

  1. Muito sucesso para você nesse desafio do gigante, Bruno!
    Excelente texto. Um grande exemplo esse caso do Huguinho.
    Você sintetizou muito bem o sentimento de um vascaino. Puro e correndo nas veias.
    Abraço

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