O Mister Milton

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Amigos vascaínos,

Depois de algum tempo sem escrever, cá estou eu de novo para tratar dos assuntos do nosso glorioso clube da Colina. Muito bacana ver essa motivação que tomou conta do torcedor vascaíno nas últimas semanas. Se antes era um torcedor cabisbaixo, com a camisa guardada no armário e com voz rouca, agora ele brada confiante, anda de cabeça erguida e enverga o manto do clube.  O número de sócios cresce, a média de público cresce e o caldeirão ferve como nunca.

Claro que não há espaço para utopias, os desafios do time são muitos, todos sabemos, mas aquela luzinha de esperança no final do túnel apareceu e essa é já suficiente para que o apaixonado torcedor volte ao campo de batalha disposto a pelejar pela sua cruz de malta. Eu sempre costumo dizer que um torcedor é antes de tudo um sonhador. Um torcedor suporta a dor da perda, suporta a dor da derrota, mas não suporta a dor da desesperança. Dêem ao torcedor um motivo para sonhar e ele volta ao clube apaixonado, disposto a defendê-lo com unhas de dentes.

O grande responsável dessa mudança no ambiente formado em torno do esquete vascaíno, a meu ver, está no banco de reservas. Milton Mendes chegou disposto a não ser mais um. Ele veio para mudar o Vasco, para impor sua filosofia e aos poucos vem se tornando numa grande preferência entre os torcedores.

Sim, Milton é tratado de maneira diferente pela torcida vascaína por reunir duas características fundamentais para um comandante: coragem e trabalho árduo. Não que os outros treinadores não tivessem também um pouco dessas características, mas não de forma conjunta e tão marcante como tem Milton Mendes. Ele não se furta ao risco, não se furta ao infortúnio. Milton é do tipo de pessoa que pode até perder, mas perde pelas suas idéias e não pelas idéias de outros.

E não é bem melhor assim? É muito ruim não conseguir uma coisa e acabar pensando que poderia ter feito diferente, que poderia ter tentado de outra forma. Se for para sair derrotado, que seja com a consciência tranquila de quem tentou de tudo o que estava ao alcance.

Quantos treinador passaram pelo Vasco nos últimos anos e reclamaram da postura adotada pelo Rodrigo? Possivelmente todos. Quantos tiveram coragem de bater de frente com ele? Só o Milton.

Jorginho tentou e foi fritado na diretoria até a demissão. Milton não tentou, fez. A diferença com que uma ideia é colocada muda tudo. É possível apresentar algo, mesmo sendo justo, com autoridade ou com submissão. A diferença está na convicção que se tem nos próprios argumentos. Se o profissional acredita naquilo que faz, ele impõe a situação de tal maneira que se torna impossível ficar contra sem correr o risco de assumir todo o peso de um possível fracasso. Se o profissional chega com a ideia pela metade, sem ter certeza do que quer, com vergonha de falar, acaba engolido pelos fatos. Perde e não perde por si, mas por não acreditar em si. A dor da perda é bem maior.

Nenê é um ídolo da torcida, porém já há um quase consenso de que não consegue mais impor dinamismo ao meio de campo, tão necessário para um clube que carece de maiores valores individuais como o Vasco. Ou um time impõe sua técnica, ou impõe sua tática, seu dinamismo, sua velocidade. O Vasco era um clube vazio. Tecnicamente entrava em campo abaixo e fisicamente era engolido.

Milton não pensou duas vezes e sacou Nenê do time. Foi para o risco, poderia dar errado e colocar a própria cabeça na guilhotina. Deu certo. O time cresceu, se tornou mais flexível e competitivo. A perda técnica foi compensada com grande proveito pelo ganho em um meio que transita de forma muito mais rápida entre suas linhas. O Vasco ficou mais jovem, com uma cara mais moderna e o próprio Nenê se beneficiou. Deixou de ser um jogador que se arrastava em campo e perdia gols claros (como contra Palmeiras e nas finais do carioca), e se tornou um que entra na hora certa e decide uma partida. É uma situação em que todos ganham. O jogador rende mais com o time mais forte e o time cresce sabendo que tem um trunfo no banco que pode entrar e resolver um jogo.

Outra medida já há muito cobrada era o afastamento do Thales. E aqui cabe um parêntese meu, considero Thales um dos melhores centroavantes jovens do futebol brasileiro, jogador de potencial enorme que pode chegar longe na carreira. Ou pode encerrar a carreira no Duque de Caxias. Depende só dele. Enquanto ele não se decide, o Vasco não pode esperar. Quem quer jogar tem preferência, quem quer comer hambúrguer aguarda do lado de fora. Não deveria ser difícil e não é. Mas tem que ter coragem.

Mais uma vez, Jorginho tentou brigar contra isso. Mas ficou naquele meio-termo, naquele vai não vai. Milton foi lá e fez. Perdeu o Thales temporariamente mas ganhou a moral de exigir que todos se dediquem ao máximo para jogar. O grupo se fortaleceu.

E o trabalho? Milton é incansável. Vê jogo da base, dos adversários da próxima rodada, vê jogo de adversário de daqui a duas rodadas e não para. Nunca é demais trabalhar. Domingo era folga, ele poderia ficar em casa tomando uma cerveja ou mesmo descansando com a família, mas foi lá em Recife ver nossos futuros adversários.

Com isso, o Mister conquista a confiança da torcida. É bom ver na frente do time alguém que joga limpo, que faz o que deve ser feito e que trabalha de forma incansável. A torcida confia em quem é correto e faz o melhor para o Vasco, sem mimimi, sem estrelismo, colocando o clube acima de individualidades. A torcida compra a briga e vem junto.

E com a torcida junto, esse time de fraco se torna médio, de médio se torna bom e o crescimento não para.

A torcida vascaína é o maior combustível desse clube. E com o tanque cheio, o Vasco com certeza pode chegar bem mais longe do que qualquer um imaginaria.

Não duvidem dessa torcida e nem desse clube.

Divisões de Base

Se o Milton Mendes é o primeiro fator de mudança do vascaína, o segundo é sem dúvida a garotada da base que vem surgindo e tomando de assalto o seu lugar no time.

Douglas hoje já é o principal jogador do Vasco. Pet vem se tornando no motor do meio de campo. Henrique se firmou como dono da camisa seis.

E tem mais por aí. Desde que comecei a acompanhar o Vasco, e isso já tem tempo, poucas foram as vezes que vi uma garotada tão boa e em tanta quantidade subindo ao mesmo tempo.

João Pedro, Ricardo Graça, Alan Cardoso, João Vitor, Andrey, Cosendey, Dudu, Pet, Paulinho, Paulo Vitor, Robinho…

Sem esquecer dos talentosos Evander e Caio Monteiro, que tenho certeza ainda vão explodir com essa camisa.

Se existe uma saída para o Vasco, que atravessa hoje um dos momentos mais difíceis de sua história, essa passa necessariamente pelo uso de suas divisões de base. Não há como recuperar o Vasco sem isso.

Esses garotos podem colocar nosso clube lá em cima de novo

É fundamental que o clube os priorize e os trate com todo carinho para que isso aconteça.

Twittadas:

– Para não dizerem que defendo cem por cento o trabalho do Milton mendes, discordo da maneira com que ele afastou o Guilherme Costa do time, sendo que o Guilherme vinha sendo o melhor jogador do Vasco no campeonato estadual

– Um jogador que tem me surpreendido muito no Vasco em 2017 é o Manga Escobar. Confesso que quando ele chegou achei que fosse somente um colombiano folclórico que nada fosse agregar ao grupo. Pelo contrário, toda vez que entra mostra que tem valor.

– Se Manga é a surpresa positiva, a negativa é o Muriqui. De rápido jogador de lado de campo, se tornou um meia lento e sem criatividade. Joga ali por dentro, bem pesado e errando passes. Parece um jogador do time de casados querendo fazer graça no time dos solteiros. Sem condição.

– Pretendo voltar mais vezes nas próximas quartas nesse mesmo espaço. Saudações vascaínas.

Twitter: @hfloret

(Nenê) Dependência Afetiva

 

O Vasco teve 3 semanas exclusivas de preparação para sua estreia no Brasileiro. Fora de casa, contra o atual campeão Palmeiras, os treinos eram essenciais para tentar tornar o time competitivo.

Veja, caro solitário leitor, o time do Vasco não é competitivo. Isso que assusta desde o começo do ano. As derrotas não são “vendidas de forma cara” ao adversário. São vendidas a varejo, a fiado no botequim do Zé, aquela saideira que o comerciante português nunca verá o trocado de volta.

Esse era o papel do Mister Mendes e os jogadores. Perder em SP era mais do que certo mas quem sabe fazer uma boa partida? Jogar de igual para igual, com o time ajustadinho, copeiro e sabendo de suas limitações e, principalmente, SEM PASSAR VERGONHA.

Algo próximo disso aconteceu nos primeiros 45 minutos de jogo. E tomamos 2 gols. Nossos sonhos foram trucidados no segundo tempo da partida com uma goleada de 4×0 e um time entregue. Entregue e sem perspectivas.

E aí nos deparamos com Nenê. Nenê é o melhor jogador do Vasco. Usa a 10 e com razão. Nunca ficou no banco. Veio na leva de contratações de Eurico Miranda quando a vaca já tinha se acomodado no brejo em 2015. Foi o nosso artilheiro e que nos deu esperança para sair da zona de rebaixamento.

Em 2016, foram 55 jogos, 21 gols e 18 assistências. Isso diz muito de nossa Nenê dependência. Quando não jogava, as chances de êxito caiam vertiginosamente. O segundo turno da série B, como o time todo, Nenê caiu de produção. Vivia de lances esporádicos. O terceiro lugar na classificação final mostrou a apatia e o desinteresse do elenco.

E o ano de 2017 segue o mesmo ritmo. Para Nenê e o Vasco.

Infelizmente, parece fim de namoro.

Sabe aquela sensação de que não dá mais? Que você acha a pessoa super legal, que tem todas as afinidades mas perdeu tesão?  Sumiu aquele click que te faz suspirar e brilhar os olhos? É isso. Nenê, ao que parece, não quer mais sair com a gente. Pra que namorar alguém que tá sempre na mesma, não arruma um emprego legal, com estabilidade, sem metas para o futuro, quando chega na casa tá sempre desarrumada, não sabe planejar, nem ser leve no dia a dia?

E o Vasco com isso, diria você? O Vasco e a torcida são, como os namorados avoados, os últimos a saberem. Desde 2016, com aquela história mal contada da distância dos filhos, Nenê anda estranho com a gente, vai. Distante, vivendo de toques de calcanhar que não levam a nada, sem vontade de um algo a mais.

A rotina tomou conta do casal Vasco-Nenê.

O que fazer? Eu começaria com uma terapia. E espero que o Mister Mendes tenha pensado o mesmo. Será que a reserva faz parte de um choque necessário?

Não sei se faria essa medida drástica. Talvez uma conversa ao pé do ouvido, um carinho, uma troca de ideias, uma tentativa de reaquecer o amor perdido.

O Banco é frio, triste e, especialmente, para Nenê, que tem uma estirpe de Prima Donna de São Januário. Significa o fim do prestígio.

Nenê sabe que arruma outro clube em um estalar de dedos. É um camisa dez artilheiro em falta no mercado. É o jogador que dá conta do recado, que faz a diferença quando chega.

Perder Nenê, para mim, não é a solução. Pode ser um alívio. Um alívio de ver um jogador que não vem rendendo e que pode estar, de alguma forma, contaminando para a apatia cruzmaltina.

Colocar Nenê no banco é uma decisão radical para um time que precisa ganhar do Bahia em casa. Não há outro resultado que não seja a vitória. E o Vasco, como um todo, não só Nenê, não vem jogando bem.

Trocar Nenê por Kelvin, por pior que esteja a relação, é uma derrota moral. Somos Nenê dependentes afetivos. Claro que isso não é bom e saudável. Um time bem estruturado, encaixado e treinado, sente menos falta de 1 jogador.

E isso vale pra vida.

Términos de relacionamentos são, felizmente ou infelizmente, normais. A vida segue. Se estivermos bem em outros seguimentos dessa “so called life” as coisas continuam andam. Se estivermos mal, esse baque de separação pode ser um passo para depressão.

Ainda dá tempo de estreitar as relações como nosso melhor jogador. Que o amor volte, em forma de dedicação e comprometimento do nosso craque em campo.

Acredite torcedor, pior que o amor não correspondido, é o sentimento de saudade. E Nenê, nesse grupo de jogadores, é um dos poucos que pode causar isso.

A razão da paixão

Os últimos campeonatos brasileiros para a torcida do Vasco não foram os mais agradáveis. Dois rebaixamentos recentes deixaram o cruzmaltino ressabiado. Com razão.

Esse sensação difícil de descrever. De que estamos diante de um martírio. Que o prazer de ver o Vasco em campo fica em segundo plano. De que queremos, no final das contas, é apenas sobreviver.  Infelizmente esse gosto amargo torna-se cada vez mais real perante a torcida.

Nesse próximo domingo inicia a nova jornada pela série A, fora de casa, contra o atual campeão da competição, o rico Palmeiras. Que sorte a nossa.

A verdade é que o carioquinha dessa vez não nos deixou com falsas esperanças. Cristóvão já entrou com data de validade vencida. De péssima passagem pelo Corinthians e com um passado de brigas com a torcida, era questão de tempo para o tio Cris deixar o cargo.

Assumiu Mister Mendes. Parece ser gente boa e entra no velho continente na fila daqueles com passaporte da união europeia. E…só. Nesses cinco meses, Vasco não apresentou muito. Quase nada para falar a verdade.

Contratamos nomes conhecidos no mercado e que poderiam sim dar uma qualidade ao elenco: Luis Fabiano, Escudero, Wagner, Kelvin, Gilberto. Só que não renderam, até o momento, o esperado.

Tal fato fez com que tanto Cristóvão e Mendes utilizassem com maior frequência os jogadores da base. Sempre defendi essa tese. Por que contratar um cabra “comum” de fora se podemos lançar alguém prata da casa? Os meninos tem até me surpreendido positivamente (Douglas, Henrique, Guilherme e Jomar) porém falta ainda muito para tornar um time confiável. Que brigue pelas cabeças.

Falando em cabeças, a “administração” Miranda, que nos persegue anos a fio, bate no peito que lutaremos por uma vaga na libertadores. Ok. Essa mesma gerência futebolística que deixa o time principal com apenas 3 zagueiros no plantel. Se der problema, improvisa o mago Julio dos Santos que tá tudo bem.

A cegueira dos Miranda sobre o papel do Vasco no campeonato não pode ser confundida com paixão.

Paixão é você acreditar que as coisas podem dar certo mesmo sabendo que tudo conspira contra. É ter noção da realidade e ser tomado pelo sentimento de esperança que dias melhores virão.

É isso que resume nosso papel, nas próximas 39 rodadas, de Brasileirão. Torcer para:

Que o Vasco arrume a casa, tendo um papel digno com sua história;

Vire um time competitivo tanto no papel como no campo;

Que a prata da casa nos ajude e tenha sucesso nessa caminhada;

Que a paixão pelo Vasco, quem sabe, transforme nossos sonhos em realidade.

Twittadas – 03/04/2017

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Ainda longe do ideal, o time do Vasco já mostra evolução em relação aos jogos anteriores feitos sob o comando de Cristóvão Borges. São três vitórias em quatro partidas e um esboço de time titular começando a se formar com participações fundamentais de Nenê, Douglas e Yago Pikachu.

A defesa, antes tão criticada, cresceu muito desde a chegada do novo professor. São somente dois gols tomados em quatro jogos, ambos em um momento em que o time estava com um jogador a menos no clássico contra o Flamengo.

Rafael Marques vem sendo a principal surpresa positiva do Vasco no ano até o momento e reforça a ideia de que a diretoria fez bem em não pagar o valor pedido por Rafael Vaz na renovação de contrato.

Dos seis gols marcados desde então, somente um não teve a participação direta de Nenê ou Pikachu, justamente o gol marcado por Douglas no campo encharcado de São Januário na partida contra o Boavista.

Em todos os outros gols tivemos participação decisiva de um deles, contribuindo Pikachu com três gols e Nenê com um gol e três assistências.

Apesar da reclamação de parte da torcida com uma suposta queda de produção do Nenê, os números mostram que ele segue decisivo para o rendimento ofensivo do time, inclusive com o posto de artilheiro da equipe no ano (feito também alcançado ano passado).

O que causa mais estranheza é um aparente nervosismo sem sentido do meia em alguns momentos das partidas. A discussão pública com Douglas e a recusa em falar com o treinador após uma substituição não são comportamento compatíveis para um dos principais líderes do grupo.

Fabuloso segue sem marcar gols com a camisa do Vasco. Apesar de mostrar lucidez em muitos momentos, é nítida a falta de forma do jogador que chega sem perna para concluir a maioria das jogadas.

Preocupa em relação ao Fabuloso, muito menos o fato de não marcar gols (que devem sair naturalmente) e muito mais a conduta irresponsável que teve no jogo diante contra o rival. Independente do teatro do juiz, a expulsão foi justa e poderia ter gerado uma derrota em um clássico importante onde o time fazia boa partida e provavelmente venceria.

O comportamento errático é assinado embaixo pela diretoria e comissão técnica que oferecem ao jogador a braçadeira de capitão mesmo não dispondo de estrutura emocional e nem história no clube para ser referência dentro do Vasco. Ele que conquiste isso primeiro.

Mas falar o que de uma diretoria que, por discordância política, deixa de homenagear um dos maiores ídolos da história do Vasco no dia do seu aniversário?

Uma das falas do Eurico em recente programa na ESPN mostra bem a forma como ele se coloca em relação ao Vasco: “Se eu fosse para a Sibéria o Vasco acabaria”

É triste ver um jogador como o Thales, com o potencial que tem, prejudicar anos de sua carreira ficando gordo o tempo todo. É inacreditável que o jogador não se conscientize do prejuízo que está trazendo para a própria vida agindo irresponsavelmente.

Garoto Henrique completou cinquenta jogos com a camisa do Vasco. Longe de ser craque, Henrique compõe bem a lateral esquerda e não compromete o time, sempre com atuações regulares.

Henrique é a prova de que a base não serve apenas para revelar grandes craques mas também para fornecer jogadores que podem ser úteis ao elenco. Muito melhor do que buscar apostas em times de menor investimento.

Espero que Guilherme Costa retorne ao time no próximo jogo. Não há qualquer justificativa para que ele não prossiga, no mínimo, sendo um décimo segundo titular, uma vez que vinha jogando muito bem antes da lesão.

A Taça Rio, se vale pouco em termos de conquista, apresenta jogos importantes para o time alcançar mais alguns degraus de evolução que pode ser decisiva na reta final do campeonato.

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Gotas de esperança

Douglas, a joia da Colina, marca o gol da vitória. (Foto: reprodução da TV – Sportv)

Jogos bons passam rápido.

Jogos ruins dão a impressão de que o relógio foi arremessado em um aquário. 

O tempo passa arrastado e aquoso como o gramado de São Januário na partida de ontem, diante do Boavista. 

A melhora do Vasco sob o comando de Milton Mendes é tão nítida quanto tímida. E não por um problema do treinador. Mas por uma limitação do elenco que se torna mais clara a cada peleja que vemos.

Ontem, assistimos excesso d’água e escassez de futebol. Fruto de faustas contratações com planejamento rarefeito. 

Não fosse assim, Julio dos Santos como zagueiro teria sido apenas um devaneio do técnico anterior e não uma realidade do comandante atual. Há mais exemplos, cristalinos àqueles que se propõem a analisar o Club com a mínima criticidade possível.

Destaque-se o retorno de Andrezinho, relevante nesse elenco, e a redescoberta de Yago, cujo crescimento salta aos olhos.  Há, ao que parece, um respeito maior ao futebol de Douglas. Mas o time ainda carece em demasia dos lampejos de Nenê, os laterais necessitam participar mais do jogo e, bom, sabe-se lá o que podemos esperar de Luiz Fabiano. 

Se a equipe não causa mais aquela nuvem de lágrimas, ainda considero cedo para despertar um temporal de amor.

Já deu pra notar que Milton interrompeu o naufrágio que se demonstrava inevitável com Cristóvão. A caravela cruzmaltina, contudo, demanda desafios mais turbulentos para termos certeza de que 2017, de fato, não irá por água abaixo. 

A esperança chega gota a gota. Torçamos para que não vá pelo mesmo ralo de onde parece ter saído nossos dirigentes.